Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012

Se me vem tanta glória só de olhar-te,

Se pena desigual deixar de ver-te;

Se presumo com obras merecer-te,

Grão paga de um engano é desejar-te.

 

Se aspiro por quem és a celebrar-te,

Sei certo por quem sou que hei-de ofender-te;

Se mal me quero a mim por bem querer-te,

Que prémio querer posso mais que amar-te?

 

Porque um tão raro amor não me socorre?

Ó humano tesouro! Ó doce glória!

Ditoso quem à morte por ti corre!

 

Sempre escrita estarás nesta memória;

E esta alma viverá, pois por ti morre,

Porque ao fim da batalha é a vitória.

 

Luís de Camões

 


publicado por omeuinstante às 20:16 | link do post

1 comentário:
De OD a 24 de Janeiro de 2012 às 21:53
Lindo! Simplesmente... amor...


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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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