Quarta-feira, 18 de Abril de 2012

Nas cidades, nas ruas, dentro de nós. Nas tormentas do tempo.

Nas nossas ruas, ao anoitecer,

Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.


O céu parece baixo e de neblina,
O gás extravasado enjoa-me, perturba-me;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina.

Batem os carros de aluguer, ao fundo,
Levando à via-férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista, exposições, países:
Madrid, Paris, Berlim, Sampetersburgo, o mundo!
(...)
Cesário Verde, O Sentimento de um Ocidental.



publicado por omeuinstante às 19:12 | link do post

2 comentários:
De Manuel a 18 de Abril de 2012 às 23:59
Eu fui-me à colombiana Marta Gómez ouvi-la numa canção com este título.


De omeuinstante a 20 de Abril de 2012 às 19:55
Aproveitei a boleia e fiz o mesmo percurso. Gostei muito
da força poética e da fragrância jazzística. Grande Marta!


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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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