Segunda-feira, 6 de Junho de 2011

Temos a arte para não morrer da verdade.

Nietzsche



publicado por omeuinstante às 10:00 | link do post

6 comentários:
De Francisco a 6 de Junho de 2011 às 15:35
Excelente para o dia de hoje!


De Vasco Tomás a 7 de Junho de 2011 às 20:38
Só que a arte (música, por ex.) aceder à visão da unidade do ser, na qual todas as fronteiras do conceito de uma racionalidade calculante são estilhaçadas. Ora, não é isto um modo de aceder a um outro tipo de verdade ontológica, desta vez pela mediação da arte? Com efeito, o que Nietzsche aqui critica é uma determinada configuração da verdade, como bom discípulo críptico do mestre Hegel, embora talvez sem disso ter consciência.


De Vasco Tomás a 7 de Junho de 2011 às 20:44
Só que a arte (música, por ex.) acede à visão da unidade do ser, na qual todas as fronteiras do conceito de uma racionalidade calculante são estilhaçadas. Ora, não é isto um modo de aceder a um outro tipo de verdade ontológica, desta vez pela mediação da arte? Com efeito, o que Nietzsche aqui critica é uma determinada configuração da verdade, como bom discípulo críptico do mestre Hegel, embora talvez sem disso ter consciência. Como pensa Heidegger, Nietzsche encerra a grande tradição metafísica de obliteração do ser, e cria as condições para o salto da era ontológica, de recuperação da verdade do ser do ente. Também a sua obra sobre a essência da arte vai neste sentido.


De omeuinstante a 8 de Junho de 2011 às 18:00
Olá, Vasco!
A crítica de Nietzsche à razão dominadora da Cultura Ocidental faz-se pela arte, sabemos.
A sua filosofia crítica condena toda a metafísica, substituindo a categoria de verdade pela categoria de beleza. A verdade é uma convenção, logo não existe em si mesma, podendo, então, ser aquilo que há de desmedido em Diónisos.
Nietzsche fala sobre o pathos da verdade, mostrando que se o conhecimento está condenado ao fracasso, então ele é sofrimento.
A arte, neste contexto, aparece como visão de um mundo alternativo, opondo a celebração da vida à aniquilação do conhecimento.

"houve um astro em que animais inteligentes inventaram o conhecimento ... Eles pereceram e desapareceram com a morte da verdade".

Deixo-te um beijinho, Vasco


De Cláudia a 9 de Junho de 2011 às 18:08
Nada é tão definitivo que se acabe por falta de elementos...
E a verdade, seria apenas o princípio das causas.



De Vasco Tomás a 9 de Junho de 2011 às 22:08
A razão está em Nietzsche intimamente conectada com o corpo, que procura em permanência preservar e intensificar a vida. O princípio em que se funda esta exigência do corpo é a vontade de poder.
Por isso, os conceitos são ficções necessárias à manutenção da vida.
Na sua reflexão sobre o logos ocidental, Nietzsche, a partir de 1886, toma consciência de que este "é habitado por uma força mais heraclitiana do que parmenideana , mais dissolvente do que agregadora, à qual chama "força da veracidade” wahrhaftigkeit ") (1), e em relação à qual ainda ninguém foi suficientemente verídico.
Neste âmbito, somos forçados a concluir que há um modelo de verdade (realista, como adequação à coisa e que foi dominante até Leibniz e Kant), que se encontra em processo de dissolução, mas que se afirma com toda a pujança doravante um outro modelo de verdade - a veracidade -, aberto à mudança, à diversidade , à complexidade, ficando a ciência desprovida de qualquer fundamento último.
Trata-se de uma verdade perspectivística , cambiante e plural, "em equilíbrio e em dialéctica entre os impulsos de preservação (a desmascarar pela força da veracidade) e as forças desmistificantes e contramitológicas que estarão ao serviço daquela veracidade"(2).


Nota bene : Para este comentário, servi-me do apoio do livro Perspectivismo e Modernidade, de António Marques, da Editorial Vega, sendo as citações das páginas 90 e 104, respectivamente.



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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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