Segunda-feira, 26 de Dezembro de 2011

Do bico de uma chaleira bojuda um pouco cansada escapava-se um leve vapor. Dessa estranha locomotiva imóvel exalavam-se assobiando todos os perfumes do mundo, das montanhas vermelhas da China às montanhas azuis da Índia, das veredas afegãs às pistas do deserto, dos poços africanos às margens egípcias. De repente compreendi que a chaleira tinha percorrido uma viagem muito longa. Tinha seguido as caravanas para se meter na poeira dos caminhos traçados pelos nómadas. Era ao mesmo tempo dragão e diligência, locomotiva e caixa de Pandora.

Teria eu medo de lhe levantar a tampa para nela encontrar algum segredo que não me era destinado?


Gilles Brochard, Pequeno Tratado Do Chá
(Obrigada, José)



publicado por omeuinstante às 21:37 | link do post

1 comentário:
De Francisco a 27 de Dezembro de 2011 às 23:09
Não conhecia. Interessante!


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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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