Terça-feira, 05.03.13

 

Estamos rodeados de ruído. Da imagem à palavra, é audível a deformidade em que nos afogamos no excesso de tudo; uma catadupa de impressões, que fere a inteligência de qualquer ser. Um aborrecimento, portanto. Vem a propósito lembrar Kierkegaard: o aborrecimento é a raiz de todo o mal. 

 

 

 

 


 


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Terça-feira, 09.10.12

Quem acredita?

Mitigar: do latim “tornar suave, aliviar”. Logo, tornar menos penoso, reduzir as consequências. 



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Terça-feira, 02.10.12

Existir. É tudo o que me pode acontecer. Contingência absoluta. Sem razão, o Nada. Porque hoje é um dia qualquer. Mas, e não por fraqueza, bom, para visitar  Bouville.



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Segunda-feira, 10.09.12

Apesar da linguagem, a comunicação de Pedro Passos Coelho anuncia mais austeridade. Um discurso que esmaga o direito dos portugueses ao presente e os reduz a abstracções numéricas.

Há muito que sabemos que o problema da fala é de ordem política e ética: falar, é falar verdade para si e para a Pólis. Outras latitudes, onde a linguagem se revela um “acontecer possibilitante”.

 

Entre os gregos tudo dependia do povo, e o povo dependia da fala.
 

Fénelon, Carta à Academia, IV.




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Domingo, 09.09.12

Não há direitos humanos sem a compreensão dos direitos dos outros, e é por estes que devemos lutar:

Porque todos os homens são naturalmente iguais; porque a pessoa humana tem uma dignidade essencial; porque os princípios éticos são anteriores às leis; porque a Justiça é, em qualidade, superior ao Direito. Porque é urgente que os Homens sejam tratados de forma igual na política e na vida social. 



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Segunda-feira, 03.09.12

A política é o único caminho para a resolução da crise económica. O método? A Educação.



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Domingo, 22.07.12

Neste verão escaldante por que passa a escola pública, a voz independente do bispo das Forças Armadas é uma lufada de ar fresco. Salienta, numa entrevista, em 2011, a raíz do mal que assola o país: O problema é civilizacional, porque é ético. De novo, faz afirmações incómodas (Este Governo é profundamente corrupto) mas tão verdadeiras que levam Marcelo Rebelo de Sousa a questinar o método e não a substância. Risível, este Marcelo domingueiro.

Longe vão os tempos em que escutavamos, na Universidade do Porto, de modo atento, a voz rouca e intensa do então professor de Filosofia Medieval.
Obrigada, professor Januário Torgal Ferreira. 



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Sexta-feira, 13.07.12

No espaço vazio do tempo presente, preciso de um fio de silêncio e da melodia da chuva ausente. De um passeio a pé pela Foz. E de um verso bom lido em voz baixa.



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Segunda-feira, 18.06.12

Apontamento gnómico de um dia lusco-fusco: o preço da verdade é elevado.



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Quinta-feira, 07.06.12

Para trocar ideias é preciso haver pensamento. É hora de fazer política.



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Quinta-feira, 31.05.12

Pergunta de um aluno hoje na aula: professora, para quê visitar autores tão distantes de nós, do nosso tempo e cultura?
Pelo interesse histórico e pelo prazer de conhecer ( aspecto não muito valorizado...) ideias de outros tempos mas que influenciam o nosso presente.
Como  bem diz Italo Calvino, autor aqui várias vezes citado, porque um clássico é um livro que nunca acabou de dizer o que tem a dizer.




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Quinta-feira, 24.05.12

Para Nietzsche a linguagem é uma estrutura de dissimulação. No entanto, se soubermos cultivar a arte da paciência, a verdade- redonda, sempre redonda-chega-nos através da manifestação do ser das coisas. Refiro-me à verdade pessoal, a única que se pode assumir como absoluta.

 



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Terça-feira, 22.05.12

A prática de verbalizar um problema como forma de o resolver é antiga. Há séculos que se reconhece à palavra o poder de desocultar verdades essenciais e, portanto, a sua utilidade é uma espécie de clínica verbal. Também desde sempre se distinguiu, pela separação, o bom e o mau uso da palavra. Mas, paradoxalmente, bem cedo se descobrem as virtudes do silêncio. Nasce o si-mesmo secreto.

Com a entrada de Freud em cena, os segredos são transformados em conceitos e estudados através da verbalização metódica: comunique tudo o que se passa na sua auto-observação, com a suspensão de todas as críticas lógicas e afectivas. Com Freud, com a cultura ocidental, o inconsciente passou a ser verbalizado em ruptura com o lugar do silêncio e do não-dizível. 

Estas considerações aceleradas surgem ao final do dia, momentos depois de revisitar o filme Um Método Perigoso.



publicado por omeuinstante às 20:54 | link do post

Domingo, 06.05.12

Vitória de François Hollande em França.

A linguagem não serve apenas para expressar a realidade. Transforma-a. 



publicado por omeuinstante às 19:04 | link do post

Quarta-feira, 02.05.12

1º de Maio de 2012. Portugal. Mais um ensaio sobre o individualismo contemporâneo. Mais um rasgão neste país estilhaçado. Lutar por comida e não por direitos. Gestos que nos inscrevem no centro da Era do Vazio. 



publicado por omeuinstante às 16:31 | link do post

Domingo, 29.04.12

Como é hábito, passarei pela Feira do Livro de Lisboa. Acrescento dois autores à lista que me acompanhará no intenso périplo que todos os anos actualiza este ritual:
O Teu Rosto Será o Último, de João Ricardo Pedro; Nobreza de Espírito- Um Ideal Esquecido e Eterno Retorno do Fascismo, de Rob Riemen.
Rotinas primaveris que renovam, em cada ano, o desejo de permanecer no sentido das palavras.
 



publicado por omeuinstante às 16:30 | link do post

Sábado, 28.04.12

Quanto tempo Portugal vai estar assim? Uma pergunta humanista que resulta da colocação de dilemas morais do presente. Dilemas do homem comum, não da classe dirigente. Hoje, no Público.

 

A pergunta só é crucial para alguns, não é para todos e é por isso que (...) só é uma pergunta para quem não vive bem, ou vive cada vez pior.

(...)
O resultado é um abismo psicológico cada vez maior que vai tornar Portugal numa sociedade ainda mais dual do que já era, duas partes que sentem diferente, agem diferente e vivem diferente.
Numa sociedade já muito descalçada e fragmentada, este abismo entre pessoas e grupos sociais vai coalescer os fragmentos, um para cada lado, mas não os vai aproximar.
(...)
É por isso que anda um Portugal lá fora desiludido, revoltado, deprimido, sem esperança, nem sentido, que, ou cai na mais completa anomia e submissão, ou esbraceja sem sentido contra tudo e contra todos. É a grande tragédia da política democrática é que essas pessoas estão sós, não contam com ninguém a não ser com os restos que ainda subsistem de genuina solidariedade social, e do que sobra da família, estilhaçada pela engenharia " fracturante" das últimas décadas. A elite dirigente, política e económica, sabe pouco desse sentimento de solidão, e, pior ainda, sabe cada vez menos, porque os modos de vida se separam todos os dias, entre o conforto do poder e a devastação da pobreza. O rasgão que isto está a fazer num Portugal já muito puído será muito difícil de remendar.

 

José Pacheco Pereira. Historiador.



publicado por omeuinstante às 14:49 | link do post

Segunda-feira, 23.04.12

A imensidão do universo suscita, insistentemente, perguntas pelo sentido da existência. Logo a nós, que somos uma extravagância do universo. Impressões recebidas duma Segunda-feira de mansas nuances.
Bem diz João Carlos Silva na obra Também Aqui Moram Os Deuses: é no Homem que o Universo morde a cauda.



publicado por omeuinstante às 17:38 | link do post

Domingo, 22.04.12

No tempo parado, há um embate de vozes reais no espelho imaginário em que nos vemos; vozes do esquecimento e da memória.
Em cada domingo, arrastamos o corpo até à alma.



publicado por omeuinstante às 16:40 | link do post

Quarta-feira, 18.04.12

Nas cidades, nas ruas, dentro de nós. Nas tormentas do tempo.

Nas nossas ruas, ao anoitecer,

Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.


O céu parece baixo e de neblina,
O gás extravasado enjoa-me, perturba-me;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina.

Batem os carros de aluguer, ao fundo,
Levando à via-férrea os que se vão. Felizes!
Ocorrem-me em revista, exposições, países:
Madrid, Paris, Berlim, Sampetersburgo, o mundo!
(...)
Cesário Verde, O Sentimento de um Ocidental.



publicado por omeuinstante às 19:12 | link do post

Segunda-feira, 16.04.12

Só um horizonte constelado de mitos completa a unidade de toda uma época de cultura, refere Nietzsche em A Origem da Tragédia.

A nossa imediaticidade quotidiana alastra-se num horizonte corrosivo e ameaçador. O humor exemplifica.

 

Bartoon, Luís Afonso
Público, 16 de Abril de 2012



publicado por omeuinstante às 14:24 | link do post

Domingo, 15.04.12

O Estado anda preocupado com os vícios privados (benefícios públicos?) dos cidadãos. Fora isso, as farpas queirosianas laçadas em 1871 continuam certeiras, o país vive numa sonolência enfastiada.
 



publicado por omeuinstante às 15:00 | link do post

Quinta-feira, 12.04.12

A política ocupa-se do que há de mais precioso, a vida. Conquistámos, através do seu exercício e ao longo dos séculos, um bem supremo- a dignidade humana.
O nosso tempo actualiza uma ideia sugerida por Kant: uma sociedade liberal pode ser constituída por demónios desde que sejam racionais. Sentem-se e sentam-se em todas as cadeiras e o vislumbre é duma feiúra desmesurada. Hoje, mais do que nunca, alhearmo-nos da dimensão política é desistir do Homem. 



publicado por omeuinstante às 11:41 | link do post

Domingo, 12.02.12

Ser governado é ser vigiado, inspeccionado, espiado, dirigido, legislado, regulamentado, classificado, doutrinado, admoestado, fiscalizado, avaliado, censurado, comandado por seres que não possuem para isso nem título, nem ciência, nem virtude.

Proudhon



publicado por omeuinstante às 20:23 | link do post

 A sociedade humana necessita de paz, mas necessita igualmente de conflitos sérios e de ideais: de valores, de ideias pelos quais possamos lutar. Na sociedade ocidental aprendemos- e aprendemos com os gregos- que é possível fazê-lo não tanto com a espada, mas muito melhor e mais persistentemente com palavras. E, sobretudo, com argumentos razoáveis.

Uma sociedade perfeita é, por conseguinte, impossível. Existem, porém, ordens sociais melhores e piores. A nossa civilização ocidental decidiu-se a favor da democracia, como uma forma de sociedade que pode ser alterada pela palavra e, aqui e ali- se bem que raramente- por argumentos racionais, por uma crítica racional, isto é, realista- através de reflexões críticas não-pessoais, características também da ciência, designadamente da ciência da natureza, desde os gregos. Sou, pois, um defensor da civilização ocidental, da ciência e da democracia. Elas dão-nos a oportunidade de prevenir o infortúnio evitável e de experimentar, de apreciar criticamente e, se necessário, aperfeiçoar as reformas (...). E confesso-me igualmente partidário da ciência, hoje tantas vezes caluniada, que busca a verdade através da auto-crítica e que, a cada nova descoberta, descobre de novo quão pouco nós sabemos- quão infinitamente grande é a nossa ignorância e falibilidade. Foram intelectualmente humildes. (...).


Karl Popper, Em Busca de Um Mundo Melhor



publicado por omeuinstante às 19:15 | link do post

Sábado, 11.02.12

Para além da turbulência dos dias, tenho a impressão de escutar o silêncio. Aquele corpo de silêncio que aprisiona a eterna duração do tempo. Como texto. 

 Alentejo



publicado por omeuinstante às 15:07 | link do post

Sexta-feira, 10.02.12

Na frente do espelho: estamos falidos e indignados. A que se deve o estado actual de tamanha superficialidade actuante?
Lembro-me de ter lido que Bergson (1859-1951), a propósito da delimitação do conceito de consciência- força viva e energia contínua-, assegurou que habita em cada um de nós um eu profundo e vivo e um eu superficial e morto. Duas realidades, uma só pessoa. Muitos portugueses. 



publicado por omeuinstante às 09:00 | link do post

Quarta-feira, 08.02.12

A Paz não corrompe menos do que a guerra devasta. Quem o diz é o tenso poeta inglês John Milton (1608-1672), autor da grandiosa epopeia O Paraíso Perdido.



publicado por omeuinstante às 17:00 | link do post

Urge, com toda a evidência, revitalizar a intervenção actuante dos homens e das mulheres na esfera pública, espaço de liberdade política e de igualdade. Para não sufocar, a democracia depende de práticas argumentativas e de discursos racionais sobre questões de interesse comum com vista à formação de uma opinião pública esclarecida e crítica. Oferecermos o debate da coisa pública às elites políticas e económicas, tem um preço. Sem ilusões, o estado totalitário está disposto a pagá-lo.



publicado por omeuinstante às 13:36 | link do post

Quinta-feira, 02.02.12

Em dia de espera da vaga de frio, recordo-me de ter lido que na língua francesa chauffeur significa aquecedor. A confirmação é feita consultando o Dicionário da Origem das Palavras de Orlando Neves. No tempo dos comboios a vapor, chauffeur era o fogueiro que lançava o carvão na fornalha. Perdurou e tornou-se o condutor da composição. A palavra aportuguesou-se e, já dicionarizada, significa chofer, aquele que conduz qualquer veículo motorizado. Diz bem Barthes: somos, ao mesmo tempo, donos e escravos da linguagem.



publicado por omeuinstante às 19:00 | link do post

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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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