Domingo, 31 de Outubro de 2010

Um canto - tal como um conto -, pode ser sempre re-contado. O canto camoniano permite leituras marginais face à matéria épica narrada. O Texto de Gonçalo M. Tavares envolve o pensamento no mesmo exercício.

 

A questão é que um país já nem

se preocupa se fabrica ou não poetas.

E até a própria fábrica não tolera restos:

toda a matéria deverá ser aproveitada,

como uma prostituta hábil aproveita todos os recantos

do seu corpo. Os países perderam estilo,

ganharam accionistas.

 

Gonçalo M. Tavares, Uma Viagem à Índia, Prefácio de E. Lourenço, Caminho, 1ª edição, canto IV, p 175



publicado por omeuinstante às 18:23 | link do post

Um público comprometido com a leitura é crítico, rebelde, inquieto, pouco manipulável e não crê em lemas que alguns fazem passar por ideias.

 

Mário Vargas Llosa



publicado por omeuinstante às 11:25 | link do post

Sábado, 30 de Outubro de 2010


publicado por omeuinstante às 19:49 | link do post

Quem não lê, não quer saber; quem não quer saber, quer errar.

Padre António Vieira, (1608-1697)



publicado por omeuinstante às 12:41 | link do post

Um texto democrático. Ninguém pode zurzir pelas esquinas. Todos os poderes foram contemplados.

 

Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; (...)

 

Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta ate à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter,(...)

 

Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador;(...)


A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas;


Dois partidos (…), sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes (…) vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se amalgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, – de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar (…)

 

Guerra Junqueiro, A Pátria, 1896



 





publicado por omeuinstante às 12:02 | link do post

O objectivo do poder é o poder (...) é a autoridade sobre todos os seres humanos. Sobre o corpo, mas acima de tudo, sobre a alma.

G. Orwell

 

Nota-se, já somos só pele e osso. Daí não actualizarmos a ideia que onde há política, há resistência.

 


 



publicado por omeuinstante às 00:57 | link do post



publicado por omeuinstante às 00:09 | link do post

Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010

 

É pelas pequenas percepções que fazemos a passagem do não - verbal ao linguístico, como nos ensina José Gil. O não-verbal deixa sempre um resto de rasto.



publicado por omeuinstante às 23:30 | link do post

Enquanto existirem cafetarias, a ‘ideia de Europa’ terá conteúdo.


A Europa é feita de cafetarias, de cafés. Estes vão da cafetaria preferida de Pessoa, em Lisboa, aos cafés de Odessa frequentados pelos gangsters de Isaac Babel. Vão dos cafés de Copenhaga, onde Kierkegaard passava nos seus passeios concentrados, aos balcões de Palermo.
[…] Desenhe-se o mapa das cafetarias e obter-se-á um dos marcadores essenciais da `ideia de Europa´.

 


George Steiner, Uma Ideia de Europa, Tradução de Maria de Fátima Aubyn, Gradiva, 2007, p 26



publicado por omeuinstante às 14:31 | link do post

Quarta-feira, 27 de Outubro de 2010

(...)

Que dias há que n'alma me tem posto


um não sei quê, que nasce não sei onde,


vem não sei como, e dói não sei porquê.

Camões



publicado por omeuinstante às 19:32 | link do post

Terça-feira, 26 de Outubro de 2010

A propósito do livro de Gonçalo M. Tavares, Uma Viagem à Índia, Eduardo Lourenço, no Prefácio, diz:

 

“Uma Viagem à Índia, com consciência aguda da sua ficcionalidade, navega e vive entre os ecos de mil textos-objecto do nosso imaginário de leitores. Como todos os grandes livros, e este é um deles." E "que todas as viagens são sempre um regresso ao passado de onde nunca saímos".


Gonçalo M. Tavares parte de um grande objecto ficcional e relata-nos a viagem existencial de um homem.

Todas as viagens são um regresso à Índia. À nossa infância.

A ler.



publicado por omeuinstante às 21:04 | link do post

Um homem escravo das suas paixões não pode ser amado nem pelos outros nem pelos deuses. Ele é incapaz de ter interesses comuns com os demais e, sem interesses comuns, não pode haver amizade.

Platão, Górgias



publicado por omeuinstante às 19:21 | link do post

Segunda-feira, 25 de Outubro de 2010

Primeiro. Cada pessoa deve ter um direito igual ao mais extenso sistema de liberdades idêntico para as outras. Segundo. As desigualdades económicas e sociais devem ser distribuídas por forma a que, simultaneamente: a) se possa razoavelmente esperar que elas sejam em benefício de todos; b) que decorram de posições e funções às quais todos têm acesso.

John Rawls, Uma Teoria da Justiça, Presença, lisboa, 1993


A leitura desta passagem remete para a concepção de justiça como equidade. Tendo em conta os tempos que atravessamos, lembrei-me do problema da legitimidade da desobediência civil.



publicado por omeuinstante às 17:52 | link do post

Domingo, 24 de Outubro de 2010

Alexandre Dumas (filho): Il y a une femme dans toute les affaires; aussitôt qu'on me fait un rapport, je dis: Cherchez la femme

 

A expressão Cherchez la Femme data de 1854 e surge na Obra Les Mohicans de Paris. Significa que o ser das coisas e das histórias se esconde na Mulher e nas Paixões que ela tece.



publicado por omeuinstante às 19:40 | link do post

Sábado, 23 de Outubro de 2010

Os vícios entram na composição das virtudes como os venenos na dos remédios.

A prudência mistura-os, tempera-os, e serve-se deles eficazmente contra os males da vida.

Duque de La Rochefoucauld, 1613-1680



publicado por omeuinstante às 18:47 | link do post

Hoje, no Público (P2), Cummings, poeta e dramaturgo norte-americano, 1894-1962:

 

A função do amor é fabricar desconhecimento.



publicado por omeuinstante às 15:22 | link do post

O maior símbolo que o homem criou - ele próprio.



publicado por omeuinstante às 12:34 | link do post

A vida contemplativa apresenta-se como um repouso e uma tranquilidade.

S. Tomás de Aquino



publicado por omeuinstante às 12:20 | link do post

O homem enquanto animal aflito e infinito, recorre à linguagem para se organizar. Através da palavra configura e amplia a experiência. Cria cultura.

 

O mundo real está constantemente a impor-se-nos, mas é a cultura que nos diz o que é a realidade.

Frank Smith (1994) Pensar, Lisboa, Instituto Piaget



publicado por omeuinstante às 01:35 | link do post

Quinta-feira, 21 de Outubro de 2010



publicado por omeuinstante às 23:20 | link do post

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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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