Domingo, 27 de Novembro de 2011

O Teatro da Cornucópia tem em cena A Varanda, peça do dramaturgo francês Jean Genet. É considerada uma obra incontornável do teatro moderno. É um texto profundamente filosófico e político, uma metáfora do Mundo, da Cultura Ocidental e do próprio Teatro.

A Varanda é o nome de um Bordel por onde desfilam, e caem, homens comuns transvestidos de figuras notáveis ( ou é ao contrário?), desde o Bispo, o Juíz e o General, entre outras; também o Herói de todas as revoluções, mesmo o das interiores que fervilham em cada ser.
Através duma linguagem cheia de armadilhas, assistimos ao jogo de máscaras entre a Ilusão e o Reflexo, a Mentira e a Verdade, a Vida e a Morte. Um texto que suspende as fronteiras entre o real e o imaginário, uma vez que esbate a capacidade de desocultar a opacidade das diversas máscaras com que a Cultura milenar esconde a pele da Natureza.
A sessão de fotografias é um momento fulcral nesta grande encenação de Luís Miguel Cintra. Os flashes captam, pela reconstrução permanente, a acção histórica e as máquinas desejantes que integram o nosso presente alienado de imagens e reflexos de imagens.

A encenação final do Homem acontece com a mutilação do herói, aquele que pela morte nos dá a face da vida. E assim, por mais dois mil anos, repete-se o simulacro da Verdade, numa lancinante investigação sobre o Ser e sobre a tragicidade do seu desvelamento. Uma autêntica genealogia do Bem e do Mal porque, como nos diz Holderlin, onde está o perigo, cresce também aquilo que salva.

Como síntese do olhar que lançamos da Varanda sobre a Cidade, usemos a expressão do texto- Bela é a máscara.

São quatro horas breves de desintoxicação, como lhe chamou Sartre.
Todas as personagens estão de parabéns. A não perder.

 




 



publicado por omeuinstante às 17:50 | link do post

5 comentários:
De Francisco a 27 de Novembro de 2011 às 21:51
Excelente divulgação. Não vou perder!


De Isabel X a 27 de Novembro de 2011 às 22:23
Obrigada Céu, pela inteligência com que apresentas esta peça. Costumo ir à Cornucópia e desta vez tenho mesmo que ir! Principalmente depois de ler este texto. Muito bom.
Agradeço também a publicação da imagem do ator Vítor Andrade, meu (nosso?) antigo aluno, que já duas vezes lá encontrei (e uma na Barraca), e que revejo sempre com agrado e uma boa dose de orgulho!
- Isabel X -


De omeuinstante a 28 de Novembro de 2011 às 00:22
Obrigada, Isabel.
Não podes perder! A Cornucópia aposta neste texto denso e difícil e ganha. Vais gostar imenso, estou certa, desta tragicomédia, desta Varanda sobre a Cidade.
Também tenho acompanhado, nos mesmos lugares, o nosso aluno Vítor Andrade. Aqui, ele é um herói à altura de qualquer revolução. Tive o prazer de trocar algumas palavras com ele e, curiosamente, expressei-lhe o orgulho que sinto em poder apreciar o seu trabalho.
MCéu


De Rita a 28 de Novembro de 2011 às 23:08
Adorei. A cornucópia no seu melhor!


De Carlos T. a 3 de Dezembro de 2011 às 19:07
Gostei de tudo. da peça e do seu texto.


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