Sábado, 30 de Julho de 2011

Falta a luz dos teus olhos na paisagem:
O oiro dos restolhos não fulgura.
Os caminhos tropeçam, à procura
Da recta claridade dos teus passos.
Os horizontes, baços,
Muram a tua ausência.
Sem transparência,
O mesmo rio que te reflectiu
Afoga, agora, o teu perfil perdido.
Por te não ver, a vida anoiteceu

À hora em que teria amanhecido.

 

Miguel Torga, Diário IX



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Terça-feira, 26 de Julho de 2011

O fio de Ariadne atravessa o labirinto da Vida, de cada vida. Um desassossego constituído em Saber como um gigantesco minotauro.

Mas não é fragmentando o homem pelas diversas ciências que apanhamos o Touro.

O fio- incerteza de uma audácia- deve constituir-se em fluídas sugerências conduzindo ao auto-conhecimento.

 



publicado por omeuinstante às 15:15 | link do post

A dúvida é a pedra-de-toque da verdade, o ácido que dissolve os erros.

Koyré 



publicado por omeuinstante às 15:05 | link do post

Domingo, 24 de Julho de 2011

Não existe sagrado fora do homem.

Frei Bento 



publicado por omeuinstante às 14:01 | link do post

Sexta-feira, 22 de Julho de 2011

A esteticização generalizada do mundo e da vida assume-se hoje liberta do fantasma do ressentimento ou da figura trágica e dolorosamente verdadeira do niilismo. Mas, na realidade, o actual e pós-moderno hedonismo individualista, o narcisismo culto e cultivado, co-extensivo à nova religião do corpo, do desejo e dos sentidos, mais não faz que, ao mesmo tempo, traduzir e exprimir a inevitável necessidade de revolta e protesto, subvertendo a ordem estabelecida ao longo de séculos de recalcamento, esquecimento e denegação dessa dimensão oculta e até agora apenas tolerada na sua vertente amortecida, isto é sublimada. O que sucede agora é que os novos códigos mitológicos e os novos dispositivos ideológicos não apenas possibilitam, como potenciam e caucionam uma transformação global e radical do sistema de valores e vivências significantes, o que, todavia, não deixa de poder ser reduzida, no posto que se trata de uma reacção indiscriminada e evasiva contra tudo aquilo que nega ou quer negar; um mero jogo de prazeres acéfalos, por certo "extremamente gratificante" e" cheio de estilo", mas nunca, na verdade, uma procura pela reconversão profunda do Homem, do Mundo e da Vida, isto é, propriamente, uma autêntica Estética da existência e não uma mera arte erótica.

 

João Carlos Silva, Também Aqui Moram os Deuses, Chiado Editora, p 171



publicado por omeuinstante às 15:47 | link do post

A mão
que entregava à tua
os primeiros sinais de verão

já não sabe o caminho- é como se 

em vez de aprender fosse cada vez mais

e mais ignorante. Ou ignorar

fosse todo o saber.

Eugénio de Andrade 



publicado por omeuinstante às 10:00 | link do post

Quinta-feira, 21 de Julho de 2011


publicado por omeuinstante às 21:36 | link do post

Sob a aparente simplicidade, a pergunta de Platão sobre "O que é?" esconde a complexa problemática acerca do Saber.
Ora, em Platão, o Saber é a finalidade única duma vida digna, só ele institui um projecto de educação dos cidadãos. 

 

A virtude é saber, diz Platão.

 


 



publicado por omeuinstante às 18:33 | link do post

‎Caminhais em direcção da solidão. Eu, não, eu tenho os livros. 

Marguerite Duras



publicado por omeuinstante às 10:53 | link do post

Quarta-feira, 20 de Julho de 2011


publicado por omeuinstante às 21:38 | link do post

Encarar a vida pela frente... Sempre... Encarar a vida pela frente, e vê-la como ela é... Por fim, entendê-la e amá-la pelo que ela é... E depois deixá-la seguir... Sempre os anos entre nós, sempre os anos... Sempre o amor... Sempre a razão... Sempre o tempo... Sempre... As horas.

Virginia Woolf



publicado por omeuinstante às 17:22 | link do post

São várias as tonalidades do pensar de Vergílio Ferreira. Oferece-nos, no seu embate com o mundo, o fundamento incognoscível de nós; e a sua mutabilidade. 

Faz sentir que a palavra é um impossível ou chega sempre tarde, porque não decide do originário em si mesmo mas dos arranjos que a tornam apresentável.

O impensável ou indiscutível subjaz portanto a todo o pensar e, para além dele, ao sentir, e para lá do sentir, ao substracto do que os infinitos possíveis em nós possibilitaram. E é sobre isso que se determina o nosso equilíbrio interno, harmonizado pela nossa liberdade.

 

O que é que muda em nós quando mudamos? De idade, de condição, às vezes mesmo de um local? Podem manter-se os mesmos valores, ideologia, relação com a vida. E, todavia, aí mesmo, alguma coisa pode mudar.É a mudança que se opera no indizível de nós, onde mora a organização disso tudo, ou seja, o equilíbrio disso tudo. Os valores reordenam-se numa outra ordenação, num outro escalonamento, num modo diverso de os perspectivarmos. Os valores podem permanecer, mas não na face que era a sua ou o lugar que era o seu. E com isso em nós a porção de alma que lhe demos. Ou a aceleração do ritmo da nossa excitação. Não se entenderá assim que a mesma obra seja diferente como a arrumação diferente dos móveis de uma sala? Porque uma obra é o que é, mais o modo de a fazermos ser o que nela somos nós. Mas esse modo é o que ela é afinal. Que é que muda em nós quando mudamos? Uma forma diferente de sermos o mesmo. As vagas do mar. Um céu que se descobre. A pele que se enruga. O ângulo do olhar.

 

Vergílio Ferreira, Pensar, Bertrand Editora, pp 88-89



publicado por omeuinstante às 13:18 | link do post

leio e abandono-me. Não ao livro, mas a mim.

 

 

Fernando Pessoa



publicado por omeuinstante às 10:00 | link do post

Terça-feira, 19 de Julho de 2011


publicado por omeuinstante às 21:51 | link do post

A Literatura não é teoria, é paixão.

 

 

Tzvetan Todorov



publicado por omeuinstante às 18:11 | link do post

Espero sempre por ti o dia inteiro,
Quando na praia sobe, de cinza e oiro,
O nevoeiro
E há em todas as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda

 

Sophia de Mello Breyner Andresen



publicado por omeuinstante às 10:00 | link do post

Segunda-feira, 18 de Julho de 2011
Uma história árabe conta-nos:
Um imperador mandou vir um homem que passava por ser o mais sábio do conjunto das terras conhecidas e pediu-lhe que redigisse uma obra que contivesse os conhecimentos essenciais.
O erudito deitou mãos ao trabalho e, doze anos mais tarde, ofereceu ao monarca toda uma série de volumes.
— É demasiado extenso — disse o imperador. — Escreve os conhecimentos essenciais num só volume. O homem obedeceu e voltou quatro ou cinco anos mais tarde com um único volume.
— É ainda demasiado extenso — disse o imperador. — Sou um homem ocupado com todos os problemas do império. Escreve em poucas páginas o que consideras essencial e traz-me essas páginas.
O sábio deitou-se ao trabalho. Conseguiu, em dois ou três anos, meter a quinta-essência dos seus conhecimentos em algumas páginas, que ofereceu ao monarca. Este, particularmente ocupado nesse dia, pediu um último esforço: uma só página.
Vários anos de trabalho foram então necessários ao homem para fazer com que o seu conhecimento coubesse numa página.
— Ainda é muito — disse-lhe o imperador. — Proponho-te uma coisa: não escrevas mais nada. Põe o essencial do que sabes numa palavra e vem dizer-ma. Recompensar-te-ei.
O homem retirou-se para um planalto árido e reflectiu durante o tempo necessário. No fim, quando encontrou a palavra que encerrava todos os pensamentos, pediu audiência ao imperador, que já era velho.
— Encontraste a palavra? — perguntou ele ao erudito.
— Sim, Majestade. Encontrei.
— Aproxima-te. Diz essa palavra em voz baixa, depressa.
O sábio aproximou-se do imperador, inclinou-se para o seu ouvido e murmurou uma só palavra. O imperador foi o único a ouvir e exclamou:
— Mas isso já eu sabia!

Jean-Claude Carrière, Tertúlia de Mentirosos.
Daqui


publicado por omeuinstante às 17:24 | link do post

Domingo, 17 de Julho de 2011

Se me esqueceres, só uma coisa, esquece-me bem devagarinho.

 

 

Mário Quintana



publicado por omeuinstante às 18:58 | link do post

Sábado, 16 de Julho de 2011

Desvio dos teus ombros o lençol
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do Sol,
quando depois do Sol não vem mais nada...


Olho a roupa no chão: que tempestade!
há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
em que uma tempestade sobreveio...


Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...


Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!

 

 

David Mourão Ferreira, Infinito Pessoal ou A Arte de Amar







publicado por omeuinstante às 11:25 | link do post

Sexta-feira, 15 de Julho de 2011

Gosto de olhar Em Busca do Tempo Perdido, como uma obra de retratos. Proust era dotado de um dom de observação agudo e através dele descreve primorosamente o ser das suas personagens, colocando-as no Tempo. Com a sua imaginação transfiguradora, preenche-as de cor e palavras, adensando os retratos que representam a sociedade do seu tempo.

Um pintor retratista que faz da literatura uma crónica do Tempo.

 

A face humana é igual à daqueles deuses orientais: várias faces sobrepostas em diferentes planos, e é impossível ver todas elas de uma só vez.

 


 



publicado por omeuinstante às 15:23 | link do post

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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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