Quarta-feira, 19 de Outubro de 2011



publicado por omeuinstante às 21:25 | link do post

Eu choro para dentro como as grutas

 

António Lobo Antunes ( 19-10-2011)



publicado por omeuinstante às 21:20 | link do post

Espero sempre por ti o dia inteiro,
Quando na praia sobe, de cinza e oiro,
O nevoeiro
E há em todas as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda.

Sophia de Mello Breyner Andresen



publicado por omeuinstante às 12:00 | link do post

Terça-feira, 18 de Outubro de 2011


publicado por omeuinstante às 20:14 | link do post

Quando a moça lhe estendeu a boca

( A idade da inocência tinha voltado,

Já não havia na árvore maças envenenadas),

Ele sentiu, pela primeira vez, que a vida era um dom fácil
De insuputáveis possibilidades.

 

Ai dele!

Tudo fora pura ilusão daquele beijo.

Tudo tornou a ser cativeiro, inquietação, perplexidade:

 

- No mundo só havia de verdadeiramente livre aquele beijo.

 

Manuel Bandeira, Poesias, Portugália, p. 39

 

 



publicado por omeuinstante às 13:00 | link do post

Não, tu não és um sonho, és a existência 
Tens carne, tens fadiga e tens pudor 
No calmo peito teu. Tu és a estrela 
Sem nome, és a morada, és a cantiga 
Do amor, és luz, és lírio, namorada! 
Tu és todo o esplendor, o último claustro 
Da elegia sem fim, anjo! mendiga 
Do triste verso meu. Ah, fosses nunca 
Minha, fosses a idéia, o sentimento 
Em mim, fosses a aurora, o céu da aurora 
Ausente, amiga, eu não te perderia! 
Amada! onde te deixas, onde vagas 
Entre as vagas flores? e por que dormes 
Entre os vagos rumores do mar? Tu 
Primeira, última, trágica, esquecida 
De mim! És linda, és alta! és sorridente 
És como o verde do trigal maduro 
Teus olhos têm a cor do firmamento 
Céu castanho da tarde - são teus olhos! 
Teu passo arrasta a doce poesia 
Do amor! prende o poema em forma e cor 
No espaço; para o astro do poente 
És o levante, és o Sol! eu sou o gira 
O gira, o girassol. És a soberba 
Também, a jovem rosa purpurina 
És rápida também, como a andorinha! 
Doçura! lisa e murmurante... a água 
Que corre no chão morno da montanha 
És tu; tens muitas emoções; o pássaro 
Do trópico inventou teu meigo nome 
Duas vezes, de súbito encantado! 
Dona do meu amor! sede constante 
Do meu corpo de homem! melodia 
Da minha poesia extraordinária! 
Por que me arrastas? Por que me fascinas? 
Por que me ensinas a morrer? teu sonho 
Me leva o verso à sombra e à claridade. 
Sou teu irmão, és minha irmã; padeço 
De ti, sou teu cantor humilde e terno 
Teu silêncio, teu trêmulo sossego 
Triste, onde se arrastam nostalgias 
Melancólicas, ah, tão melancólicas... 
Amiga, entra de súbito, pergunta 
Por mim, se eu continuo a amar-te; ri 
Esse riso que é tosse de ternura 
Carrega-me em teu seio, louca! sinto 
A infância em teu amor! cresçamos juntos 
Como se fora agora, e sempre; demos 
Nomes graves às coisas impossíveis 
Recriemos a mágica do sonho 
Lânguida! ah, que o destino nada pode 
Contra esse teu langor; és o penúltimo 
Lirismo! encosta a tua face fresca 
Sobre o meu peito nu, ouves? é cedo 
Quanto mais tarde for, mais cedo! a calma 
É o último suspiro da poesia 
O mar é nosso, a rosa tem seu nome 
E recende mais pura ao seu chamado. 
Julieta! Carlota! Beatriz! 
Oh, deixa-me brincar, que te amo tanto 
Que se não brinco, choro, e desse pranto 
Desse pranto sem dor, que é o único amigo 
Das horas más em que não estás comigo.

Vinicius de Moraes

(Obrigada, Luís Ribeiro)



publicado por omeuinstante às 00:30 | link do post

Segunda-feira, 17 de Outubro de 2011

Há dias assim. Caminhamos pela dúvida até ao limite, exagerando. Como em Descartes, a consciência vai resistindo, servindo de ponto de partida para algumas certezas. O problema são as impressões quotidianas, algumas vezes mais fortes que as ideias.



publicado por omeuinstante às 19:48 | link do post

Domingo, 16 de Outubro de 2011


publicado por omeuinstante às 20:30 | link do post

Desconcertante é que tão grande tristeza caiba dentro de tão pequeno peito.
Às vezes morre-se tanto, e tão cedo.

Al Berto



publicado por omeuinstante às 20:00 | link do post

hoje compreendo os rios. 
a idade das rochas.
diz-me palavras profundas.
hoje tenho o teu rosto dentro de mim.


José Luís Peixoto



publicado por omeuinstante às 17:09 | link do post

D. Dinis, O rei-poeta que escreveu em português, nasceu há 750 anos.

 

ai Deus

e u é?


 (Fragmento de canções de D. Dinis)



publicado por omeuinstante às 13:51 | link do post

Sábado, 15 de Outubro de 2011

Luísa Neto Jorge (1939-1989), poetisa, escritora e tradutora, dá-nos uma poesia de insurreição através da presença constante do corpo erótico.

 

 

O animal entende-se:

tem cascos põe-os a render

tem pele aquece

fecha-se nos olhos para adormecer

tudo quanto lembra esquece

 

Dispende-se.

Permanece.

 

Luísa Neto Jorge, Poesia



publicado por omeuinstante às 14:15 | link do post

Sexta-feira, 14 de Outubro de 2011


publicado por omeuinstante às 20:03 | link do post

Graça Morais, uma das grandes pintoras contemporâneas, foi a vencedora da 6ª edição Prémio de Artes Casino da Póvoa.

 

 



publicado por omeuinstante às 18:12 | link do post

Um dia abrasador como fornalha. Ao fim do dia levo o pensamento a descansar em Antígona, de Sófocles. E em Thoreau. O que os une, hoje, em mim, o conceito de Desobediência Civil.

 

 

 

 



publicado por omeuinstante às 14:00 | link do post

Quinta-feira, 13 de Outubro de 2011


publicado por omeuinstante às 20:37 | link do post

O último esforço da razão é reconhecer que existe uma infinidade de coisas que a ultrapassam.

 

 Blaise Pascal



publicado por omeuinstante às 10:00 | link do post

Quarta-feira, 12 de Outubro de 2011

Uma ocorrência feliz na sala de aula levou-me o pensamento para o livro, Como um Romance, do professor e escritor Daniel Pennac.

Que espantosos pedagogos nós éramos, quando não nos preocupávamos com a pedagogia.

 




publicado por omeuinstante às 14:50 | link do post

Terça-feira, 11 de Outubro de 2011


publicado por omeuinstante às 20:30 | link do post

Não há ética sem conflito, daí as instituições surgirem como filtro às acções humanas. 

 

A liberdade é, antes de tudo, o direito à desigualdade.

Nicolau Berdiaev (1874-1948)

 



publicado por omeuinstante às 18:00 | link do post

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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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