Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

 Pelo lápis multipétalo de Natália, recebemos a sustentável leveza do sentir; do ar proibido que respiramos. 

 

 Este homem que entre a multidão 

enternece por vezes destacar 
é sempre o mesmo aqui ou no japão 
a diferença é ele ignorar. 

Muitos mortos foram necessários 
para formar seus dentes um cabelo 
vai movido por pés involuntários 
e endoidece ser eu a percebê-lo. 

Sentam-no à mesa de um café 
num andaime ou sob um pinheiro 
tanto faz desde que se esqueça 
que é homem à espera que cresça 
a árvore que dá dinheiro. 

Alimentam-no do ar proibido 
de um sonho que não é dele 
não tem mais que esse frasco de vidro 
para fechar a estrela do norte. 
E só o seu corpo abolido 
lhe pertence na hora da morte. 

Natália Correia, O Vinho e a Lira



publicado por omeuinstante às 12:29 | link do post

1 comentário:
De Anamar a 25 de Janeiro de 2012 às 16:50
uma atenção, diferente, nas horas do quotidiano... Bonito, MCéu.
Grande Natália!


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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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