Quarta-feira, 23 de Novembro de 2011

Há noites que são feitas dos meus braços
E um silêncio comum às violetas.
E há sete luas que são sete traços
De sete noites que nunca foram feitas.

Há noites que levamos à cintura
Como um cinto de grandes borboletas.
E um risco a sangue na nossa carne escura
Duma espada à baínha dum cometa.

Há noites que nos deixam para trás
Enrolados no nosso desencanto
E cisnes brancos que só são iguais
À mais longínqua onda do seu canto.

Há noites que nos levam para onde
O fantasma de nós fica mais perto;
E é sempre a nossa voz que nos responde
E só o nosso nome estava certo.

Há noites que são lírios e são feras
E a nossa exactidão de rosa vil
Reconcilia no frio das esferas
Os astros que se olham de perfil.

Natália Correia



publicado por omeuinstante às 10:00 | link do post

2 comentários:
De Isabel X a 23 de Novembro de 2011 às 12:47
Belíssimo este poema!
Mísia canta-o num fado (igualmente) magnífico!
- Isabel X -


De Francisco a 23 de Novembro de 2011 às 20:52
Para ler, ler...lindo, grande Natália!


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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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