Terça-feira, 18.10.11

Quando a moça lhe estendeu a boca

( A idade da inocência tinha voltado,

Já não havia na árvore maças envenenadas),

Ele sentiu, pela primeira vez, que a vida era um dom fácil
De insuputáveis possibilidades.

 

Ai dele!

Tudo fora pura ilusão daquele beijo.

Tudo tornou a ser cativeiro, inquietação, perplexidade:

 

- No mundo só havia de verdadeiramente livre aquele beijo.

 

Manuel Bandeira, Poesias, Portugália, p. 39

 

 



publicado por omeuinstante às 13:00 | link do post

Segunda-feira, 22.08.11

Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

- Eu faço versos como quem morre.

Manuel Bandeira 



publicado por omeuinstante às 10:18 | link do post

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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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