Segunda-feira, 2 de Julho de 2012

É a música, este romper do escuro.
Vem de longe, certamente doutros dias,
doutros lugares. Talvez tenha sido
a semente de um choupo, o riso
de uma criança, o pulo de um pardal.
Qualquer coisa em que ninguém
sequer reparou, que deixou de ser
para se tornar melodia. Trazida
por um vento pequeno, um sopro,
ou pouco mais, para tua alegria.
E agora demora-se, este sol materno,
fica comigo o resto dos dias.
Como o lume, ao chegar o inverno.

Eugénio de Andrade, Os Sulcos da Sede 



publicado por omeuinstante às 10:00 | link do post

1 comentário:
De Cláudia S. Tomazi a 3 de Julho de 2012 às 13:55
Minha reverência a Eugénio de Andrade.


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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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