Quarta-feira, 29 de Fevereiro de 2012

Dorme sobre o meu seio, 
Sonhando de sonhar... 
No teu olhar eu leio 
Um lúbrico vagar. 
Dorme no sonho de existir 
E na ilusão de amar. 
Tudo é nada, e tudo 
Um sonho finge ser. 
O 'spaço negro é mudo. 
Dorme, e, ao adormecer, 
Saibas do coração sorrir 
Sorrisos de esquecer.

Dorme sobre o meu seio, 
Sem mágoa nem amor...

No teu olhar eu leio 
O íntimo torpor 
De quem conhece o nada-ser 
De vida e gozo e dor.

 

Fernando Pessoa


 



publicado por omeuinstante às 20:37 | link do post

Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012


publicado por omeuinstante às 20:43 | link do post

Onde estás? a alma anoitece-me bêbeda

De todas as tuas delícias. Um momento
Escutei o sol, amoravel adolescente,
Tirar da lira celeste as notas de ouro do seu canto da noite.

 

Ecoavam ao redor os bosques e as colinas;

Ele no entanto já ia longe, levando a luz
A gentes mais devotas

Que o honram ainda. 

Hölderlin



publicado por omeuinstante às 20:25 | link do post

A poesia como atitude de religação essencial.

 

Sim, a poesia pode salvar o homem.

 Czeslaw Milosw, O livro dos Saberes, p. 283



publicado por omeuinstante às 18:39 | link do post

Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012


publicado por omeuinstante às 23:13 | link do post

Na penumbra dos ombros é que tudo começa

quando subitamente só a noite nos vê
E nos abre uma porta nos aponta uma seta

 

para sermos de novo quem deixámos de ser

 

David Mourão- Ferreira, Obra Poética ( 1948-1988), p. 214 



publicado por omeuinstante às 23:02 | link do post

Quem me roubou a minha dor antiga, 
E só a vida me deixou por dor? 
Quem, entre o incêndio da alma em que o ser periga, 
Me deixou só no fogo e no torpor? 

Quem fez a fantasia minha amiga, 
Negando o fruto e emurchecendo a flor? 
Ninguém ou o Fado, e a fantasia siga 
A seu infiel e irreal sabor... 

Quem me dispôs para o que não pudesse? 
Quem me fadou para o que não conheço 
Na teia do real que ninguém tece? 
Quem me arrancou ao sonho que me odiava 
E me deu só a vida em que me esqueço, 
“Onde a minha saudade a cor se trava ?” 

Fernando Pessoa, Cancioneiro



publicado por omeuinstante às 10:00 | link do post

Sábado, 25 de Fevereiro de 2012

o meu maior desejo
sempre foi
o de aumentar a noite
para a conseguir
encher de sonhos

Virgínia Woolf



publicado por omeuinstante às 15:23 | link do post

Quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2012

Ao longe, ao luar,

No rio uma vela,

Serena a passar,

Que é que me revela ?

Não sei, mas meu ser

Tornou-se-me estranho,

E eu sonho sem ver

Os sonhos que tenho.

 

Que angústia me enlaça ?

Que amor não se explica ?

É a vela que passa

Na noite que fica.

 

Fernando Pessoa



publicado por omeuinstante às 18:05 | link do post

Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2012


publicado por omeuinstante às 20:37 | link do post

como viveremos no esquecimento
se perdemos repentinamente a profundidade dos campos
os enigmas singulares
a claridade que juramos conservar.
mas levamos anos a esquecer alguém 
que apenas nos olhou 

 

José Tolentino de Mendonça



publicado por omeuinstante às 13:00 | link do post

Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012

A palavra é a superfície do mar agitado que conflitua nas profundezas.

Nietzsche



publicado por omeuinstante às 16:38 | link do post

Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012

Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...


Mário Quintana 



publicado por omeuinstante às 19:17 | link do post

Na Grécia Antiga, o conceito de música designava não só a música propriamente dita mas igualmente as belas-artes. Para os gregos, a extensão do conceito aplicava-se à cultura do espírito em geral. Platão esclarece, no Prólogo do Fédon, esta questão:

No curso da minha vida, tinha sido, com frequência, visitado por um sonho, hoje sob uma forma, amanhã sob outra, o qual me aconselhava constantemente a mesma coisa: Ó Sócrates, dizia ele, trata de cultivar a música e dedica-te a isso. Ora eu julgava que àquilo, que na vida passada tinha feito, me exortava e incitava o sonho. Semelhante aos que animam os corredores, assim ele, na minha opinião, me animava também a prosseguir o que tinha principiado - a dedicar-me à música, pois não existe música, pensava eu, mais excelente que a filosofia, à qual eu me dedico.


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publicado por omeuinstante às 19:03 | link do post

O filósofo espanhol Ortega y Gasset (1883-1955) escreveu, sem fingimento, que o Homem é um equilíbrio instável.

Sou uma parte de tudo aquilo que encontrei.




publicado por omeuinstante às 16:25 | link do post

Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012



publicado por omeuinstante às 20:15 | link do post

Para filosofar é necessário descer ao velho caos e sentirmo-nos aí como se estivéssemos em casa.
Wittgenstein 



publicado por omeuinstante às 16:00 | link do post

Bernardo Soares, Livro do Desassossego:

Não vejo, sem pensar.



publicado por omeuinstante às 10:53 | link do post

Domingo, 12 de Fevereiro de 2012

Ser governado é ser vigiado, inspeccionado, espiado, dirigido, legislado, regulamentado, classificado, doutrinado, admoestado, fiscalizado, avaliado, censurado, comandado por seres que não possuem para isso nem título, nem ciência, nem virtude.

Proudhon



publicado por omeuinstante às 20:23 | link do post

 A sociedade humana necessita de paz, mas necessita igualmente de conflitos sérios e de ideais: de valores, de ideias pelos quais possamos lutar. Na sociedade ocidental aprendemos- e aprendemos com os gregos- que é possível fazê-lo não tanto com a espada, mas muito melhor e mais persistentemente com palavras. E, sobretudo, com argumentos razoáveis.

Uma sociedade perfeita é, por conseguinte, impossível. Existem, porém, ordens sociais melhores e piores. A nossa civilização ocidental decidiu-se a favor da democracia, como uma forma de sociedade que pode ser alterada pela palavra e, aqui e ali- se bem que raramente- por argumentos racionais, por uma crítica racional, isto é, realista- através de reflexões críticas não-pessoais, características também da ciência, designadamente da ciência da natureza, desde os gregos. Sou, pois, um defensor da civilização ocidental, da ciência e da democracia. Elas dão-nos a oportunidade de prevenir o infortúnio evitável e de experimentar, de apreciar criticamente e, se necessário, aperfeiçoar as reformas (...). E confesso-me igualmente partidário da ciência, hoje tantas vezes caluniada, que busca a verdade através da auto-crítica e que, a cada nova descoberta, descobre de novo quão pouco nós sabemos- quão infinitamente grande é a nossa ignorância e falibilidade. Foram intelectualmente humildes. (...).


Karl Popper, Em Busca de Um Mundo Melhor



publicado por omeuinstante às 19:15 | link do post

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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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