Sábado, 28 de Janeiro de 2012

O dizer poético, expressionista, do austríaco Georg Trakl (1887-1914), lembra as fúrias de Orfeu. Um poeta da noite, da solidão e das imagens quase cinematográficas, que acompanho no crepúsculo deste inverno solarengo.

 

Pastores enterraram o sol na floresta nua.
Um pescador puxou a lua
Do lago gelado em áspera rede.

No cristal azul
Mora o pálido Homem, o rosto apoiado nas suas estrelas;
Ou curva a cabeça em sono purpúreo.

Mas sempre comove o vôo negro dos pássaros
Ao observador, santidade de flores azuis.
O silêncio próximo pensa no esquecido, anjos apagados.

De novo a fronte anoitece em pedra lunar;
Um rapaz irradiante
Surge a irmã em outono e negra decomposição.

 

 



publicado por omeuinstante às 18:32 | link do post

1 comentário:
De Carlos T. a 29 de Janeiro de 2012 às 20:28
Um poeta importante, muito apreciado nos meios filosóficos.


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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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