Sexta-feira, 21.04.17

 

Um filme sobre a dimensão ética do agir e as subtilezas que radicam na construção do Homem enquanto agente moral, isto é, enquanto pessoa. A construção  é delicada: na linguagem e no silêncio. É também um encontro com Camus, Nick Cave e Warren Ellis. 

 

 



publicado por omeuinstante às 21:39 | link do post

Segunda-feira, 09.05.16

(Re)visitação. Uma viagem pela Europa do século XX e um encontro com a História, que se faz insistentemente presente.  Planos, e rupturas, sobre as migrações, a memória, o amor e a morte. Sobre o Tempo. E muita poesia.

Muito bela a música e a fotografia.

 

 



publicado por omeuinstante às 21:12 | link do post

Terça-feira, 01.09.15

O drama dos migrantes ilegais.

 

 

 

 

 

 



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Quarta-feira, 13.08.14

 

Morre, aos 63 anos, o actor Robin Williams (21 de julho de 1951-11 de agosto de 2014).

 

 

 

 

Ó Capitão! meu Capitão! Finda é a temível jornada,
Vencida cada tormenta, a busca foi laureada.
O porto é ali, os sinos ouvi, exulta o povo inteiro,
Com o olhar na quilha estanque do vaso ousado e austero.
Mas ó coração, coração!
O sangue mancha o navio,
No convés, meu Capitão
Vai caído, morto e frio.

Ó Capitão! meu Capitão! Ergue-te ao dobre dos sinos;
Por ti se agita o pendão e os clarins tocam teus hinos.
Por ti buquês, guirlandas… Multidões as praias lotam,
Teu nome é o que elas clamam; para ti os olhos voltam,
Capitão, querido pai,
Dormes no braço macio…
É meu sonho que ao convés
Vais caído, morto e frio.

Ah! meu Capitão não fala, foi do lábio o sopro expulso,
Meu calor meu pai não sente, já não tem vontade ou pulso.
Da nau ancorada e ilesa, a jornada é concluída.
E lá vem ela em triunfo da viagem antes temida.
Povo, exulta! Sino, dobra!
Mas meu passo é tão sombrio…
No convés meu Capitão
Vai caído, morto e frio.

 

Walt Whitman

 

 

 



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Sábado, 30.11.13

 

Acabei de ver "Hannah Arendt". Tendo como pretexto o julgamento de Adolf Eichmann, o filme expõe a radicalidade do acto de pensar e explica-nos, de forma clara, que a "banalidade do mal" resulta de um conjunto de actos rotineiros, acessíveis a qualquer ser, tão rotineiros que se torna impossível "cumprir as exigências da justiça". Quando os seres humanos se recusam a ser pessoas e se recusam a pensar, tornam-se incapazes de realizar juízos morais e as categorias éticas, que balizam a acção e o pensamento, desaparecem. De súbito, estamos perante " As origens do Totalitarismo", que Hannah avalia: "compreender não é perdoar". Deste modo, e quando Hannah afirma que "a manifestação do vento do pensamento não é pensar", mostra-nos a especificidade da problematização filosófica: a radicalidade, a universalidade, a autonomia e a historiciade. Uma lição, portanto.

O filme coloca ainda um vasto conjunto de questões, que atravessam a obra da filósofa, como as noções de aparência, realidade, culpa, perdão, justiça...permitindo-nos fazer uma comparação com o momento vivido pela sociedade portuguesa: o "mal" assola-nos, restará alguém para culpar, entre O Passado e o Futuro?

 



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Segunda-feira, 08.04.13


Título Original - Le Pére de mes Enfants (2009)
Realização - Mia Hansen-Løve

Roteiro de leitura
O Homem, ser aberto à experiência
Experiênciar é sofrer
As condicionantes da acção humana (a questão da vontade)
O que é a Felicidade?


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Domingo, 10.03.13


Lola é um filme belíssimo. Os planos narrativos edificam a história, quase documental, de duas avós unidas por uma tragédia, apesar de estarem em lados distintos. Uma é avó de um rapaz que matou um homem durante um assalto e a outra é avó da vítima. Lutam contra o esquecimento dos seus netos, numa cidade consumida por profundas injustiças sociais.

Um filme sobre a determinação da vontade, ainda que encarcerada em corpos frágeis e trespassados pelas tempestades da natureza e da vida.

Neste filme, são os olhos do espectador que dissolvem os dilemas morais mas cansam-se de tanta verdade...
Em Lola, o realizador filipino Brillante Mendoza liberta, pela força da lentidão, um fragmento de realidade.
 



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Quarta-feira, 31.10.12

Primavera, Verão, Outono, Inverno...Primavera. Neste filme de Kim Ki-duk, as imagens dialogam com a temporalidade (tudo o que se constitui no tempo e está sujeito às consequências da sua passagem)aluguel de imóveis e com o sentido da existência humana. Um percurso de silêncio absoluto, entre o aqui e o eterno. Um olhar sobre a construção da dimensão ética do homem. Um filme onde o instante é compreensivelmente uma inserção paradoxal da eternidade no tempo.hospedagem de site Uma estética inesquecível.

 



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Segunda-feira, 01.10.12

O Núcleo de Filosofia e Cinema passou o filme Água (2005) da realizadora Deepa Mehta. A fita é um olhar impressionante sobre as condições de vida das viúvas hindus.

Na Índia do século passado, a tradição ditava que as mulheres viúvas, ainda que sejam crianças de oito anos, vivessem invisíveis na sociedade, sem referências familiares e sociais. Apesar disso, as mais jovens, e para assegurar a sobrevivência de todas, prostituem-se sob o olhar silencioso mas cúmplice da sociedade. No corpo e na alma destas mulheres o desespero é o pecado vivido na solidão da fé. Depois de Fogo (1996) e de Terra (1998) só a água é redentora e mediadora do exercício de esquecimento absoluto.
Do princípio ao fim, o filme coloca de forma persistente a questão do horizonte de sentido e do absurdo de existir.

Ghandi está presente em cada instante. As suas ideias abrem brechas nos costumes, desafiando a reivindicação de um pensamento autónomo relativamente à religião.
Um filme de planos belos e sensíveis. Imperdível.




 



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Segunda-feira, 23.07.12



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Sábado, 07.07.12

Conta-se, a derradeira homenagem de Nietzsche à ficção de Dostoiévski passa pela experiência que o filósofo viveu em Turim, no ano de 1889. Nietzsche viu um cavalo ser brutalmente espancado pelo dono, e em socorro do animal, abraçou-o num choro convulsivo. Este episódio é lembrado no prólogo do filme O Cavalo de Turim, do húngaro Béla Tarr, onde confirmamos o passado como prólogo da vida; em qualquer vida.
 




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Domingo, 10.06.12

O novo filme de David Cronenberg, Cosmopolis, dá-nos o mundo em vinte e quatro horas. A narrativa passa-se em Manhattan, local de todas as "assimetrias", dentro de uma limusine onde Packer vive num ambiente claustrofóbico.

Através do vidro do carro- alusão ao mundo virtual- assistimos à desconstrução de um homem rico, um homem profundamente desamparado e sitiado na vertigem do capitalismo contemporâneo. Um filme onde as personagens se afirmam pelo rosto e pela palavra (à semelhança da Pólis grega), impelindo-as pelo discurso até à queda final. Entretanto, nesta viagem intempestiva, somos fustigados por temas que reconhecemos presentes na sociedade contemporânea: o individualismo, a violência quotidiana, a agressividade dos grandes espaços desumanizados, o progresso científico e técnico, a sociedade de consumo, a ausência de relações afectivas sólidas, a fantasia, a náusea de existir, a morte...
Apesar do filme provocar críticas "assimétricas", gostei muito e aconselho. 



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Segunda-feira, 28.05.12


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Bergman e Bach. Juntos, um instante.



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Quinta-feira, 01.03.12

Só hoje vi o filme Mãe e Filho, do realizador russo Alexander Sokurov. É um filme imenso, tecido sobre o último dia de vida de uma mãe que recebe o carinho comovente e infinito do seu filho adulto.
As personagens principais? O Amor, os elementos e os sons da natureza, uma borboleta..., a fragilidade da força da existência humana.

Senti, profundamente, o entrelaçamento dos corpos presentes, como que querendo ser um só, no nascer e no morrer, numa espécie de eterno retorno sobre o amor cósmico.
O realizador fecha a narrativa com a morte da mãe e com o sentido profundo do desamparo essencial do filho; e com a consciência de ambos sobre a separação fundante e radical dos ser humano enquanto existente.

Um filme tristemente belo e verdadeiro sobre os caminhos da solidão da alma humana, apesar do amor. Uma experiência que nos ensina que no amor não há pressa, nem propósito. 

Se, como entenderam os gregos, a função real da arte é exprimir sentimentos e transmitir compreensão, então estamos na presença da obra de arte. 
Dorme um pouco, mãe, diz o filho. Eu volto já. 




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Quinta-feira, 02.02.12

Para além de qualquer exame crítico, um critério: o belo tem que estar presente.
 



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Segunda-feira, 16.01.12


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Domingo, 11.12.11

A trama do último filme de Gus Van Sant Os Inquietos ( Restless), desenvolve-se através da visão do mundo de dois adolescentes que o acaso aproxima. O realizador dá-nos três personagens desassossegadas: Enoch- o jovem adolescente que gosta de frequentar funerais; o fantasma- um piloto kamikase da 2ª Guerra Mundial; Annabel- a jovem paciente que sofre de câncro e que estuda apaixonadamente Darwin. Além destas, há a Morte e há a Vida. É um filme que desfocaliza as angústia do quotidiano vivido para não as obnubilar, quando se constata que a certeza de morrer é a pele da incerteza do acontecimento.

Estamos perante um exercício reflexivo sobre as questões-limite com que o homem contemporâneo se depara, mas sente dificuldade em colocar num lugar certo, como a morte e o amor. Uma narrativa preenchida por delicadas brechas ao som dos Beatles e Nico.
Van Sant dá-nos um final belíssimo através do silêncio e com um sorriso. Um Final com abertura para o infinito, na certeza de que cada um de nós é o primeiro a morrer, como aprendemos com Ionesco.

A Fita corre no King. Obrigatório ver.



publicado por omeuinstante às 12:45 | link do post

Domingo, 02.10.11

Woody Allen, de novo. Meia-noite em Paris é um filme cuja leveza magistral nos transporta até às profundezas do ser que habita em cada um de nós, em cada Tempo.

Neste delírio estético encontramo-nos com Hemingway, Scott Fitzgerald, Buñuel, Picasso, Toulouse Lautrec, Dali e tantos outros que fazem crer a Gil- alter-ego de Allen-, que a vivência do passado é sempre superior à do presente. A lição está aqui. O filme mostra que a epopeia de cada um de nós assenta no presente. Sem presente não há passado; ele é a própria época de ouro. E depois há o jazz . E Paris - museu ao ar livre, em movimento- como pano de fundo nesta fascinante viagem. Neste filme, a vida é superior à arte.
 



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Domingo, 04.09.11


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Segunda-feira, 13.06.11

O filme A Árvore da Vida, de Terrence Malick, transporta-nos através dos olhos de Jack, da sociedade e da natureza, até ao fim-início do Tempo, onde se guardam os segredos das Origens e o significado da Vida.
Pela força dum movimento generativo, Malick cria a realidade no seu todo e, nós, que dela fazemos parte, pela participação e presença, vamos emergir deste vórtice.
Um filme com várias camadas, onde a analogia é o laço que prende as diversas pontas de sentido. Do Microcosmos Humano ao Todo Macrocósmico do Universo somos confrontados com a Substância, simultaneamente imanente e transcendente a todas as coisas. Começa, aqui, o necessário renascimento espiritual do homem- sem figuras de estilo, nem expressão meramente simbólica- num apelo à urgência da sua transformação absolutamente essencial, ontológica. É, também, o princípio de um questionamento profundo: Porquê o Universo e não o Nada? Entramos no Símbolo como casa do Ser e da Verdade. Ainda, nesta radicalidade, sobressai a consciência do homem e a sua interdependência com o Todo existente e, fica a convicção de Malick, da possibilidade do homem renascer usando as suas potencialidades naturais; vislumbre da consciência como Unidade Cósmica e como Simpatia Universal.
Para Malick, a Árvore da Vida -O Grande Carvalho- está em cada ser infinitesimamente grande, de matéria e espírito, capaz de, por si,  caminhar até às estrelas em Absoluta Unidade com o Todo.
Um filme poético, inspirador, mas levemente frustrante. 

 

 



 



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Segunda-feira, 13.12.10

O conto é uma mentira, o que ele diz é verdade

 

Yury Norshteyn



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Terça-feira, 07.12.10


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Quarta-feira, 24.11.10

A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e vivia intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.

Charles Chaplin



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Domingo, 21.11.10

O último filme do realizador iraniano Abbas Kiarostami, Copie Conforme, conta a história entre um homem, William Shimmel, historiador de arte, e uma mulher, Juliette Binoche, uma galerista. Tem como pano de fundo a cultura europeia ocidental do Renascimento, que valoriza o Homem em oposição ao Sagrado.

O tema desenrola-se à volta da questão: o que é que copia o quê, a arte ou a vida? As perguntas e as respostas preenchem o discurso, entrelaçando a arte e a vida.

O filme apresenta-se como um jogo sobre a dualidade da natureza humana. A linguagem metafórica, repleta de fragmentos, pela qual se alcançam as emoções mais profundas em cada ser, transforma-se num exame filosófico sobre o amor e sobre as relações que o tempo tece sobre a existência humana.

Uma vez que a religião perde influência, diz Kiarostami, a arte e a filosofia são as linguagens que a podem substituir como forma de dar sentido à vida.

Ficamos sem saber se é a arte que imita a vida ou é a vida que imita a arte. Mas sentimos o sabor, mais uma vez, de um grande filme de Kiarostami.

A não perder.



publicado por omeuinstante às 00:16 | link do post

Sábado, 20.11.10

A mais elevada forma de arte é a arte de viver.

Kiarostami



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Segunda-feira, 15.11.10

Carpe diem, rapazes, tornem as vossas vidas extraordinárias!(...)

Quero revelar-vos um segredo. Aproximem-se. Não lemos e escrevemos poesia só porque é giro; lemos e escrevemos poesia porque fazemos parte da raça humana. E a raça humana está impregnada de paixão.

Medicina, direito, gestão, engenharia são nobres actividades necessárias à vida.

Mas a poesia, a beleza, o romance, o amor são as coisas que nos fazem viver.

 

Extraído do filme, O Clube dos Poetas Mortos

Outro dizer


Apanha os botões de rosa enquanto podes

O tempo voa

E esta flor que hoje sorri

Amanhã estará moribunda

 

Walt Whitman


 




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Domingo, 14.11.10

Dos Homens e dos Deuses é um filme premiado, do realizador Xavier Beauvais, sobre a Argélia dos anos 90.

Conta a história de oito monges cistercienses franceses que vivem em harmonia com a população muçulmana, até que a violência e o terror se instalam progressivamente.

Fala sobre a paciência dos dias - e das interferências permanentes, religiosas e políticas -  necessária para construir a Tolerância que leva ao Amor.

Um Filme sobre a radicalidade das perguntas que emergem das grandes  dúvidas... um questionamento das origens do Ser, do Homem.

Se a Fotografia é sumptuosa, a encenação é grandiosa. O resultado é um filme que tem tanto de Verdade como de Belo. Sublime.

As palmas que ecoaram, na sala, no final, são prenúncio da alegria que cada um guardará deste puro instante.

Depois há um Grande Silêncio; o re-conforto instala-se com as palavras de António Gedeão.


Eu, quando choro,
não choro eu.
Chora aquilo que nos homens
em todo o tempo sofreu.
as lágrimas são minhas
mas o choro não é meu.


A fita corre no King.





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Quinta-feira, 30.09.10


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Sexta-feira, 17.09.10

Hoje, no Público (P2), escrito na pedra:

 

Cinema-verdade?

Prefiro o cinema-mentira.

A mentira é sempre mais interessante do que a verdade.

Frederico Fellini, cineasta italiano (1920-1993)



publicado por omeuinstante às 19:00 | link do post

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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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