Sexta-feira, 5 de Novembro de 2010



publicado por omeuinstante às 21:30 | link do post

Se o quotidiano lhe parece pobre, não o acuse: acuse-se a si próprio de não ser bastante poeta para conseguir apropriar-se das suas riquezas.

(...)

Mergulhe em si próprio e sonde as profundidades onde a sua vida brota. Só lá encontrará a resposta à pergunta (...).

 

Rainer Maria Rilke, Cartas a um Jovem Poeta, Contexto, 1994, pp 18-19



publicado por omeuinstante às 11:00 | link do post

Quinta-feira, 4 de Novembro de 2010



publicado por omeuinstante às 21:30 | link do post

O conceito de minimalismo, minimal art- conteúdos artísticos mínimos- está associado à corrente que privilegia os espaços amplos, livres, e as cores neutras e delicadas.

A arte minimalista- arte do silêncio- resulta das relações que se estabelecem entre o espaço e o tempo, a luz e o campo visual do observador.

Esta corrente estética surge nos anos 60 como reacção à Pop Art. O escultor americano Richard Serra inscreve-se neste conceito de arte.

Conhecia a sua obra numa visita ao Museu Guggenheim, em Bilbao.

 

 



publicado por omeuinstante às 20:00 | link do post

Há Palavras que nos Beijam

 

Há palavras que nos beijam

Como se tivessem boca.

Palavras de amor, de esperança,

De imenso amor, de esperançar louca.

 

Palavras nuas que beijas

Quando a noite perde o rosto;

Palavras que se recusam

Aos muros do teu desgosto.

 

De repente coloridas

Entre palavras sem cor,

Esperadas inesperadas

Como a poesia ou o amor.

 

(O nome de quem se ama

Letra a letra revelado

No mármore distraído

No papel abandonado)

 

Palavras que nos transportam

Aonde a noite é mais forte,

Ao silêncio dos amantes

Abraçados contra a morte.

Alexandre O`Neill, in No Reino da Dinamarca

(respigado de Fragmento de Mim)

 




publicado por omeuinstante às 13:47 | link do post

Quarta-feira, 3 de Novembro de 2010

A coisa mais bela que podemos experimentar é o mistério. Essa é a fonte de toda a arte e ciências verdadeiras.

 

Albert Einstein



publicado por omeuinstante às 23:52 | link do post



publicado por omeuinstante às 21:00 | link do post

Há uma explicação cultural para as diferenças de género que insistentemente observamos nas sociedades actuais.

Esbarramos com a questão no quotidiano através do exercício da linguagem que, como se sabe, constitui a materialidade do pensamento.

Não precisamos de lupa. Basta retirar o véu de ignorância e ler as pequenas percepções. Descobrimos um mundo de sinais de sexismo e micromachismo, conscientes e inconscientes.

A linguagem compreende muitas coisas, além da palavra falada ou escrita; corresponde à manifestação de um mundo de sentidos.

Também aqui é preciso que algo mude. Usemos como método, as palavras cantadas de Zeca Afonso: teima, teima, sem medo.

O resto é silêncio, diz o príncipe da Dinamarca.

 

Cabe a cada um assumir por sua conta e risco a sua linguagem, pela procura da palavra adequada. À ontologia objectiva ou sociológica da fala deve substituir-se uma ontologia pessoal. O discurso não é mais do que um testemunho do ser, pelo que cabe a cada um fazer com que esse testemunho seja autêntico.

(...) O sentido último da palavra é de ordem moral.

Georges Gusdorf, A Palavra, Ed 70, p 43



publicado por omeuinstante às 18:00 | link do post



publicado por omeuinstante às 01:49 | link do post

Terça-feira, 2 de Novembro de 2010

Sôbolos Rios que Vão é o título do novo livro de António Lobo Antunes. É uma apropriação do primeiro verso do célebre poema de Camões, que por sua vez é uma glosa do Salmo 137.

O discurso literário constrói-se com sentidos cruzados, mascarados e onde nada nos é dado. A narrativa encena a verdade.

E há razões para pensar que o sentido da escolha deste título não se manifestará.

O leitor antuniano não estranha; conhece a afirmação de Lobo Antunes: Quanto mais silêncio houver num livro, melhor ele é.

 

Sôbolos rios que vão
por Babilónia, me achei,
Onde sentado chorei
as lembranças de Sião
e quanto nela passei.
Ali, o rio corrente
de meus olhos foi manado,
e, tudo bem comparado,
Babilónia ao mal presente,
Sião ao tempo passado.

Ali, lembranças contentes
n'alma se representaram,
e minhas cousas ausentes
se fizeram tão presentes
como se nunca passaram.
Ali, depois de acordado,
co rosto banhado em água,
deste sonho imaginado,
vi que todo o bem passado
não é gosto, mas é mágoa.


E vi que todos os danos
se causavam das mudanças
e as mudanças dos anos;
onde vi quantos enganos
faz o tempo às esperanças.
Ali vi o maior bem
quão pouco espaço que dura,
o mal quão depressa vem,
e quão triste estado tem
quem se fia da ventura.

Vi aquilo que mais val,
que então se entende milhor
quanto mais perdido for;
vi o bem suceder o mal,
e o mal, muito pior,
E vi com muito trabalho
comprar arrependimento;
vi nenhum contentamento,
e vejo-me a mim, que espalho
tristes palavras ao vento.

Luís Vaz de Camões - Redondilhas de Sião e de Babel



publicado por omeuinstante às 19:25 | link do post

Segunda-feira, 1 de Novembro de 2010


publicado por omeuinstante às 21:40 | link do post

Nós nunca nos realizamos.

Somos dois abismos - um poço fitando o céu.

 

Fernando Pessoa



publicado por omeuinstante às 18:13 | link do post

443245.jpeg
Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
links
posts recentes

Noctua/Erik Satie

Maria Velho da Costa (193...

Procida

A Sociedade do Cansaço

Ficções do interlúdio

As Noites Afluentes

A Árvore Dos Tamancos

Futuros Distópicos

Fragmento do Homem

No espaço vazio do tempo ...

Junho 2020
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
10
11
12
13

14
15
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26

28
29
30


tags

arte

cinema

david mourão-ferreira

educação

estética

eugénio de andrade

fernando pessoa

filosofia

fragmentos

leituras

literatura

livros

miguel torga

música

noctua

pintura

poesia

política

quotidiano

sophia de mello breyner andresen

todas as tags

arquivos

Junho 2020

Maio 2020

Junho 2019

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Janeiro 2018

Outubro 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

blogs SAPO