Domingo, 09.03.14

 

Que é que muda em nós quando mudamos? Uma forma diferente de sermos o mesmo. As vagas do mar. Um céu que se descobre. A pele que se enruga. O ângulo do olhar.

 

Vergílio Ferreira, Pensar, Bertrand, p. 90



publicado por omeuinstante às 22:48 | link do post

Domingo, 17.02.13

Em poucas palavras, Vergílio Ferreira estica a corda até à fronteira do pensamento: por que razão filosofamos?

Porque nos assola o sentido da existência; porque a nossa inadaptação, essencial, desperta a tarefa de pensar. A morte, lugar de toda a filosofia.

Não, a morte não é um "acidente de percurso". Percurso para onde? Não há mais percurso nenhum. Ela é apenas, com o nascer, o enquadramento de uma vida, que é o intervalo solar de duas noites que a limitam. Mas se só houvesse luz, a luz não existia. Pensa a noite para conhecer a exaltação do dia. Que há de mais importante para a vida do que saber que há a morte? Filosofar é prepararmo-nos para ela. Disse-o Sócrates. Disse-o Cícero. Di-lo tu também, que também és gente.

 

Vergílio Ferreira, Pensar 

 



publicado por omeuinstante às 16:39 | link do post

Quarta-feira, 10.10.12

O vocabulário do amor é restrito e repetitivo, porque a sua melhor expressão é o silêncio. Mas é deste silêncio que nasce todo o vocabulário do mundo.


Vergílio Ferreira



publicado por omeuinstante às 13:15 | link do post

Sexta-feira, 28.09.12
É mais difícil ser livre do que puxar a uma carroça. Isto é tão evidente que receio ofender-vos. Porque puxar uma carroça é ser puxado por ela pela razão de haver ordens para puxar, ou haver carroça para ser puxada. Ou ser mesmo um passatempo passar o tempo puxando. Mas ser livre é inventar a razão de tudo sem haver absolutamente razão nenhuma para nada. É ser senhor total de si quando se é senhoreado. É darmo-nos inteiramente sem nos darmos absolutamente nada. É ser-se o mesmo, sendo-se outro. É ser-se sem se ser. Assim, pois, tudo é complicado outra vez. É mesmo possível que sofra aqui e ali de um pouco de engasgamento. Mas só a estupidez se não engasga, ó meritíssimos, na sua forma de ser quadrúpede, como vós o deveis saber. 

Vergílio Ferreira, Nítido Nulo


publicado por omeuinstante às 00:16 | link do post

Domingo, 13.05.12

O vocabulário do amor é restrito e repetitivo, porque a sua melhor expressão é o silêncio. Mas é deste silêncio que nasce todo o vocabulário do mundo.


Vergílio Ferreira

 



publicado por omeuinstante às 22:46 | link do post

Sábado, 12.05.12

Gostaria de escrever um poema e não sei de quê.

Há em mim uma inquietação como se para nascer

um grande gesto, uma ideia, o visível do que se não vê.

Mas não nasce, não se vê, nasce apenas o prazer

desta vaga melancolia que em si mesma consiste

e tem o gosto de ser triste

sem o ser.

 

Vergílio Ferreira

 



publicado por omeuinstante às 09:30 | link do post

Terça-feira, 15.11.11

O inferno são os outros- disse Sartre.

E é sobretudo por isso que se usam óculos escuros.

Vergílio Ferreira, Pensar, Bertrand, p.190 



publicado por omeuinstante às 13:00 | link do post

Quarta-feira, 20.07.11

São várias as tonalidades do pensar de Vergílio Ferreira. Oferece-nos, no seu embate com o mundo, o fundamento incognoscível de nós; e a sua mutabilidade. 

Faz sentir que a palavra é um impossível ou chega sempre tarde, porque não decide do originário em si mesmo mas dos arranjos que a tornam apresentável.

O impensável ou indiscutível subjaz portanto a todo o pensar e, para além dele, ao sentir, e para lá do sentir, ao substracto do que os infinitos possíveis em nós possibilitaram. E é sobre isso que se determina o nosso equilíbrio interno, harmonizado pela nossa liberdade.

 

O que é que muda em nós quando mudamos? De idade, de condição, às vezes mesmo de um local? Podem manter-se os mesmos valores, ideologia, relação com a vida. E, todavia, aí mesmo, alguma coisa pode mudar.É a mudança que se opera no indizível de nós, onde mora a organização disso tudo, ou seja, o equilíbrio disso tudo. Os valores reordenam-se numa outra ordenação, num outro escalonamento, num modo diverso de os perspectivarmos. Os valores podem permanecer, mas não na face que era a sua ou o lugar que era o seu. E com isso em nós a porção de alma que lhe demos. Ou a aceleração do ritmo da nossa excitação. Não se entenderá assim que a mesma obra seja diferente como a arrumação diferente dos móveis de uma sala? Porque uma obra é o que é, mais o modo de a fazermos ser o que nela somos nós. Mas esse modo é o que ela é afinal. Que é que muda em nós quando mudamos? Uma forma diferente de sermos o mesmo. As vagas do mar. Um céu que se descobre. A pele que se enruga. O ângulo do olhar.

 

Vergílio Ferreira, Pensar, Bertrand Editora, pp 88-89



publicado por omeuinstante às 13:18 | link do post

Sábado, 09.10.10

Há um mistério em tudo que nos faz sinais.

Vergílio Ferreira



publicado por omeuinstante às 21:43 | link do post

Domingo, 26.09.10

Nada a fazer. Hoje apetece-me Pensar com Vergílio.

 

O intelectual. Que tipo. Será uma espécie em vias de extinção? Ele é o inútil, o complicado, o chato.

(...)

Sugeria alguém que se suprimisse a filosofia do curso dos liceus. Há lá coisa mais compreensível? O filósofo, imagine-se. O das minhoquices.(...)

Para quê um romance que nos chateia com a maçada de "pensar"? Pensar o quê, se a vida é já tão maçadora?(...) E os poetas, esses loucos mansos que não farão mal a ninguém mas nos atrapalham o trânsito?

(...)

Há todavia um pequeno pormenor maçador e é que a própria humanidade sofre com isso também uma baixa por tabela. É esquisito mas é assim.

Porque se não fossem esses chatos, a história dos humanos era apenas a pocilga com apenas talvez uma variedade de feitio.

Vergílio Ferreira, Pensar, Bertrand, 1992, p 94



publicado por omeuinstante às 18:15 | link do post

Ser inteligente é ser um desgraçado. O imbecil é feliz.

Mas o animal também.

Vergílio Ferreira, Pensar, Bertrand, 1992, p23



publicado por omeuinstante às 16:49 | link do post

Quinta-feira, 29.07.10

Fala baixo. Não te estafes a falar alto.

Deixa que os outros se esfalfem até ficarem calados. Falar alto é compensar o que em ideias é baixo.

E essa é a compensação dos que escutam.

Não te esforces a falar alto. Serás ouvido quando os outros se esfalfarem e já não tiverem voz.

Como o que se ouve num recinto depois que o comício acabou.

Vergílio Ferreira, Pensar, Bertrand Editora, 1992, pp247



publicado por omeuinstante às 20:38 | link do post

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