Segunda-feira, 06.10.14

 

Antes o vôo da ave, que passa e não deixa rasto,

Que a passagem do animal, que fica lembrada no chão.

A ave passa e esquece, e assim deve ser.

O animal, onde já não está e por isso de nada serve,

Mostra que já esteve, o que não serve para nada.

 

A recordação é uma traição à Natureza,

Porque a Natureza de ontem não é Natureza.

O que foi não é nada, e lembrar é não ver.

 

Passa, ave, passa, e ensina-me a passar!

 

 Poemas Completos de Alberto Caeiro, Companhia Aguilar Editora, 1965, p. 224

Biblioteca Luso-Brasileira - Série portuguesa

 



publicado por omeuinstante às 23:09 | link do post

Terça-feira, 13.12.11

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura...

Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe
de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos
nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos



publicado por omeuinstante às 17:16 | link do post

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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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