Quarta-feira, 13.06.12

Porque há 124 anos nascia Pessoa

Depus a máscara, e tornei a pô-la.

Assim é melhor.
Sem a máscara.
E volto à personalidade como a um terminus da linha...

Álvaro de Campos 



publicado por omeuinstante às 21:56 | link do post

Segunda-feira, 11.06.12

Folheava um manual antigo de Filosofia quando me deparei com este grande poema de Álvaro de Campos. Um exercício sobre a debilidade da espécie humana, força essencial do seu horizonte possível, e da procura permanente de nós. 
 

Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo, 
Espécie de acessório ou sobressalente próprio, 
Arredores irregulares da minha emoção sincera, 
Sou eu aqui em mim, sou eu. 
Quanto fui, quanto não fui, tudo isso sou. 
(...) Sou eu mesmo, o trocado, 
O emissário sem carta nem credenciais, 
O palhaço sem riso, o bobo com o grande fato de outro, 
A quem tinem as campainhas da cabeça 
Como chocalhos pequenos de uma servidão em cima. 
Sou eu mesmo, a charada sincopada 
Que ninguém da roda decifra nos serões de província. 
Sou eu mesmo, que remédio! ... 



publicado por omeuinstante às 19:19 | link do post

Terça-feira, 25.10.11

Respiro melhor agora que passaram as horas dos encontros.

 Álvaro de Campos

 

          (Cinzas de Edvard Munch)



publicado por omeuinstante às 14:00 | link do post

Sexta-feira, 19.08.11

Porque o que basta acaba onde basta e onde
acaba não basta.

Álvaro de Campos



publicado por omeuinstante às 20:00 | link do post

Segunda-feira, 25.04.11

A liberdade, sim, a liberdade!

A verdadeira liberdade!

Pensar sem desejos nem convicções.

Ser dono de si mesmo sem influência de romances!

Existir sem Freud nem aeroplanos,

Sem cabarets, nem na alma, sem velocidades, nem no cansaço!

 

A liberdade do vagar, do pensamento são, do amor às coisas naturais

A liberdade de amar a moral que é preciso dar à vida!

Como o luar quando as nuvens abrem

A grande liberdade cristã da minha infância que rezava

Estende de repente sobre a terra inteira o seu manto de prata para mim...

A liberdade, a lucidez, o raciocínio coerente,

A noção jurídica da alma dos outros como humana,

A alegria de ter estas coisas, e poder outra vez

Gozar os campos sem referência a coisa nenhuma

E beber água como se fosse todos os vinhos do mundo!

 

Passos todos passinhos de criança...

Sorriso da velha bondosa...

Apertar da mão do amigo...

Que vida que tem sido a minha!

Quanto tempo de espera no apeadeiro!

Quanto viver pintado em impresso da vida!

 

Ah, tenho uma sede sã. Dêem-me a liberdade,

Dêem-ma no púcaro velho de ao pé do pote

Da casa do campo da minha velha infância...

Eu bebia e ele chiava,

Eu era fresco e ele era fresco,

E como eu não tinha nada que me ralasse, era livre.

Que é do púcaro e da inocência?

Que é de quem eu deveria ter sido?

E salvo este desejo de liberdade e de bem e de ar, que é de mim?

 

Álvaro de Campos



publicado por omeuinstante às 12:27 | link do post

Terça-feira, 11.01.11

E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.

 

Álvaro de Campos, in Tabacaria



publicado por omeuinstante às 17:32 | link do post

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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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