Domingo, 6 de Novembro de 2011

Ó sino da minha aldeia, 
Dolente na tarde calma, 
Cada tua badalada 
Soa dentro da minha alma.

 

E é tão lento o teu soar, 
Tão como triste da vida, 
Que já a primeira pancada 
Tem o som de repetida.

 

Por mais que me tanjas perto 
Quando passo, sempre errante, 
És para mim como um sonho, 
Soas-me na alma distante.

 

A cada pancada tua, 
Vibrante no céu aberto, 
Sinto mais longe o passado, 
Sinto a saudade mais perto.

Fernando Pessoa, Revista Renascença, 1914 

 

Pequena capela, na fachada externa da Mesquita-catedral de Córdoba.
(Agosto de 2011)



publicado por omeuinstante às 16:06 | link do post

1 comentário:
De Lucas a 6 de Novembro de 2011 às 16:49
Adorei!


Comentar post

443245.jpeg
Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
links
posts recentes

Uma Pastelaria em Tóquio

ViK Muniz - Lixo Extraord...

VIK MUNIZ

Dominique Wolton

Da Memória: 1974 - Uma Pi...

25 de Abril - 2017

noctua - Willie Dixon, I ...

Longe dos Homens

Herberto Helder/ Os Passo...

Relâmpago de Nada

Maio 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
23
24
25
26
27

29
30
31


Visitas
conter12
tags

arte

cinema

david mourão-ferreira

educação

estética

eugénio de andrade

fernando pessoa

filosofia

fragmentos

leituras

literatura

livros

miguel torga

música

noctua

pintura

poesia

política

quotidiano

sophia de mello breyner andresen

todas as tags

arquivos
blogs SAPO