Quinta-feira, 25 de Novembro de 2010

Os versos

 

Os versos assemelham-se a um corpo

quando cai

ao tentar de escuridão a escuridão

a sua sorte

 

Nenhum poder ordena

em papel de prata essa dança inquieta.

 

José Tolentino Mendonça, Baldios, Assírio & Alvim, 1999, p9



publicado por omeuinstante às 08:00 | link do post

Quarta-feira, 24 de Novembro de 2010


publicado por omeuinstante às 23:53 | link do post

A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e vivia intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.

Charles Chaplin



publicado por omeuinstante às 19:51 | link do post

Por que é que esperais?

Que os surdos vos ouçam

e que os nunca-fartos vos dêem alguma coisa!

Que os lobos vos alimentem em vez de vos devorarem!

Que por gentileza os tigres vos convidarão

p`ra lhes arrancardes os dentes!

É por isso que esperais?

 

Bertolt Brecht

( respigado José Carlos Faria)



publicado por omeuinstante às 19:44 | link do post

Neste tipo de sociedade paradoxal, de um individualismo feroz, mas em que as pressões "normalizantes" do colectivo nunca foram tão fortes, qual é o estatuto da solidão? Um fardo? A angústia? Ou um valor que resiste à estandardização?

 

Júlio Machado Vaz, O sexo dos Anjos



publicado por omeuinstante às 10:00 | link do post

O Direito à greve pertence a todos os que de outra forma não são ouvidos. É a sua linguagem, disse Martin Luther King.




publicado por omeuinstante às 00:00 | link do post

Terça-feira, 23 de Novembro de 2010


publicado por omeuinstante às 22:09 | link do post

O Prémio do Melhor Livro Estrangeiro publicado em França foi criado em 1948, por Robert Carlier e André Bay.

Obras como O Homem sem Qualidades de Robert Musil ou Cem anos de Solidão de Gabriel Garcia Marques, já foram distinguidas com este prémio.

Em 2010, o Prémio foi atribuído a Gonçalo M. Tavares pelo livro Aprender a rezar na Era da Técnica.

Começa assim:


O pai agarrou nele e levou-o ao quarto de uma empregada, a mais nova e a mais bonita da casa.

- Agora vais fazê-la, aqui, à minha frente.

A criadita estava assustada, claro, mas o estranho é que parecia que ela estava assustada com ele, e não com o pai: era o facto de Lenz ser um adolescente que assustava a criadita e não a violência com que o pai a disponibilizava ao filho, sem qualquer pudor, sem sequer ter o cuidado de sair. O pai queria ver.

- Vais fazê-la à minha frente - repetia.

Estas palavras do pai marcaram Lenz durante anos.

Vais fazê-la.



publicado por omeuinstante às 20:35 | link do post

O homem é o único animal que pode sentir-se aborrecido, que pode sentir-se expulso do Paraíso.

Erich Fromm



publicado por omeuinstante às 20:14 | link do post


No barco sem ninguém, anónimo e vazio,
ficámos nós os dois, parados, de mão dada...
Como podem só dois governar um navio?
Melhor é desistir e não fazermos nada! 

Sem um gesto sequer, de súbito esculpidos, 
tornamo-nos reais, e de madeira, à proa... 
Que figuras de lenda! Olhos vagos, perdidos... 
Por entre nossas mãos, o verde mar se escoa... 

Aparentes senhores de um barco abandonado, 
nós olhamos, sem ver, a longínqua miragem... 
Aonde iremos ter? — Com frutos e pecado, 
se justifica, enflora, a secreta viagem! 

Agora sei que és tu quem me fora indicada. 
O resto passa, passa... alheio aos meus sentidos. 
— Desfeitos num rochedo ou salvos na enseada, 
a eternidade é nossa, em madeira esculpidos! 

David Mourão-Ferreira, A Secreta Viagem



publicado por omeuinstante às 12:00 | link do post

Pergunta de Anaxímenes a Pitágoras, aproximadamente 600 anos a.C, relatada por Montaigne:

 

Como poderei eu entreter-me com os segredos das estrelas, tendo sempre a morte e a servidão na frente dos meus olhos?

 

Por isso mesmo.



publicado por omeuinstante às 10:06 | link do post

Segunda-feira, 22 de Novembro de 2010


publicado por omeuinstante às 22:44 | link do post

A mais alta das torres começa no solo.

 

Provérbio Chinês



publicado por omeuinstante às 21:54 | link do post

Bebido o luar, ébrios de horizontes,

Julgamos que viver era abraçar

O rumor dos pinhais, o azul dos montes

E todos os jardins verdes do mar.


Mas solitários somos e passamos,

Não são nossos os frutos nem as flores,

O céu e o mar apagam-se exteriores

E tornam-se os fantasmas que sonhamos.

 

Por que jardins que nós não colheremos,

Límpidos nas auroras a nascer,

Por que o céu e o mar se não seremos

Nunca os deuses capazes de os viver.

Sophia de Mello Breyner Andresen




publicado por omeuinstante às 10:48 | link do post

Viagem de Dante para o Inferno; as primeiras palavras de A Divina Comédia.


No meio do caminho em nossa vida,

eu me encontrei por uma selva escura

porque a direita via era perdida.

Ah, só dizer o que era é cousa dura

esta selva selvagem, aspra e forte,

que de temor renova à mente agrura!

 

A Divina Comédia, Dante Alighieri, Tradução Vasco Graça Moura, Ed Bertrand, 1996, pp.31


 

Apontamento: meio do caminho - meia idade; selva escura - erros, desvios.

Toda a transcrição é também uma forma de autoconhecimento.



publicado por omeuinstante às 10:23 | link do post

Domingo, 21 de Novembro de 2010


publicado por omeuinstante às 22:55 | link do post

Deus?

 

A grande ogiva ao fim de tudo.

Fernando Pessoa



publicado por omeuinstante às 21:38 | link do post

Ninguém me encomendou o sermão, mas precisava de desabafar publicamente. Não posso mais com tanta lição de economia, tanta megalomania, tão curta visão do que fomos, podemos e devemos ser ainda, e tanta subserviência às mãos de uma Europa sem valores (...).


 

Miguel Torga, Diário XVI, 1993, pp 113-114 ( respigado de Manuel Carlos Patrício )

 




publicado por omeuinstante às 15:56 | link do post

O último filme do realizador iraniano Abbas Kiarostami, Copie Conforme, conta a história entre um homem, William Shimmel, historiador de arte, e uma mulher, Juliette Binoche, uma galerista. Tem como pano de fundo a cultura europeia ocidental do Renascimento, que valoriza o Homem em oposição ao Sagrado.

O tema desenrola-se à volta da questão: o que é que copia o quê, a arte ou a vida? As perguntas e as respostas preenchem o discurso, entrelaçando a arte e a vida.

O filme apresenta-se como um jogo sobre a dualidade da natureza humana. A linguagem metafórica, repleta de fragmentos, pela qual se alcançam as emoções mais profundas em cada ser, transforma-se num exame filosófico sobre o amor e sobre as relações que o tempo tece sobre a existência humana.

Uma vez que a religião perde influência, diz Kiarostami, a arte e a filosofia são as linguagens que a podem substituir como forma de dar sentido à vida.

Ficamos sem saber se é a arte que imita a vida ou é a vida que imita a arte. Mas sentimos o sabor, mais uma vez, de um grande filme de Kiarostami.

A não perder.



publicado por omeuinstante às 00:16 | link do post

Sábado, 20 de Novembro de 2010

O corpo quer respirar a lentidão do âmbito

a frescura do espaço a verdura das ás árvores.

Ele espera a serenidade gloriosa do ocidente

onde eterniza a púrpura e o azul:

Um vespertino visitante poderá levá-lo

numa gôndola branca até aos confins do poente?

Na página respira um nome de água melancólico.


António Ramos Rosa



publicado por omeuinstante às 11:58 | link do post

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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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