Terça-feira, 15 de Novembro de 2011

Tu, a que eu amo nesta manhã
que trouxe a tua imagem com os ruídos
da rua, vai até à janela,
levanta as persianas do quarto, e olha
o céu como se ele fosse
um espelho. Diz-me, então,
o que vês? As nuvens que passam
pelos teus olhos? Um azul cuja
sombra te desenha o contorno
das pálpebras? A mancha rosa do nascente
que o horizonte roubou ao
teu rosto? Mas não te demores. Um espelho
não se pode olhar muito tempo e
o céu da manhã é dos que mudam com
as variações da alma. Pode ser que o céu
roube um sorriso aos teus lábios e
mo traga, para que eu o ponha neste poema,
onde te vejo, um instante, enquanto
a manhã não acaba.

Nuno Júdice



publicado por omeuinstante às 10:00 | link do post

1 comentário:
De Cláudia S. Tomazi a 15 de Novembro de 2011 às 23:25
Apenas poetas amam o que anunciam ou todo coração é justo e a causa sana?


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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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