Segunda-feira, 9 de Junho de 2014

 

Um profundo exercício sobre a vida e a norma. Um poema inteiro, feito de cinzas e restos. Debaixo da pele, despida de ismos, o poeta deambula entre as trevas e a luz e, no gesto, constrói a esperança de um território primordial - o eu nu. Uma inquietação levada à alma. Sem disfarces: " Esta é a minha Elegia".

 

e só agora penso:

porque é que nunca olho quando passo defronte de mim

                                                                        mesmo?

para não ver quão pouca luz tenho dentro?

ou o soluço atravessado no rosto velho e furioso,

agora que o penso e vejo mesmo sem espelho?

- cem anos ou quinhentos ou mil anos devorados pelo

                                    fundo e amargo espelho velho:

e penso que só olhar agora ou não olhar é finalmente

                                                                 

                                                                  o mesmo

 

Herberto Helder, A Morte Sem Mestre, Porto Editora, p.16



publicado por omeuinstante às 22:23 | link do post

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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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