Quarta-feira, 30 de Novembro de 2011


publicado por omeuinstante às 19:50 | link do post

Que bem diz o escritor Ondjaki.
 

Onde há jazz há liberdade. 

Nina Simone



publicado por omeuinstante às 10:00 | link do post

Terça-feira, 29 de Novembro de 2011

Um discurso sobre a fragilidade da escrita:

A maior parte das pessoas não lê livros. Porém, canta e dança.

 

G. Steiner, O Silêncio dos Livros, Gradiva, p.9



publicado por omeuinstante às 18:52 | link do post

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos. E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos.
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos.

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos.

David Mourão- Ferreira



publicado por omeuinstante às 10:00 | link do post

Segunda-feira, 28 de Novembro de 2011

Chove...

Mas isso que importa!,
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir a chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?

Chove...

Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama.

José Gomes Ferreira



publicado por omeuinstante às 10:00 | link do post

Domingo, 27 de Novembro de 2011



publicado por omeuinstante às 21:10 | link do post

O Teatro da Cornucópia tem em cena A Varanda, peça do dramaturgo francês Jean Genet. É considerada uma obra incontornável do teatro moderno. É um texto profundamente filosófico e político, uma metáfora do Mundo, da Cultura Ocidental e do próprio Teatro.

A Varanda é o nome de um Bordel por onde desfilam, e caem, homens comuns transvestidos de figuras notáveis ( ou é ao contrário?), desde o Bispo, o Juíz e o General, entre outras; também o Herói de todas as revoluções, mesmo o das interiores que fervilham em cada ser.
Através duma linguagem cheia de armadilhas, assistimos ao jogo de máscaras entre a Ilusão e o Reflexo, a Mentira e a Verdade, a Vida e a Morte. Um texto que suspende as fronteiras entre o real e o imaginário, uma vez que esbate a capacidade de desocultar a opacidade das diversas máscaras com que a Cultura milenar esconde a pele da Natureza.
A sessão de fotografias é um momento fulcral nesta grande encenação de Luís Miguel Cintra. Os flashes captam, pela reconstrução permanente, a acção histórica e as máquinas desejantes que integram o nosso presente alienado de imagens e reflexos de imagens.

A encenação final do Homem acontece com a mutilação do herói, aquele que pela morte nos dá a face da vida. E assim, por mais dois mil anos, repete-se o simulacro da Verdade, numa lancinante investigação sobre o Ser e sobre a tragicidade do seu desvelamento. Uma autêntica genealogia do Bem e do Mal porque, como nos diz Holderlin, onde está o perigo, cresce também aquilo que salva.

Como síntese do olhar que lançamos da Varanda sobre a Cidade, usemos a expressão do texto- Bela é a máscara.

São quatro horas breves de desintoxicação, como lhe chamou Sartre.
Todas as personagens estão de parabéns. A não perder.

 




 



publicado por omeuinstante às 17:50 | link do post

Quinta-feira, 24 de Novembro de 2011

É possível falar sem um nó na garganta
é possível amar sem que venham proibir
é possível correr sem que seja para fugir.
Se tens vontade de cantar não tenhas medo: canta.

É possível andar sem ser a olhar para o chão
é possível viver sem que seja de rastos.
Os teus olhos nasceram para olhar os astros
se te apetece dizer não, grita comigo: não.

É possível viver de outro modo.
É possível transformares em arma a tua mão.
É possível o amor. É possível o pão.
É possível viver de pé.

Não te deixes murchar.Não deixes que te domem.
É possível viver sem fingir que se vive.
É possível ser homem.
É possível ser livre livre livre.

Manuel Alegre



publicado por omeuinstante às 10:00 | link do post

Quarta-feira, 23 de Novembro de 2011

Há noites que são feitas dos meus braços
E um silêncio comum às violetas.
E há sete luas que são sete traços
De sete noites que nunca foram feitas.

Há noites que levamos à cintura
Como um cinto de grandes borboletas.
E um risco a sangue na nossa carne escura
Duma espada à baínha dum cometa.

Há noites que nos deixam para trás
Enrolados no nosso desencanto
E cisnes brancos que só são iguais
À mais longínqua onda do seu canto.

Há noites que nos levam para onde
O fantasma de nós fica mais perto;
E é sempre a nossa voz que nos responde
E só o nosso nome estava certo.

Há noites que são lírios e são feras
E a nossa exactidão de rosa vil
Reconcilia no frio das esferas
Os astros que se olham de perfil.

Natália Correia



publicado por omeuinstante às 10:00 | link do post

Segunda-feira, 21 de Novembro de 2011

Sócrates - (...) Mas aquilo a que eu chamo retórica é a parte de um todo que não pertence ao número das coisas belas.

Górgias - Parte de quê,  Sócrates? fala, sem receio de me ofender.

Sócrates - Penso, Górgias, num género de ocupação que nada tem de científico e que exige um espírito intuitivo e empreendedor, por natureza apto para o convívio com as pessoas. Dou-lhe o nome geral de adulação.

 

Platão, Górgias, Ed 70 

 



publicado por omeuinstante às 10:00 | link do post

Sábado, 19 de Novembro de 2011

Em cada um de nós há um segredo, uma paisagem interior com planícies invioláveis, vales de silêncio e paraísos secretos.

 

 Saint-Exupéry



publicado por omeuinstante às 10:15 | link do post

Sexta-feira, 18 de Novembro de 2011



publicado por omeuinstante às 20:00 | link do post

Quietos fazemos as grandes viagens
só a alma connvive com as paragens
estranhas

lembro-me de uma janela
na Travessa da Infância
onde seguindo o rumor dos autocarros
olhei pela primeira vez 
o mundo

não sei se poderás adivinhar
a secreta glória que senti
por esses dias

só mais tarde descobri que
o último apeadeiro de todos
os autocarros
era ainda antes 
do mundo

mas isso foi depois
muito depois
repito.

José Tolentino Mendonça



publicado por omeuinstante às 13:15 | link do post

Convivência entre o poeta e o leitor, só no silêncio da leitura a sós. A sós, os dois. Isto é, livro e leitor. Este não quer saber de terceiros, não quer que interpretem, que cantem, que dancem um poema. O verdadeiro amador de poemas ama em silêncio...

 

Mario Quintana




publicado por omeuinstante às 10:00 | link do post

Quarta-feira, 16 de Novembro de 2011


publicado por omeuinstante às 23:50 | link do post

Sede como os pássaros que, ao pousarem um instante sobre ramos muito leves, sentem-nos ceder, mas cantam! Eles sabem que possuem asas.
Victor Hugo


publicado por omeuinstante às 15:08 | link do post

Julgar que há coisas intoleráveis é dar provas de intolerância?

Ser tolerante é tolerar tudo? Em ambos os casos, a resposta, evidentemente, é não, pelo menos se queremos que a tolerância seja uma virtude.


 André Comte-Sponville, Pequeno Tratado das Grandes Virtudes



publicado por omeuinstante às 10:00 | link do post

Terça-feira, 15 de Novembro de 2011
Foge por um instante do homem irado, mas foge sempre do hipócrita.
Confúcio



publicado por omeuinstante às 17:00 | link do post

O inferno são os outros- disse Sartre.

E é sobretudo por isso que se usam óculos escuros.

Vergílio Ferreira, Pensar, Bertrand, p.190 



publicado por omeuinstante às 13:00 | link do post

Tu, a que eu amo nesta manhã
que trouxe a tua imagem com os ruídos
da rua, vai até à janela,
levanta as persianas do quarto, e olha
o céu como se ele fosse
um espelho. Diz-me, então,
o que vês? As nuvens que passam
pelos teus olhos? Um azul cuja
sombra te desenha o contorno
das pálpebras? A mancha rosa do nascente
que o horizonte roubou ao
teu rosto? Mas não te demores. Um espelho
não se pode olhar muito tempo e
o céu da manhã é dos que mudam com
as variações da alma. Pode ser que o céu
roube um sorriso aos teus lábios e
mo traga, para que eu o ponha neste poema,
onde te vejo, um instante, enquanto
a manhã não acaba.

Nuno Júdice



publicado por omeuinstante às 10:00 | link do post

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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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