Terça-feira, 12.01.16

 

profano, prático, público, presto, profundo, precário,

improvável poema,

contudo

nem eu estava à espera dos bárbaros que viriam devastar

a terra,

porque éramos inocentes,

nós que só queríamos silêncio,

e a voz diria que se fosse preciso traziam Deus,

e é assim possível que trouxessem qualquer espectáculo com

cristos nus e saltimbancos de feira,

 

Herberto Helder, Servidões

 

 



publicado por omeuinstante às 16:25 | link do post

Segunda-feira, 10.06.13


Servidões. E visões e vozes. Mas sem alma, nada há a salvar. E a música, a música, quando, como, em que termos...

 e a música, a música, quando, como, em que termos

                                                                   extremos

a ouvirei eu,

e ela me salvará da perda da terra, águas que a percorrem,

tão primeiras para o corpo mergulhado,

magníficas,

desmoronadas,

marítimas,

e que eu desapareça na luz delas -

só música ao mesmo tempo nos instrumentos todos,

curto poema completo,

com o autor cá fora salvo no derradeiro instante

numa poalha luminosa?


Servidões, Herberto Helder, Assírio & Alvim, p. 55.



publicado por omeuinstante às 19:23 | link do post

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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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