Terça-feira, 6 de Novembro de 2012

Uma borboleta no chão

Uma brisa suave
Um raio de sol
Suficientemente fino para te fazer estremecer
Suficientemente longo para te fazer feliz

 

Aqui descansamos, livres e vazios
Neste fim de estação
Neste abraço cálido e final de expansão
Os dedos são lírios que saem das mãos

Esguios, enigmáticos símbolos transfigurados

 

Planta, animal, estrela diurna
E o bafo quente que os envolve 
Porque a vida é
Uma erva, uma explosão, um beijo, uma agonia
Um tempo que nos visita de raspão

 

E ainda assim
Persistimos na ternura das horas 
No prazer de uma boca que se abre
No anoitecer dos cabelos em repouso
Ainda assim persistimos

 

Acordando todas as manhãs
E pela tarde
O riso volta de novo às sombras do verão
Pássaros incorpóreos dos sentidos
Logo empoleirados sobre estes corpos inclinados

 

Porque o tempo
Essa areia esquiva onde brincam os astros
Desdenha dos nossos esforços humanos
E volta sempre
Com o presságio daquela oculta maré primordial

 

Ainda uma vez mais 
A palavra sobre as águas
Os sons ancestrais guardados na carne
Que despontam como trigo estival
Enquanto revelam o prefácio do nosso existir

 

José Ferreira



publicado por omeuinstante às 17:55 | link do post

2 comentários:
De José Ferreira a 14 de Novembro de 2012 às 16:56
Ainda uma vez mais, Instante de Superfície.
Uma boa tarde.


De omeuinstante a 16 de Novembro de 2012 às 21:12
Uma boa noite, José Ferreira.
É muito bonito este seu dizer poético.
Obrigada, por estar aqui.

Maria do Céu


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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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