Domingo, 19 de Setembro de 2010


Vivem em nós inúmeros;
Se penso ou sinto, ignoro
Quem é que pensa ou sente.
Sou somente o lugar
Onde se sente ou pensa.

Tenho mais almas que uma.
Há mais eus do que eu mesmo.
Existo todavia
Indiferente a todos.
Faço-os calar: eu falo.

Os impulsos cruzados
Do que sinto ou não sinto
Disputam em quem sou.
Ignoro-os. Nada ditam
A quem me sei: eu escrevo.
Ricardo Reis



publicado por omeuinstante às 12:00 | link do post

A música é a roupagem do Sonho.



publicado por omeuinstante às 00:48 | link do post

Sábado, 18 de Setembro de 2010

As dificuldades que qualquer discurso sobre o corpo tem de enfrentar.

 

Qualquer discurso sobre o corpo parece ter de enfrentar uma resistência. Ela provém certamente da própria natureza da linguagem: como para a morte ou para o tempo, a linguagem esquiva-se à intenção de definir: cada definição permanece um ponto de vista parcial, determinado por um domínio epistemológico ou cultural particular.(...)

Parece no entanto que a verdadeira dificuldade se encontra noutro lado. Manifesta-se na profusão, não das significações do corpo, mas do emprego metafórico deste termo. Ele está em todo o lado, tudo forma um corpo (...). A esta docilidade da linguagem equivale uma violência real exercida sobre o corpo: quanto mais sobre ele se fala, menos ele existe por si próprio.

José Gil, Metamorfoses do Corpo, A Regra do Jogo, 1980, p. 7



publicado por omeuinstante às 21:19 | link do post

Sexta-feira, 17 de Setembro de 2010

Fui raptada pela literatura muito nova e nunca quis ser resgatada.

Margaret Atwood

 

 

 



publicado por omeuinstante às 20:22 | link do post

Hoje, no Público (P2), escrito na pedra:

 

Cinema-verdade?

Prefiro o cinema-mentira.

A mentira é sempre mais interessante do que a verdade.

Frederico Fellini, cineasta italiano (1920-1993)



publicado por omeuinstante às 19:00 | link do post

Sólon (638 a.C.-558 a.C ), começou como poeta e acabou a fazer leis para a cidade.

Entre muitas leis que redigiu, consta que uma delas oferecia cidadania a estrangeiros.

Exilou-se, viajando. Não quis ser Tirano.

Posto isto, é fácil compreender que o verdadeiro alvo desta evocação é o nosso presente.

 

As leis são como as teias de aranha que apanham os pequenos insectos

e são rasgadas pelos grandes.



publicado por omeuinstante às 18:05 | link do post

Quinta-feira, 16 de Setembro de 2010



publicado por omeuinstante às 22:43 | link do post

Conta os teus dedos,

quantos dedos?

cinco, responde Mylia

vês?, diz Witold, tens a mão toda.

falta a mão, insiste Mylia.

Gonçalo M. Tavares, Jerusalém



publicado por omeuinstante às 13:00 | link do post

Quarta-feira, 15 de Setembro de 2010

Exemplo de uma concessão inteligente:

 

Não hesite se subitamente perceber que para ganhar uma disputa basta cruzar os braços. Já o Napoleão aconselhava – Nunca interrompa um inimigo quando ele está a cometer um erro – e ele foi o tipo que conquistou a Europa toda.

 




publicado por omeuinstante às 23:58 | link do post



publicado por omeuinstante às 21:27 | link do post

A medida é coisa óptima.

 

Cleóbulo ( sete sábios )



publicado por omeuinstante às 19:48 | link do post

Os livros, tal como as balas, têm os seus alvos.

Ernst Junger

Hoje disparei em vários sentidos.

O retorno que se manifeste, pelo menos, em algumas nódoas no espírito.

Certo é que as marcas nem sempre têm visibilidade. Mas têm futuro.





publicado por omeuinstante às 16:00 | link do post

Terça-feira, 14 de Setembro de 2010



publicado por omeuinstante às 23:30 | link do post

O mito de Orfeu exerce forte atracção no imaginário da cultura ocidental.

Encontramos vestígios deste mito na música -  Montiverdi, Offenbach, Liszt, Casella, Stravinsky - e no cinema.

Na pintura, o poeta Apollinaire criou o termo cubismo órfico influenciando pintores como Delaunay, Picabia e Duchamp.

Orfeu, ao que sabemos, foi um poeta de grande habilidade musical e um mestre do encantamento.

Mas é Platão que o eleva, ainda na época clássica, a figura principal.

Tantos trabalhos passou Orfeu para trazer Eurídice do Hades. Mas olhou para trás; para o corpo, para o sensível. Perdeu-se.

Começa aqui a compreensão da obra Fédon de Platão.



publicado por omeuinstante às 22:53 | link do post

Segunda-feira, 13 de Setembro de 2010


publicado por omeuinstante às 20:25 | link do post

Intercalando leituras, deparo-me com uma curiosa afirmação de Virginia Woolf.

É uma escritora redescoberta no final dos anos 60 e é considerada, em conjunto com James Joyce, arauta da narrativa moderna; técnica conhecida pela expressão "fluxo da consciência".

Diz-nos que para compreender a realidade que envolve o Homem, temos de aceder à camada para lá do algodão.



publicado por omeuinstante às 18:36 | link do post

Domingo, 12 de Setembro de 2010

É do trabalho de preparação de aulas - principalmente - que o professor retira satisfação.

Hoje andei às voltas com os pré-socráticos.

 

Parei em Heraclito, frag 123:

 

A natureza gosta de ocultar-se.



publicado por omeuinstante às 21:55 | link do post



publicado por omeuinstante às 19:09 | link do post

Foste bela

Foste minha,

Foi bela a minha rainha.

Nada mais é permitido celebrar.


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publicado por omeuinstante às 11:57 | link do post

Quando te falo, dói-me que respondas

Ao que te digo e não ao meu amor.

F. Pessoa, Primeiro Fausto, terceiro tema, cap XXI



publicado por omeuinstante às 11:44 | link do post

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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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