Quinta-feira, 24 de Maio de 2012

Tu me deste a Palavra, a noz do fogo
Se o miolo te ficou tenho os dedos queimados.
Dá Deus nozes, Senhor... Sem dentes, desde logo,
Teu Banquete revolta os desdentados.

O Pão esperou na Voz fome e saliva
Ninguém comeu senão da própria suficiência:
Ao menos o Menino tem gengiva,
Saboreia a inocência.

Tende piedade dos Críticos,
Dai-lhes o Best-Seller
Engrossarão o seu coro.
Tudo o que for Sentido - desterrado
E oculto no choro!

Fazei guardar por anjos
A Significação
E em nossa carne eles tenham
Ceva e consolação.
À entrada do Verbo, imo da Morte,
Ponde uma folha a espada:
Guardaremos a Vida e o sangue ao Norte
Do Nada

 

Vitorino Nemésio 



publicado por omeuinstante às 11:00 | link do post

1 comentário:
De Cláudia S. Tomazi a 24 de Maio de 2012 às 13:39
Quando na altura da humanidade: d'este resfolegar!

Em muito a dizer Nemésio.


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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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