Segunda-feira, 13 de Outubro de 2014

 

algumas horas outras invadiram as sedas, os perfumes

ácidos da louça, não serão recordadas. ou quanto mais

as recordarmos, mais a ignorância deitará

os corpos no tapume de vidros, para que em torno

se conciliem as vontades singulares, as 

particularidades de um impetuoso alarme.

ou seja: deixarão as esplanadas baças, os garfos

encolhidos, para que um amplo destino os atravesse.

considerem, por exemplo o paquete que ao meio-dia

digere as minuciosas palmeiras sobre a

alta insensatez dos aquedutos. ou ainda

a ilusão dos alicates ao lado da água, e o seu reflexo

do outro lado das vidraças: azul, não é?

assim estas algumas outras horas: como esquecê-las?

 

António Franco Alexandre, Poemas, Assírio & Alvim, p.94



publicado por omeuinstante às 23:13 | link do post

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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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