Quarta-feira, 12.10.11

Uma ocorrência feliz na sala de aula levou-me o pensamento para o livro, Como um Romance, do professor e escritor Daniel Pennac.

Que espantosos pedagogos nós éramos, quando não nos preocupávamos com a pedagogia.

 




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Segunda-feira, 10.10.11

Sabe-se. A economia cegou e engoliu o espaço da política e a turbulência cai, erradamente, nas costas da democracia. É urgente a reflexão sobre o político enquanto processo vibrante de posições antagónicas.

 

Hoje em dia a questão crucial é a de como estabelecer uma nova fronteira política, capaz de dar um verdadeiro impulso à democracia.

Segundo creio, isto exige a redefinição da esquerda como um horizonte em que as muitas lutas diferentes contra a sujeição possam encontrar um espaço de filiação. A noção de uma cidadania democrática radical revela-se fundamental, porque é susceptível de facultar uma forma de identificação que permita o estabelecimento de uma identidade política comum entre várias lutas democráticas.

Chantal Mouffe, O Regresso do Político, Gradiva.

 



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Sábado, 08.10.11

Há mulheres intensas na sua desafiante inquietude. A Isabel Xavier está entre elas. Em 2002 publica Catedral, livro de poemas onde se abrem itinerários de imenso sabor; e sabedoria.

Um belo livro de amor dito, pleno de arte de sentir o conhecimento. Para ler em passo lento, como quem caminha em terra estranha.

Capa e ilustrações do pintor Carlos Aurélio.

 

Eternidade

A eternidade que o tempo contempla

Do olhar da esfinge se desprende
Metade humana outra metade lembra
A metade divina que se estende

 

Pelas águas do Nilo que em seu leito afoga 

A penumbra mansa que seu sonho oculta

Ou pela areia do deserto onde se goza

O desterro de uma morte já adulta

 

E de tanto que viveu em morte sua
Seu segredo se assemelha à água clara

Do rio de prata que à noite solta a lua
Quando a alma se arrepia e se amortalha

 

Metade de Deus aqui a pressentimos
Já profana, distante, efémera e pouca
Trajecto que além nós, nós prosseguimos
Grito de dor da nossa voz já rouca

 

Volta de novo metade luz tão pura
A iluminar a terra ressentida
Metade sombra, clareira escura
Certeza em nós da verdadeira vida. 

 

(Parabéns, Isabel! Obrigada.)



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Terça-feira, 04.10.11

Da leitura da Porta Giratória de Mario Quintana.


Não é possível amizade quando dois silêncios não se combinam.

 


 



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Sábado, 01.10.11

Para a realidade humana, ser é escolher-se: nada lhe vem de fora, nem tão-pouco de dentro, que possa receber ou aceitar. Está inteiramente abandonada, sem auxílio de nenhuma espécie, à insustentável necessidade de se fazer ser até ao mais ínfimo pormenor. Assim, a liberdade não é um ser: é o ser do homem, quer dizer, o seu nada de ser. (...) O homem não pode ser ora livre, ora escravo; ele é inteiramente e sempre livre, ou não é.

Jean-Paul Sartre, O Ser e o Nada



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Quarta-feira, 28.09.11

No espaço de poucos minutos, éramos obrigados a bater em retirada e a abandonar a bacia de areia onde rolavam torvelinhos de espuma. O dançarino acompanhou-nos, e viemos a descobrir assim que não era nem louco nem mudo. (...) Estudara simultaneamente dança e escultura em Santiago, depois expatriara-se para os antípodas. O problema do tempo obcecava-o. A dança, arte do instante, efémera por natureza, não deixa vestígios e sofre de não poder enraizar-se em qualquer continuidade. A escultura, arte da eternidade, desafia o tempo e procura materiais indestrutíveis. Mas, com isso, é a morte que acaba por descobrir, porque o mármore possui uma evidente vocação funerária. Nas costas da Mancha e do Atlântico, Lagos (o dançarino) descobrira o fenómeno das marés governado pelas leis astronómicas. Ora a maré ritma os jogos do dançarino de praia, e ao mesmo tempo convida-o à prática de uma escultura efémera.

- As minhas esculturas de areia vivem, afirmava ele, e a prova é que morrem. É o contrário da estatuária dos cemitérios, eterna por não ter vida.

 

Michel Tournier, Uma Ceia de Amor

(Obrigada, Olga)



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Terça-feira, 06.09.11

O conto de Nikolai Gógol ( 1809-1852), o Retrato, narra a história de um quadro que desperta o desejo de agir de forma maléfica em todos os que entram em contacto com ele. A causa, uns olhos diabolicamente pintados que se revelam nocivamente vivos.
O jovem pintor, Tchartkov, adquire o quadro no Mercado Chiúkin, e, repentinamente, como se tivesse sido tocado por uma doença, troca o seu talento por uma vida supérflua e auto-destrutiva.
É, antes de tudo, um excelente exercício reflexivo sobre a arte e a vida; sobre os valores; sobre a duplicidade que existe em cada ser, mas que vive oculta nas profundezas da alma. 
Digo, uma narrativa apaixonante.

 



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Quarta-feira, 31.08.11

O livro de Maria Filomena Molder, O Químico e o Alquimista – Benjamin, Leitor de Baudelaire, abre a porta ao universo de Walter Benjamin.

O alquimista - o crítico-  é aquele que procura compreender intimamente a verdade da obra, enquanto que o químico é o comentador, uma "espécie de analista, decompõe um texto, no qual o crítico tenta reconhecer a vida", como a própria torna claro.

A primeira parte do livro prepara o leitor para a a compreensão da segunda, onde nos confrontamos com a leitura crítica benjaminiana de Baudelaire. 

A capa do livro apresenta um pormenor de um quadro do pintor belga James Ensor (1860-1949), um belo fogo de artifício que nos remete para a persistente metáfora do fogo. 
Um livro para ser lido sem pressa.
 

 

 





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Sexta-feira, 22.07.11

A esteticização generalizada do mundo e da vida assume-se hoje liberta do fantasma do ressentimento ou da figura trágica e dolorosamente verdadeira do niilismo. Mas, na realidade, o actual e pós-moderno hedonismo individualista, o narcisismo culto e cultivado, co-extensivo à nova religião do corpo, do desejo e dos sentidos, mais não faz que, ao mesmo tempo, traduzir e exprimir a inevitável necessidade de revolta e protesto, subvertendo a ordem estabelecida ao longo de séculos de recalcamento, esquecimento e denegação dessa dimensão oculta e até agora apenas tolerada na sua vertente amortecida, isto é sublimada. O que sucede agora é que os novos códigos mitológicos e os novos dispositivos ideológicos não apenas possibilitam, como potenciam e caucionam uma transformação global e radical do sistema de valores e vivências significantes, o que, todavia, não deixa de poder ser reduzida, no posto que se trata de uma reacção indiscriminada e evasiva contra tudo aquilo que nega ou quer negar; um mero jogo de prazeres acéfalos, por certo "extremamente gratificante" e" cheio de estilo", mas nunca, na verdade, uma procura pela reconversão profunda do Homem, do Mundo e da Vida, isto é, propriamente, uma autêntica Estética da existência e não uma mera arte erótica.

 

João Carlos Silva, Também Aqui Moram os Deuses, Chiado Editora, p 171



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Quarta-feira, 20.07.11

São várias as tonalidades do pensar de Vergílio Ferreira. Oferece-nos, no seu embate com o mundo, o fundamento incognoscível de nós; e a sua mutabilidade. 

Faz sentir que a palavra é um impossível ou chega sempre tarde, porque não decide do originário em si mesmo mas dos arranjos que a tornam apresentável.

O impensável ou indiscutível subjaz portanto a todo o pensar e, para além dele, ao sentir, e para lá do sentir, ao substracto do que os infinitos possíveis em nós possibilitaram. E é sobre isso que se determina o nosso equilíbrio interno, harmonizado pela nossa liberdade.

 

O que é que muda em nós quando mudamos? De idade, de condição, às vezes mesmo de um local? Podem manter-se os mesmos valores, ideologia, relação com a vida. E, todavia, aí mesmo, alguma coisa pode mudar.É a mudança que se opera no indizível de nós, onde mora a organização disso tudo, ou seja, o equilíbrio disso tudo. Os valores reordenam-se numa outra ordenação, num outro escalonamento, num modo diverso de os perspectivarmos. Os valores podem permanecer, mas não na face que era a sua ou o lugar que era o seu. E com isso em nós a porção de alma que lhe demos. Ou a aceleração do ritmo da nossa excitação. Não se entenderá assim que a mesma obra seja diferente como a arrumação diferente dos móveis de uma sala? Porque uma obra é o que é, mais o modo de a fazermos ser o que nela somos nós. Mas esse modo é o que ela é afinal. Que é que muda em nós quando mudamos? Uma forma diferente de sermos o mesmo. As vagas do mar. Um céu que se descobre. A pele que se enruga. O ângulo do olhar.

 

Vergílio Ferreira, Pensar, Bertrand Editora, pp 88-89



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Sexta-feira, 15.07.11

fico aguardando telegramas, os azuis

recados. 

os poderes da manhã já pouco duram. 

à superfície o som move na boca 

um pouco sopro. 

não julgues que me importam as roldanas 

do tempo no teu 

corpo 

são certos os abismos de cartão 

e falsa a neve que nos cobre os passos. 

de graça a terra nos dispõe na foto 

e a idade inventa nomes que a dissipem 

descobre-me impacientes os recados o 

envelope da urgência o intervalo 

de A Pequena Face 


António Franco Alexandre, Poemas



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Quinta-feira, 14.07.11

Ao longo dos séculos, na cultura ocidental,  a noção de semelhança desempenhou um papel de construção dos saberes, nomeadamente na exegese e interpretação de textos.
A afinidade transforma e altera em estado livre o que existe no universo; faz com que a sua individualidade desapareça.
Hoje, como pensamos a analogia? 

 

 

 

Dom Quixote é a primeira obra literária moderna, porque nela vemos as cruéis razões de identidades e diferenças escarnecer infinitamente dos sinais e das similitudes, porque nela a linguagem separa-se do seu velho parentesco com as coisas e entra na solitária soberania da qual irá ressurgir, no seu estado separado, apenas como literatura; porque assinala o ponto onde a semelhança entra numa idade que é, do ponto de vista da semelhança, uma idade de loucura e imaginação.

 

Foucault



publicado por omeuinstante às 15:46 | link do post

esta esquisita prova me tentou

de tecer um rumor em muros de água

ossos de terra calcinada

o jugo


culpado me castigo com engenho

e da voz desenhada o artifício

restos de pele antiga

no laço da armadilha


em silêncio me muro e me demoro

no cálculo de rotas inexactas


em duro arbítrio quer que me desprenda

dos cinco ou mais sentidos

vou ser livre na terra desnudada

vou dizer o que sei como quem mente.

(...)


António Franco Alexandre, Poemas, Assírio & Alvim, p.175 



publicado por omeuinstante às 10:08 | link do post

Quarta-feira, 13.07.11

Mexo a boca, mexo os dedos, mexo
a ideia da experiência.
Não mexo no arrependimento.
Pois o corpo é interno e eterno
do seu corpo.
Não tenho inocência, mas o dom
de toda uma inocência.
E lentidão ou harmonia.
Poesia sem perdão ou esquecimento.
Idade de poesia.


Herbero Helder, Poesia Toda



publicado por omeuinstante às 22:57 | link do post

Sexta-feira, 17.06.11

A ignorância não é apenas um espaço em branco no mapa mental de uma pessoa. Tem contornos e coerência, e tanto quanto sei, também tem regras operacionais. Como corolário à recomendação para escrevermos sobre o que conhecemos, talvez seja útil adicionar a recomendação para nos familiarizarmos com a nossa ignorância.

 

 

Thomas Ruggles Pynchon, Jr. (Long Island, 8 de Maio de 1937) 



publicado por omeuinstante às 14:03 | link do post

Quinta-feira, 16.06.11

Tem tanta pressa o corpo! E já passou,

quando um de nós ou quando o amor chegou.
 



publicado por omeuinstante às 12:53 | link do post

Quarta-feira, 15.06.11

Toda a realização cultural é uma reflexão sobre a condição humana através do tempo. 



publicado por omeuinstante às 21:21 | link do post

Segunda-feira, 09.05.11
 É um fenómeno curioso: o país ergue-se indignado, moureja o dia inteiro indignado, come, bebe e diverte-se indignado, mas não passa disto. Falta-lhe o romantismo cívico da agressão.

Somos, socialmente, uma colectividade pacífica de revoltados.

 

 

Miguel Torga, Diário IX, ( Chaves,17 de Setembro 1961)



publicado por omeuinstante às 18:20 | link do post

Sábado, 07.05.11

Esqueço-me de ouvir cheirar a Terra,

 

esqueço-me que vivo...E anoitece.

 

 

Jorge de Sena, Antologia Poética, Guimarães, p. 57



publicado por omeuinstante às 16:37 | link do post

Quinta-feira, 21.04.11

 

Apreender

I

Passo a minha mão pela tua cabeça,

recurvamente, atentamente, e só com dedos brandos,

olhando-a como passa e vendo onde passou.

 

Quero tanto saber o que tu pensas.

 

IV

 Porque esperaste, ciente, a pele da minha mão?

 

 

Jorge de Sena, Antologia Poética, Guimarães, pp. 96,97



publicado por omeuinstante às 16:11 | link do post

Nenhuma beleza de primavera ou Verão tem tal graça

  Como a que descobri numa face Outonal.

As jovens Belezas forçam-nos ao amor: isso é violação;

  Esta apenas aconselha, e não lhe podemos escapar.

Se fosse vergonha amar, não seria vergonha aqui

  Onde a Afeição toma o nome de Reverência.

Foram-lhe os primeiros anos a Idade de Ouro? É verdade,

  Mas ela agora é ouro bem martelado e sempre novo.

 

 

John Donne, Elegias Amorosas, Assírio & Alvim, p. 49

 

 

 

 



publicado por omeuinstante às 14:23 | link do post

Quinta-feira, 31.03.11

A ler a Carta sobre a Tolerância, de John Locke ( 1632-1704). Um texto marcante no pensamento filosófico e político da cultura ocidental. De forma clara e lúcida são apresentados princípios racionais e políticos sobre a natureza e os limites da Igreja e do Estado.

Um pretexto para cruzar leituras, com destaque para o brilhante texto de Amos Oz, Contra o Fanatismo.

 

Nem o direito, nem a arte de governar se fazem necessariamente acompanhar de um certo conhecimento de outras matérias; acima de tudo, não do conhecimento da religião.

 

Locke

 



publicado por omeuinstante às 20:12 | link do post

Segunda-feira, 28.03.11

Soseki, escritor japonês ( 1867-1916), autor de Eu sou um Gato, diz:

 

 

Desfiz-me dessa coisa insignificante

a que chamam "EU"

E tornei-me num mundo imenso.

 

Uma sabedoria simples e evidente.



publicado por omeuinstante às 18:29 | link do post

Sexta-feira, 18.03.11

Já o dissemos, várias vezes, o Homem não se define apenas pela sua racionalidade. Continuamente, procuramos a terra funda dos mitos, remitologizamos o seu sentido para nos adaptarmos ao mundo. Necessidade de uma metafísica inconsciente e sonhadora.

Da leitura de hoje sobrou esta passagem da obra, O Nascimento da Tragédia, de Nietzsche

 

E, espartilhado por todos os restos do passado, este homem desprovido de mitos permanece eternamente esfomeado, escavando sempre à procura de raízes, nem que para as encontrar tenha de as desenterrar nas mais remotas Antiguidades.

 

 

 

 

 



publicado por omeuinstante às 15:51 | link do post

Quinta-feira, 17.03.11

A liberdade de consciência exige uma completa laicidade do espírito?

 

Escutando a Razão dentro de si,  Locke afirma: Pessoa é, penso eu, um ser pensante e inteligente, que possui razão e reflexão, e que se pode considerar a si mesma coisa pensante em diferentes momentos e lugares; o que só pode fazer graças a essa consciência que é inseparável do pensamento e, ao que me parece, lhe é essencial.

 



publicado por omeuinstante às 15:19 | link do post

Domingo, 13.03.11

pois para ser diferente de quem era
bastou-me ver teu rosto e mais que ver olhar

 

Rui Belo, O tempo das Suaves Raparigas e Outros Poemas de Amor, Assírio & Alvim, p.11



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Quarta-feira, 02.03.11

 Montaigne, em A Arte de Discutir, salienta: O acordo é, na discussão, qualidade de todo aborrecida.

(...)

Gosto de discutir e discorrer, mas é com pouca gente e para meu proveito.

 

Há, ainda, a improbabilidade da comunicação.



publicado por omeuinstante às 12:32 | link do post

Quarta-feira, 23.02.11

Chamarás poema a uma encantação silenciosa,

à ferida áfona que de ti desejo aprender de cor.

 

Jacques Derrida, Che Cos’é la Poesia?

 



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Quinta-feira, 17.02.11

E entre

o Aqui

e o Agora,

não crês que poderemos ver-nos

uma ou duas vezes?

 

Richard Bach, Fernão Capelo Gaivota



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Sexta-feira, 11.02.11

O céu, numa noite sem lua, longe das luzes ofuscantes das cidades, é um espectáculo maravilhoso.

 

Trinh Xuan Thuan, A Melodia Secreta, Bizâncio, lisboa, 2002, p. 19



publicado por omeuinstante às 10:30 | link do post

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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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