Domingo, 21.11.10

O último filme do realizador iraniano Abbas Kiarostami, Copie Conforme, conta a história entre um homem, William Shimmel, historiador de arte, e uma mulher, Juliette Binoche, uma galerista. Tem como pano de fundo a cultura europeia ocidental do Renascimento, que valoriza o Homem em oposição ao Sagrado.

O tema desenrola-se à volta da questão: o que é que copia o quê, a arte ou a vida? As perguntas e as respostas preenchem o discurso, entrelaçando a arte e a vida.

O filme apresenta-se como um jogo sobre a dualidade da natureza humana. A linguagem metafórica, repleta de fragmentos, pela qual se alcançam as emoções mais profundas em cada ser, transforma-se num exame filosófico sobre o amor e sobre as relações que o tempo tece sobre a existência humana.

Uma vez que a religião perde influência, diz Kiarostami, a arte e a filosofia são as linguagens que a podem substituir como forma de dar sentido à vida.

Ficamos sem saber se é a arte que imita a vida ou é a vida que imita a arte. Mas sentimos o sabor, mais uma vez, de um grande filme de Kiarostami.

A não perder.



publicado por omeuinstante às 00:16 | link do post

Sábado, 20.11.10

A mais elevada forma de arte é a arte de viver.

Kiarostami



publicado por omeuinstante às 10:00 | link do post

Segunda-feira, 28.06.10

 

Tendo como pretexto A História de Khosrow e Shirin, poema clássico da literatura persa do século XII, o realizador iraniano Abbas Kiarostami envolve-nos nos amores de uma princesa arménia pelo rei da Pérsia e no triângulo amoroso que resulta da paixão de Shirin por Farhad.

A construção hermenêutica  da narrativa passa pelo olhar de 114 mulheres de várias gerações, e através duma banda sonora que partilha dos sentidos do discurso.

Uma vez que tudo está velado ao espectador, é pelas emoções que passam no rosto destas mulheres - choro, riso, contentamento, cumplicidades, prazer, sofrimento - que se dá o acesso ao entendimento. Em Shirin, o rosto é a porta das percepções.

Neste filme metafísico - o corpo é apenas som - nós somos observadores e observados, como se de um jogo de espelhos se tratasse.

É um filme onde se percebe que a chave da sabedoria anda perdida nos caminhos do Amor. Amor? "lágrimas de sete cores", ensina o poema.

Neste invisível presente, Shirin é cada um de nós.

 

Belíssimo. A não perder.



publicado por omeuinstante às 19:41 | link do post

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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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Shirin, senhora de mil co...

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