Sábado, 30 de Abril de 2011

Um dia, quando começa, parece igual aos outros.

A mesma luz que entra pela janela,

ruídos de obras e automóveis, vozes...

Mas o que nesse dia me falta é outra coisa:

a tua voz, a surpresa de cada instante que me dás,

uma luz diferente que não vem de fora,

da mesma rua e do mesmo céu, mas de dentro de ti.

Assim, o que faz a mudança do mundo e das coisas

não é o mundo nem as coisas:

somos nós, e a relação que nos prende um ao outro

- isso que, não sendo nada para fora de nós,

é tudo o que temos nesta vida.

 

Nuno Júdice



publicado por omeuinstante às 10:36 | link do post

Sexta-feira, 29 de Abril de 2011

 

 

 



publicado por omeuinstante às 20:54 | link do post

Eu era um poeta impulsionado pela filosofia, não um filósofo dotado de faculdades poéticas.

 

Fernando Pessoa



publicado por omeuinstante às 20:50 | link do post

Quinta-feira, 28 de Abril de 2011

Devias estar aqui rente aos meus lábios
para dividir contigo esta amargura
dos meus dias partidos um a um

- Eu vi a terra limpa no teu rosto,
Só no teu rosto e nunca em mais nenhum.

 

Eugénio de Andrade



publicado por omeuinstante às 11:00 | link do post

Quarta-feira, 27 de Abril de 2011

 

 

 



publicado por omeuinstante às 23:10 | link do post

Terça-feira, 26 de Abril de 2011


Se as coisas são inatingíveis... ora! 
não é motivo para não querê-las. 
Que tristes os caminhos, se não fora 
a mágica presença das estrelas!

 

Mário Quintana



publicado por omeuinstante às 21:18 | link do post

Segunda-feira, 25 de Abril de 2011

O poder trava o poder.

 

Montesquie



publicado por omeuinstante às 14:21 | link do post

A liberdade, sim, a liberdade!

A verdadeira liberdade!

Pensar sem desejos nem convicções.

Ser dono de si mesmo sem influência de romances!

Existir sem Freud nem aeroplanos,

Sem cabarets, nem na alma, sem velocidades, nem no cansaço!

 

A liberdade do vagar, do pensamento são, do amor às coisas naturais

A liberdade de amar a moral que é preciso dar à vida!

Como o luar quando as nuvens abrem

A grande liberdade cristã da minha infância que rezava

Estende de repente sobre a terra inteira o seu manto de prata para mim...

A liberdade, a lucidez, o raciocínio coerente,

A noção jurídica da alma dos outros como humana,

A alegria de ter estas coisas, e poder outra vez

Gozar os campos sem referência a coisa nenhuma

E beber água como se fosse todos os vinhos do mundo!

 

Passos todos passinhos de criança...

Sorriso da velha bondosa...

Apertar da mão do amigo...

Que vida que tem sido a minha!

Quanto tempo de espera no apeadeiro!

Quanto viver pintado em impresso da vida!

 

Ah, tenho uma sede sã. Dêem-me a liberdade,

Dêem-ma no púcaro velho de ao pé do pote

Da casa do campo da minha velha infância...

Eu bebia e ele chiava,

Eu era fresco e ele era fresco,

E como eu não tinha nada que me ralasse, era livre.

Que é do púcaro e da inocência?

Que é de quem eu deveria ter sido?

E salvo este desejo de liberdade e de bem e de ar, que é de mim?

 

Álvaro de Campos



publicado por omeuinstante às 12:27 | link do post

 

Em cada rosto igualdade.

 

Cumpra-se!

 




publicado por omeuinstante às 00:00 | link do post

Domingo, 24 de Abril de 2011

Na Cidade Distante

 

Novamente a memória a insinuar-se sobre o corpo

 

A alisar o musgo húmido da boca entreaberta

 

O cuspo dos dias misturado com a substância da terra

 

A servir de bálsamo para a longa viagem do tempo

 

Quando o cansaço me habita como uma névoa dourada

 

 

 

 

Preciso desses candeeiros das ruas por onde passávamos

 

Dos silêncios evocativos, desertos do possível

 

As mãos como estrelas cadentes no flanco da cidade

 

Repetida e reinventada e acariciada nos espelhos

 

E sintagmas luminosos e coloridos no espaço nocturno

 

 

 

 

Éramos a esquina revelada, o trânsito sanguíneo

 

Dos impulsos crescentes e das luas ainda por cumprir

 

O teu riso branco era o sol da noite rendida e obscura

 

Espanto súbito de aconchego nocturno que destruía

 

A solidão que não queríamos carregar nos ombros

 

 

 

As estrelas eram uma oração que não entendíamos

  

Colar de pérolas de dor e o seio da virgem na igreja

 

Inventavas gestos de salvação na volta da cintura

 

E eu perdia-me no discurso sedutor dos teus membros

 

Gerúndios de prazer que o próprio prazer antecipava

 

 

 

 

 

Passos lentos na direcção dos recantos mais íntimos

 

Pois ali éramos novamente crianças, uma vez mais

 

A acreditar no suave rio dos olhos e no perdão

 

Sem fingir ser ou ter, repousávamos nos jardins

 

Com o riso despreocupado de símios adormecidos

 

 

 

Um homem e uma mulher na cidade distante

 

Amando-se, ignorando o riso profano dos deuses

 

As doutrinas dos templos e a tormenta dos dias

 

Pois um só beijo seria o começo de um novo mundo

 

E uma brisa quente o princípio de todas as coisas

 

 

 


José Ferreira

 



publicado por omeuinstante às 17:44 | link do post

Quinta-feira, 21 de Abril de 2011


publicado por omeuinstante às 20:59 | link do post

 

Apreender

I

Passo a minha mão pela tua cabeça,

recurvamente, atentamente, e só com dedos brandos,

olhando-a como passa e vendo onde passou.

 

Quero tanto saber o que tu pensas.

 

IV

 Porque esperaste, ciente, a pele da minha mão?

 

 

Jorge de Sena, Antologia Poética, Guimarães, pp. 96,97



publicado por omeuinstante às 16:11 | link do post

Nenhuma beleza de primavera ou Verão tem tal graça

  Como a que descobri numa face Outonal.

As jovens Belezas forçam-nos ao amor: isso é violação;

  Esta apenas aconselha, e não lhe podemos escapar.

Se fosse vergonha amar, não seria vergonha aqui

  Onde a Afeição toma o nome de Reverência.

Foram-lhe os primeiros anos a Idade de Ouro? É verdade,

  Mas ela agora é ouro bem martelado e sempre novo.

 

 

John Donne, Elegias Amorosas, Assírio & Alvim, p. 49

 

 

 

 



publicado por omeuinstante às 14:23 | link do post

Terça-feira, 19 de Abril de 2011

A vida afectiva é a única que vale a pena. A outra apenas serve para organizar na consciência o processo da inutilidade de tudo.

 

 

Miguel Torga



publicado por omeuinstante às 16:12 | link do post

Segunda-feira, 18 de Abril de 2011

 

Passa uma Borboleta

 

 

Passa uma borboleta por diante de mim 
E pela primeira vez no Universo eu reparo 
Que as borboletas não têm cor nem movimento, 
Assim como as flores não têm perfume nem cor. 
A cor é que tem cor nas asas da borboleta, 
No movimento da borboleta o movimento é que se move, 
O perfume é que tem perfume no perfume da flor. 
A borboleta é apenas borboleta 
E a flor é apenas flor.

 

Alberto Caeiro, Guardador de Rebanhos




publicado por omeuinstante às 15:26 | link do post

Segundo o modelo, todo o professor excelente deveria ser um rigoroso planificador. Um rigoroso planificador das actividades que pretende desenvolver, dos meios e recursos que pretende utilizar e dos tipos de avaliação que pretende realizar. A ênfase que é atribuída, no modelo revogado, ao rigor «planificador» do docente, quase faz supor que é mais importante a planificação do que o próprio acto de ensinar e do que o próprio processo de ensino-aprendizagem. Ora, uma coisa é um plano de aula em que o professor tem de saber o que vai fazer (ou o que pretende que se faça) e como vai fazer (ou como pretende que se faça), outra coisa é pretender-se transformar esse plano de aula numa detalhada planificação que condiciona o acto de ensinar e o acto de aprender a uma sucessão de comportamentos previamente delineados.
O acto de ensinar deve ser planeado, mas não deve ser burocratizado. E deve ser planeado segundo o modo que a experiência do professor o ditar e segundo o modo que a necessidade da turma o aconselhar.

 

Publicado por Mário Carneiro

 

 

 



publicado por omeuinstante às 15:18 | link do post

Quinta-feira, 14 de Abril de 2011

Mar sonoro

Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho.
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.


Sophia de Mello Breyner 



publicado por omeuinstante às 16:28 | link do post

No livro Elogio da Filosofia, Merleau-Ponty diz que filosofar é procurar, é, implicar que há coisas para se ver e dizer, isto é, reaprender a ver o mundo.



publicado por omeuinstante às 15:00 | link do post

(...)

Porém eu procuro-te. 
Antes que a morte se aproxime, procuro-te. 
Nas ruas, nos barcos, na cama, 
com amor, com ódio, ao sol, à chuva, 
de noite, de dia, triste, alegre — procuro-te. 

Eugénio de Andrade



publicado por omeuinstante às 14:57 | link do post

 

Harmonioso vulto que em mim se dilui.

Tu és o poema

e és a origem donde ele flui.

Intuito de ter. Intuito de amor

não compreendido.

Fica assim amor. Fica assim intuito.

Prometido.

 

                     

Natália Correia

 


publicado por omeuinstante às 13:26 | link do post

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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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