Domingo, 17 de Junho de 2012

Na sua crónica de Domingo, Frei Bento Domingues diz-nos que há escritores que procuram no silêncio a profundidade da existência. Destaca Etty Hillesum, uma judia holandesa, morta em Auschewitz aos vinte e oito anos. Frei Bento Domingues transcreve, no Público, fragmentos do seu Diário (1941-1943); fragmentos que dão conta da resistência à humilhação que os nazis procuravam impor aos judeus

(...) Podem tornar-nos as coisas algo complicadas, podem roubar-nos alguns bens materiais, alguma aparente liberdade de movimento, mas somos nós que cometemos o maior roubo a nós próprios.(...) Bem podemos, às vezes, sentirmo-nos tristes e abatidos por causa daquilo que nos fazem, isso é humano e compreensível. Porém, o maior roubo que nos é feito somos nós mesmos que o fazemos. Eu acho a vida bela e sinto-me livre.






publicado por omeuinstante às 19:00 | link do post

2 comentários:
De Isabel X a 17 de Junho de 2012 às 22:15
Li já há anos o Diário e as Cartas de Etty Hillesum, que possuo, depois de ter sabido dela através de um artigo de Bénard da Costa (saudoso!). É das leituras mais marcantes que me aconteceram!

Etty teve oportunidade de se livrar de um destino trágico e escolheu não o fazer, vivendo a morte num campo de concentração, depois de ajudar muitos judeus. O seu amor por Deus era incomensurável e manifestava-se pelo amor do próximo.

No entanto, agora, que tenho lido muito intensamente outra judia, não religiosa, Hannah Arendt, já vejo as coisas de um modo um pouco diferente. Diz ela que os judeus também participaram do seu próprio sacrifício, na medida em que assumiram o ódio que outros povos lhe manifestavam como traço identitário.

Talvez seja um erro grave e já tenho pensado que nós, portugueses, devíamos meditar as análises que Arendt resarva quanto aos povos párias.

- Isabel X -


De omeuinstante a 21 de Junho de 2012 às 20:53
Conheço Etty Hillesum de forma superficial, mas sinto vontade de entrar um pouco mais na vida desta mulher, daí ter parado nesta crónica de F.Bento Domingues.
Sim, de facto H. Arendt dá-nos uma visão do mundo mais focada nos acontecimentos políticos.Toda a sua experiência de Auschwitz perpassa nos seus escritos através de conceitos como os de responsabilidade individual e colectiva, entre tantos outros. São termos desta natureza que apoiam a sua reflexão, profunda, sobre o passado e o futuro, a Europa, o" pensamento político vivo"...muito para conversar, Isabel.
Obrigada!


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