Segunda-feira, 22.05.17

 

A criação artística e a obra de arte

 



publicado por omeuinstante às 20:00 | link do post

 

 

Arte com arame, açúcar, chocolate...



publicado por omeuinstante às 19:46 | link do post

Segunda-feira, 08.05.17

Um contributo para a análise das sociedades actuais.

 

Comunicação e democracia.

 

 



publicado por omeuinstante às 21:00 | link do post

Terça-feira, 25.04.17

 

No dia 10 de Junho de 1974, um grupo de quarenta e oito artistas plásticos pintou, em Lisboa, um mural que viria a desaparecer, num incêndio, em 1981. Entre os pintores, muitas caras conhecidas : Júlio Pomar, João Abel Manta, Nikias Skapinakis, Menez, Vespeira, Costa Pinheiro, etc., etc.

 

https://caminhosdamemoria.wordpress.com/2009/06/29/1974-uma-pintura-colectiva/

 

 



publicado por omeuinstante às 12:00 | link do post

Sexta-feira, 21.04.17

 

Um filme sobre a dimensão ética do agir e as subtilezas que radicam na construção do Homem enquanto agente moral, isto é, enquanto pessoa. A construção  é delicada: na linguagem e no silêncio. É também um encontro com Camus, Nick Cave e Warren Ellis. 

 

 



publicado por omeuinstante às 21:39 | link do post

Sábado, 20.02.16

Influenciou gerações. Enquanto criador de linguagens, construiu mundo(s). Viveu a vida preparando-se para a morte. Sempre com muito humor. Um filósofo, portanto. 

"Há duas maneiras de passear num bosque. Uma é experimentar um ou vários caminhos (...); a segunda é caminhar de modo a descobrir como o bosque é e por que são acessíveis certas veredas, e outras não."

Seis passeios nos bosques da ficção

Umberto_Eco_1984.jpg



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Quinta-feira, 17.12.15

A procura de uma Nova Terra — um planeta rochoso noutro sistema solar, a uma distância da sua estrela que permita água líquida na superfície e, assim, de vida — teve esta quinta-feira um novo desenvolvimento. A agência espacial norte-americana NASA anunciou a descoberta de um exoplaneta a 1400 anos-luz de distância de nós, na constelação do Cisne, que anda à volta de uma estrela idêntica ao Sol e a uma distância aproximada à que separa a Terra do Sol.

 

Ler



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Sábado, 14.02.15

 

Sobre as relações entre a arte e a realidade. 

 

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René Magritte, O Império das Luzes, 1954.

 

 



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Quarta-feira, 11.02.15

" Ninguém espera da música ou da arquitectura que reproduzam a realidade sonora nem o mundo das formas que podemos ver na natureza. São linguagens, artes da combinação e da composição de signos e de formas. Pode acontecer que a música reproduza instrumentalmente o som de um fenómeno real, como uma tempestade ou o ruído de uma batalha. Assim, "O amor" ou "vento na planície" são o tema de composições de Claude Debussy. Mas não reproduzem esses fenómenos exactamente: transfiguram-nos, evocam-nos, não os imitam. Uma tempestade numa ópera não é uma tempestade, é música.

Por que razão o que é evidente numa arte como a música deixaria de o ser em pintura? Por que não chamamos ao pintor um "compositor" tal como o fazemos com o músico? Estará o pintor vocacionado para copiar o mais exactamente possível o que é dado ao seu olhar? A sucessão de notas músicais não é uma sucessão de ruídos naturais. Por que razão pensar que o que vemos sobre a tela deve ser o que vemos no mundo?"

 

Hervé Boillot, 50 modèles de dissertations philosophiques. (adaptado)



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Quinta-feira, 09.10.14

 

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Terça-feira, 07.10.14

 

A função da filosofia, escreve E. Morin, é a de alimentar o debate que permite fazer escolhas e dar um sentido à acção. E lutar contra um pensamento único, tecnocrático, que se imporia como evidência. Ora, a função do debate é essencial na Cidade, pois sem a crítica a tecnificação torna-se uma ameaça real à liberdade. 

 

"A especificidade das tecnologias de comunicação do século XX, com a transmissão de som e de imagem, reside na sua capacidade para chegar a todos os públicos, a todos os meios sociais e culturais. À partida, os meios de comunicação social do século XX são tributários da lógica do número. E se algo pode simbolizar a sociedade dos nossos dias, esse algo será o tríptico: sociedade de consumo, democracia de massas e meios de comunicação social de massas - três características que instalam no coração da sociedade contemporânea a questão, tão essencial, mas tão pouco estudada, do número e da massa."


Dominique Wolton, E Depois da Internet?



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xiii

2
Recordar não tem conteúdo vivencial.

(...)
      


Seria possível pensar a seguinte situação:uma pessoa recorda-se, pela primeira vez na 

  sua vida, duma casa e diz "Agora já sei o que é recordar, o que é que recordar me faz".

  -  "Como é que ela sabe que este sentimento é"recordar"? Compara: "agora já sei o que é

  ser-se picado (acabava de receber pela primeira vez um choque eléctrico). 

 - Sabe ela que esta sensação é recordar, por ter sido provocada pelo passado? 

  E como é que ela sabe o que é o passado? O homem aprende o conceito de passado ao recordar.

(...)

 

L. Wittgenstein, Investigações Filosóficas, F. C. Gulbenkian, p. 609



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Domingo, 31.08.14

 

 

Somos todos prisioneiros do labirinto do Tempo. Um sufoco, que urge viver. É este o paradoxo de que se alimentam os homens. É esta a aventura humana.

 

 

A nossa situação é a de Teseu caminhando às escuras num labirinto a que o fio de nenhum amor conduzirá ao lugar vazio de um Minotauro inexistente. O apocalipse não nos vem do exterior. Somos nós quem o transporta.

 

Eduardo Lourenço, O Espelho Imaginário



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Terça-feira, 17.06.14

 

Este número aborda as relações entre cinema e filosofia: "filosofia do cinema" versus "cinema como filosofia". 
Apetece rever (Ler e pensar) alguns dos artigos deste excelente conjunto de textos sobre filosofia da arte. 

 





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Quinta-feira, 20.03.14

 

Somos nós os responsáveis pela guarda de nossos irmãos? Deveríamos ser? Ou essa função apenas atrapalharia os propósitos pelos quais estamos aqui na Terra — para produzir e consumir, segundo os economistas; para sobreviver e nos reproduzir, segundo os biólogos? Que essas duas visões pareçam tão semelhantes não é uma simples coincidência, uma vez que surgiram aproximadamente na mesma época e no mesmo lugar, em meio à Revolução Industrial inglesa. As duas adotam como princípio a ideia de que a competição é saudável.

 

Pouco tempo antes, e ligeiramente mais ao norte, na Escócia, o pensamento era outro. Adam Smith, o pai da economia, compreendia melhor do que ninguém que a luta em defesa de nossos interesses pessoais necessita ser temperada pelo sentimento de solidariedade. Ele defendeu esse ponto de vista em "A teoria dos sentimentos morais", um livro muito menos conhecido do que "A riqueza das nações". Smith iniciou seu primeiro livro com uma frase memorável:

 

Por mais egoísta que se possa admitir que seja o homem, é evidente que existem certos princípios em sua natureza que o levam a interessar-se pela sorte dos outros e fazem com que a felicidade destes lhe seja necessária, embora disso ele nada obtenha que não o prazer de a testemunhar.(...)"




Correntes



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Sexta-feira, 14.03.14

 

De acuerdo con Chomsky, la educación, de cualquier nivel, debe hacer todo lo posible para que los estudiantes adquieran la capacidad de inquirir, crear, innovar y desafiar. “Queremos profesores y estudiantes comprometidos en actividades que resulten satisfactorias, disfrutables, desafiantes, apasionantes. Yo no creo que sea tan difícil”.

“En un seminario universitario razonable, no esperas que los estudiantes tomen apuntes literales y repitan todo lo que tú digas; lo que esperas es que te digan si te equivocas, o que vengan con nuevas ideas, que abran caminos que no habían sido pensados antes. Eso es lo que es la educación en todos los niveles”, concluyó.

 

 

 

 

Aqui



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Quarta-feira, 29.01.14

 

 



 
Palavra e Tentação - José Bragança de Miranda
Realização de Edmundo Cordeiro


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Sábado, 30.11.13

 

Acabei de ver "Hannah Arendt". Tendo como pretexto o julgamento de Adolf Eichmann, o filme expõe a radicalidade do acto de pensar e explica-nos, de forma clara, que a "banalidade do mal" resulta de um conjunto de actos rotineiros, acessíveis a qualquer ser, tão rotineiros que se torna impossível "cumprir as exigências da justiça". Quando os seres humanos se recusam a ser pessoas e se recusam a pensar, tornam-se incapazes de realizar juízos morais e as categorias éticas, que balizam a acção e o pensamento, desaparecem. De súbito, estamos perante " As origens do Totalitarismo", que Hannah avalia: "compreender não é perdoar". Deste modo, e quando Hannah afirma que "a manifestação do vento do pensamento não é pensar", mostra-nos a especificidade da problematização filosófica: a radicalidade, a universalidade, a autonomia e a historiciade. Uma lição, portanto.

O filme coloca ainda um vasto conjunto de questões, que atravessam a obra da filósofa, como as noções de aparência, realidade, culpa, perdão, justiça...permitindo-nos fazer uma comparação com o momento vivido pela sociedade portuguesa: o "mal" assola-nos, restará alguém para culpar, entre O Passado e o Futuro?

 



publicado por omeuinstante às 20:37 | link do post

Sexta-feira, 26.04.13

 


Em O Amigo, Agamben apresenta-nos o heteros autos como alteridade imanente na mesmidade e define a amizade nos limites da con-partilha. Não há na amizade nenhuma relação entre sujeitos: é o próprio ser que é dividido, que não é idêntico a si, e o eu e o amigo são as duas faces - ou antes os dois pólos - desta con-partilha. Tendo como pré-texto um trecho da Ética Nicomaqueia de Aristóteles e depois de termos sido convidados a fazer a leitura em conjunto, Agamben discursa sobre a relação humana da amizade e sobre as bases ontológicas e políticas em que se auto-sustenta.


A amizade é a instância desse con-sentimento da existência do amigo no sentimento da sua própria existência.





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Sexta-feira, 29.03.13

Entrevista com Giorgio Agamben

 

 

 Aqui



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Sexta-feira, 01.03.13

Porque a democracia resta por vir, tal é a sua essência na medida em que ela resta: não apenas ela restará indefinidamente perfectível, logo sempre insuficiente e futura mas, pertencendo ao tempo da promessa, restará sempre, em cada um dos seus tempos futuros, por vir [à venir]: mesmo quando há democracia, esta não existe nunca, não está nunca presente, permanecendo o tema de um conceito não apresentável. Será possível abrir ao "vem" de uma certa democracia que não seja mais um insulto à amizade que tentámos pensar para além do esquema homo-fraternal e falologocêntrico? Quando estaremos nós prontos para uma experiência da liberdade e da igualdade que faça a prova respeitosa desta amizade, e que seja finalmente justa, justa para além do direito, quer dizer, à medida da sua desmesura? Ó meus amigos democratas…

 

Derrida, Políticas da Amizade



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Terça-feira, 12.02.13

O Homem vive simultaneamente como sujeito livre e objecto determinado...

Bem a propósito, aconselho a leitura do seguinte trecho de Karl Marx presente no artigo de Terry Eagleton "O Imaginário Kantiano" na Revista Crítica (Revista do Pensamento Contemporâneo), na edição de Novembro de 1991, pág. 70.

Nos nossos dias, tudo parece prenhe do seu contrário. Sendo nós uma maquinaria dotada do maravilhoso poder de reduzir e fazer frutificar o trabalho humano, contemplamos a fome e a morte por excesso de trabalho. As fontes de riqueza da moda são convertidas, por uma estranha magia, em fontes de penúria. As vitórias da arte parecem ser compradas com a perda do carácter. Na mesma medida em que a humanidade domina a natureza, parece ter sido o homem escravizado por outros homens e pela própria infâmia. Mesmo a luz pura da ciência parece incapaz de brilhar a não ser sobre o fundo escuro da ignorância. Toda a nossa invenção e todo o nosso progresso parecem ter como consequência dotar as forças materiais de vida intelectual e reduzir a vida humana a uma força material. Este antagonismo entre a indústria e a ciência modernas, por um lado, e miséria e dissolução, por outro; este antagonismo entre as forças produtivas e as relações sociais, na nossa época, é um facto pálpavel, esmagador, que não pode ser desmentido.

 

 



publicado por omeuinstante às 21:14 | link do post

Quarta-feira, 23.01.13

 

 

 

 

Não, não é. Um cachimbo desenhado não é um cachimbo. Não é possível enchê-lo de tabaco e fumá-lo, apesar de sabermos reproduzir as sensações.
Mas vemos um cachimbo. 

 

Através dos sentidos construímos uma imagem representativa da realidade, mas não a realidade. A ilusão dos sentidos é a nossa ilusão. 
 



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Sábado, 24.11.12

(...) Neste preciso momento, há biliões de organismos neste planeta a jogar às escondidas. Mas para eles não se trata apenas de um jogo. É uma questão de vida ou de morte. Não se enganarem, não cometerem erros, tem sido de uma importância primordial para todos os seres vivos deste planeta desde há três biliões de anos; por isso, estes organismos desenvolveram milhares de formas diferentes de descobrir como é o mundo em que vivem, distinguindo os amigos dos inimigos, os alimentos dos companheiros e ignorando, em grande medida, o resto. É para eles importante não estarem mal informados acerca destas matérias – mas, regra geral, não se dão conta disto. Eles são os beneficiários de um equipamento delicadamente concebido para captar bem o que interessa, mas quando o seu equipamento funciona mal e capta as coisas mal, não têm, regra geral, recursos para se darem conta disto, quanto mais para o lamentarem. Eles limitam-se a prosseguir, inconscientemente. A diferença entre a aparência e a realidade das coisas é um hiato tão fatal para eles como o pode ser para nós, mas eles não se apercebem, em grande medida, disso. O reconhecimento da diferença entre a aparência e a realidade é uma descoberta humana. Algumas das outras espécies (alguns primatas, alguns cetáceos, talvez até algumas aves) reconhecem, aparentemente, o fenómeno da “crença falsa” – o engano. Mostram alguma sensibilidade aos erros dos outros e talvez até alguma sensibilidade aos seus próprios erros enquanto erros, mas não têm a capacidade de reflexão necessária para refletir nesta possibilidade, razão pela qual não podem usar esta sensibilidade para conceber deliberadamente correções ou aperfeiçoamentos nos seus próprios instrumentos de busca e dissimulação. Esse tipo de superação do hiato entre a aparência e a realidade é um ardil que só nós, os seres humanos, dominámos.

Somos a espécie que descobriu a dúvida. (…) As outras criaturas são muitas vezes visivelmente inquietadas pelas suas próprias incertezas acerca destas mesmas questões, mas, porque não podem, na verdade, colocar-se a si mesmas estas perguntas, não podem articular, para si próprias, os seus dilemas, nem tomar medidas para aperfeiçoar o seu controlo da verdade. Estão encurraladas num mundo de aparências, fazendo com elas o melhor que podem, raramente se preocupando (se é que alguma vez o fazem) com a questão de saber se a aparência corresponde à realidade. (...)

 

Daniel C. Dennett, Fé na Verdade – in Disputatio, n.º 3, novembro de 1997
(retirado do Manual Escolar 2.0)



publicado por omeuinstante às 19:04 | link do post

Terça-feira, 20.11.12

Consequências decorrentes das leituras do dia:


1. C. Falzon

Pelo menos duas funções caracterizam o pensamento crítico. A primeira é tomar o peso às posições, crenças e argumentos para perguntar se as razões que as suportam são adequadas ou relevantes e se os argumentos apresentados são conformes a princípios de raciocínio consistente. A segunda função é a de questionar crenças e posições que se tornaram fechadas ou dogmáticas, para denunciar os limites de tal pensamento, as suas falhas  ou inaptidões para lidar com certos factos, considerações ou argumentos, e abrir o caminho para um modo diferente de pensar. 

 

2. A. Korzybskihospedagem de sites gratis php


Aqui. 



publicado por omeuinstante às 13:57 | link do post

Sábado, 03.11.12

Gosto de ler José Bragança de Miranda. O artigo que me ocupa, e que folheio, abre a polémica citando Maurice Maeterlinck (1980):

Talvez o ser humano venha a ser substituído por uma sombra, um reflexo projectado num écran, por formas simbólicas ou algum ser que terá a aparência da vida mas não terá vida.

José Bragança de Miranda trabalha a ideia, muito divulgada, do fim da história do mundo, também conhecida por pós-modernismo. Diz-nos, a modernidade sempre andou assombrada com o seu fim, daí a a busca incessante do novo. Já tudo terminou, a sociedade, a história, as ideologias e a família. Agora, chega ao fim o corpo. Destaca a radicalidade desta morte anunciada, uma vez que ela traz consigo alterações infindáveis, e escreve: O corpo é das categorias mais persistentes do pensamento ocidental. Depois da "morte de Deus" (Nietzsche), da "fuga dos Deuses" (Hölderlin), (...) era realmente estranho que o corpo permanecesse incólume.
A análise deste último capítulo da história tem como fim encontrar o que falta ao humano. Através duma abordagem aberta, que prioriza o essencial, o autor articula persistentemente os conceitos de corpo, carne - o que emerge com a crise do corpo é a carne - e intersubjectividade. Por último, apresenta a técnica como fio que lança o Homem no mundo virtual, conceito que Bragança de Miranda define, num outro contexto, como sendo o lugar de fragmentação de toda a totalidade, queda heteróclita de tudo, sem princípio nem fim. Um visor, um banquete de sombras reais do mundo.

Marx tem razão : Tudo o que é sólido se dissolve no ar. O corpo também?
 



publicado por omeuinstante às 17:26 | link do post

Quarta-feira, 19.09.12
Perguntas: 
Quem sou eu?
A realidade que eu conheço corresponde à realidade que existe?
Como se relaciona a  nossa mente com a realidade exterior a ela?
O que é a realidade?
O que é o conhecimento? 

Chuang Tzu e a Borboleta
 
Uma noite em que estive meditando,
Horas longas nas coisas deste mundo,
pouco a pouco me veio um sono brando
E um sonho tão jucundo que ninguém já teve, assim:
Sonhei que era uma lépida e elegante borboleta voando,
de pouso em pouso, sobre o néctar dulcíssimo das flores.
Tempos e tempos, uma vida inteira, andei eu
Com outras companheiras, numa doideira,
Na estação quente dos amores.
Tudo me parecia tão real, tal qual estou dizendo,
E até me lembro, que, numa tarde muito fria, quando sol procurava,
Um vento tão gelado de repente me assaltou,
Tão mal, tão mal, fiquei, que logo ali, sobre um jasmim, morri!
Despertei: e acordado, ainda insecto morto me julguei!
que sonhos tem a gente -  extravagantes!
Sonhos?! - que fosse sonho, então acreditei,
Mas após muito cogitar vejo só um caso emaranhado!
Justifico: é que a minha convicção
De existir como insecto foi tão firme antes,
Como agora é a de ser de humana geração!
E, portanto: fui antes um homem que sonhava ser uma borboleta,
ou sou agora uma borboleta que sonha que é um homem?
Erro do intelecto?
Não sei...

Versão Poética (adaptada) de Silva Mendes, Excertos de Filosofia Taoísta, Macau, Escola de Artes e Ofícios, 1930
( in Pensar Azul, Manual de Filosofia, 11º ano)
 




publicado por omeuinstante às 16:37 | link do post

Quarta-feira, 12.09.12

(...) Direis: o magistrado fará, com as forças de que dispõe, o que julgar ser da sua alçada. Dizeis bem, responderei eu. Mas, aqui, investiga-se o modo como bem agir e não o êxito das coisas duvidosas.

Mas, vindo mais ao pormenor, digo: em primeiro lugar, o magistrado não deve tolerar nenhum dogma oposto e contrário à sociedade humana ou aos bons costumes necessários à conservação da sociedade civil. Mas tais exemplos são raros em qualquer igreja. Com efeito, os dogmas que claramente arruínam os fundamentos da sociedade são condenados pelo juízo do género humano; nenhuma seita levaria a loucura ao ponto de julgar que se devem ensinar dogmas em virtude dos quais os próprios bens, a paz e a reputação não estariam em segurança.

Em segundo lugar, um mal certamente mais escondido e mais perigoso para o Estado é constituído por aqueles que se arrogam, para eles e para a sua seita, um privilégio particular e contrário ao direito civil, que cobrem e disfarçam com discursos especiosos. Em lado algum, praticamente, encontrareis pessoas a ensinar crua e abertamente que não é necessária a fidelidade à palavra dada; que o príncipe pode ser afastado do trono por qualquer seita e que o governo de todas as coisas só a eles pertence. (...) Estas pessoas e outras semelhantes, que atribuem aos fiéis, aos religiosos, aos ortodoxos, isto é, a elas próprias, nas coisas civis, algum privilégio e algum poder de que o resto dos mortais não dispõe; ou que reivindicam para si, sob pretexto de religião, certos poderes sobre os homens estranhos à sua comunidade eclesiástica, ou que dela de qualquer maneira se separaram, estas pessoas não podem ter o direito de ser toleradas pelo magistrado; nem também os que não querem ensinar que é preciso tolerar os que entram em dissidência relativamente à sua própria religião. Que outra coisa ensinam estas pessoas e todos os da sua espécie senão que, na melhor ocasião, tentarão usurpar os direitos do Estado, os bens e a liberdade dos cidadãos?

 

Locke, Carta Sobre a Tolerância, trad. João da Silva Gama, Lisboa, Edições 70, 1996, pp. 116-117



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Domingo, 26.08.12

António Cândido Miguéis escreve, hoje, no Público, o artigo Em busca do Graal da felicidade. Através de pequenos quadros interpretativos, que vão desde a visão pessimista - a felicidade é um bem para os tontos e para os ingénuos -, até à ideia de que ser feliz é um dom interior, alcançável pela busca incessante de instantes aprazíveis, sobrevoamos a história da condição humana e a busca da felicidade. Uma promessa que o homem sempre porfiou. No fundo, e sempre, somos nós que, em perspectiva, fazemos o caminho.

António Miguéis fecha o debate usando uma bela citação de José Luís L. Aranguren: 


A felicidade é o dom da paz interior, da conciliação de nós próprios com tudo e com todos. A felicidade como pássaro livre não estará nunca na mão, mas sempre voando. Quiçá, com sorte e quietude de nossa parte, ela pouse, por instantes, sobre a nossa cabeça.


Um breve bater de asas...



publicado por omeuinstante às 14:33 | link do post

Terça-feira, 17.07.12

Ano após ano, o tema da consciência em Sartre obriga-me a reler uma das suas grandes obras o Ser e o Nada. A abordagem sartreana desta instância, que nos leva ao conhecimento, é fascinante. O autor liga o tema, ainda que por contraposição, à arte. Além disso, e por extensão, tenho particular interesse em explorar os temas da solidão e da infelicidade que, sabemos, estão subjacentes ao próprio acto da consciência. Na tentativa de superar o negativismo e o solipsismo provenientes das relações do homem com o mundo e consigo próprio, Sartre analisa as relações do Eu com o Outro, bem como as relações do Eu com o Mundo, concluindo que o Eu não está só. Deste ponto de vista, Sartre esclarece que antes da relação cognitiva entre o Eu e o Outro, há a relação que ambos estabelecem mutuamente através do olhar, lugar primeiro das relações intersubjectivas. Como salienta Sergio Moravia, a descoberta mais dramática tem lugar quando o Outro levanta os olhos e me observa, um leve piscar de olhos, reduzindo a neutralidade entre o Eu e o Outro. Assim, neste gesto, se define o Eu enquanto ser-para-outro: eu sou aquele eu que um Outro conhece. Pelo olhar, formam-se os espelhos; pelo olhar, presentificamos o Mundo.



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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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