Domingo, 21.11.10

O último filme do realizador iraniano Abbas Kiarostami, Copie Conforme, conta a história entre um homem, William Shimmel, historiador de arte, e uma mulher, Juliette Binoche, uma galerista. Tem como pano de fundo a cultura europeia ocidental do Renascimento, que valoriza o Homem em oposição ao Sagrado.

O tema desenrola-se à volta da questão: o que é que copia o quê, a arte ou a vida? As perguntas e as respostas preenchem o discurso, entrelaçando a arte e a vida.

O filme apresenta-se como um jogo sobre a dualidade da natureza humana. A linguagem metafórica, repleta de fragmentos, pela qual se alcançam as emoções mais profundas em cada ser, transforma-se num exame filosófico sobre o amor e sobre as relações que o tempo tece sobre a existência humana.

Uma vez que a religião perde influência, diz Kiarostami, a arte e a filosofia são as linguagens que a podem substituir como forma de dar sentido à vida.

Ficamos sem saber se é a arte que imita a vida ou é a vida que imita a arte. Mas sentimos o sabor, mais uma vez, de um grande filme de Kiarostami.

A não perder.



publicado por omeuinstante às 00:16 | link do post

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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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