Quinta-feira, 31 de Maio de 2012

Pergunta de um aluno hoje na aula: professora, para quê visitar autores tão distantes de nós, do nosso tempo e cultura?
Pelo interesse histórico e pelo prazer de conhecer ( aspecto não muito valorizado...) ideias de outros tempos mas que influenciam o nosso presente.
Como  bem diz Italo Calvino, autor aqui várias vezes citado, porque um clássico é um livro que nunca acabou de dizer o que tem a dizer.




publicado por omeuinstante às 21:32 | link do post

Adónis (pseudónimo de Ali Ahmed Said Esber) é considerado o maior poeta árabe vivo. O seu pseudónimo está ligado ao deus fenício símbolo da renovação cíclica.

 

Pensa que uma ética humanista no espírito da tradição grega e oriental esteja em condições de trazer ao ser humano uma segurança semelhante à da fé religiosa do mundo cristão ou de qualquer outra das grandes religiões?

Na minha opinião, sim, mas como é que se pode chegar a ela? O que nos falta a esse respeito é o mythos, aquilo a que chamamos mythos.
Agora, o que rege é o Logos no sentido trivial da palavra e rejeitou-se, marginalizou-se tudo o que é mythos, ou seja, tudo o que é humano, poesia, amor, amizade, relações pessoais...Necessitamos, para fazer o equilíbrio, do mythos, mas como é que se pode convencer este mundo do mythos?

 

O Livro dos Saberes, Edições 70, pág 37 



publicado por omeuinstante às 00:51 | link do post

Segunda-feira, 28 de Maio de 2012

Bergman e Bach. Juntos, um instante.



publicado por omeuinstante às 19:31 | link do post

Domingo, 27 de Maio de 2012

Falei de ti com as palavras mais limpas,
viajei, sem que soubesses, no teu interior.
Fiz-me degrau para pisares, mesa para comeres,
tropeçavas em mim e eu era uma sombra
ali posta para não reparares em mim.

 

Andei pelas praças anunciando o teu nome,
chamei-te barco, flor, incêndio, madrugada.
Em tudo o mais usei da parcimónia
a que me forçava aquele ardor exclusivo.

 

Hoje os versos são para entenderes.
Reparto contigo um óleo inesgotável
que trouxe escondido aceso na minha lâmpada
brilhando, sem que soubesses, por tudo o que fazias.
 

Fernando Santiago Mendes de Assis Pacheco

 



publicado por omeuinstante às 15:04 | link do post

Sexta-feira, 25 de Maio de 2012


publicado por omeuinstante às 21:40 | link do post

Miguel Torga, pseudónimo do médico Adolfo Correia Rocha, não escolhe por acaso o seu pseudónimo literário. Torga é uma planta transmontana, urze das serranias, com raízes fortes que a fixam às fragas e penedos áridos das montanhas.
A poesia de Torga retrata uma ligação profundamente solitária do Homem à Terra. 

Ler Torga é respirar a memória da terra-berço, e qualquer coisa dentro de mim se acalma...

Poesia-chão, sentida na caligrafia da solidão... 

 

Serra!

e qualquer coisa dentro de mim se acalma...
Qualquer coisa profunda e dolorida,
Traída,
Feita de terra
e alma.

Uma paz de falcão na sua altura
A medir as fronteiras:
Sob a garra dos pés a fraga dura,
E o bicho a picar estrelas verdadeiras...

Miguel Torga, Diário II



publicado por omeuinstante às 21:03 | link do post

Quadro de Jacques - Louis David (1787).

Museu Metropolitan de Nova York.



publicado por omeuinstante às 18:08 | link do post

Quinta-feira, 24 de Maio de 2012

Tu me deste a Palavra, a noz do fogo
Se o miolo te ficou tenho os dedos queimados.
Dá Deus nozes, Senhor... Sem dentes, desde logo,
Teu Banquete revolta os desdentados.

O Pão esperou na Voz fome e saliva
Ninguém comeu senão da própria suficiência:
Ao menos o Menino tem gengiva,
Saboreia a inocência.

Tende piedade dos Críticos,
Dai-lhes o Best-Seller
Engrossarão o seu coro.
Tudo o que for Sentido - desterrado
E oculto no choro!

Fazei guardar por anjos
A Significação
E em nossa carne eles tenham
Ceva e consolação.
À entrada do Verbo, imo da Morte,
Ponde uma folha a espada:
Guardaremos a Vida e o sangue ao Norte
Do Nada

 

Vitorino Nemésio 



publicado por omeuinstante às 11:00 | link do post

Para Nietzsche a linguagem é uma estrutura de dissimulação. No entanto, se soubermos cultivar a arte da paciência, a verdade- redonda, sempre redonda-chega-nos através da manifestação do ser das coisas. Refiro-me à verdade pessoal, a única que se pode assumir como absoluta.

 



publicado por omeuinstante às 10:00 | link do post

Quarta-feira, 23 de Maio de 2012


publicado por omeuinstante às 21:00 | link do post

Mário de Sá- Carneiro foi um poeta romântico. Um interseccionista para quem o conceito de Belo nos remete para um tempo mítico.
Belo é tudo quanto nos provoca a sensação do invisível.



publicado por omeuinstante às 14:42 | link do post

Terça-feira, 22 de Maio de 2012

A prática de verbalizar um problema como forma de o resolver é antiga. Há séculos que se reconhece à palavra o poder de desocultar verdades essenciais e, portanto, a sua utilidade é uma espécie de clínica verbal. Também desde sempre se distinguiu, pela separação, o bom e o mau uso da palavra. Mas, paradoxalmente, bem cedo se descobrem as virtudes do silêncio. Nasce o si-mesmo secreto.

Com a entrada de Freud em cena, os segredos são transformados em conceitos e estudados através da verbalização metódica: comunique tudo o que se passa na sua auto-observação, com a suspensão de todas as críticas lógicas e afectivas. Com Freud, com a cultura ocidental, o inconsciente passou a ser verbalizado em ruptura com o lugar do silêncio e do não-dizível. 

Estas considerações aceleradas surgem ao final do dia, momentos depois de revisitar o filme Um Método Perigoso.



publicado por omeuinstante às 20:54 | link do post

Domingo, 20 de Maio de 2012



Painel de Júlio Pomar, Unicórnio.
Café Central, Caldas da Rainha.



publicado por omeuinstante às 17:30 | link do post

Sábado, 19 de Maio de 2012

A hora da partida soa quando
Escurece o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.

A hora da partida soa quando
as árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.

Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.

 

Sophia de Mello Breyner Andresen 



publicado por omeuinstante às 14:19 | link do post

Sexta-feira, 18 de Maio de 2012

Não deixes que termine o dia sem teres crescido um pouco, 
sem teres sido feliz, sem teres aumentado os teus sonhos. 
Não te deixes vencer pelo desalento. 
Não permitas que alguém retire o direito de te expressares,
que é quase um dever. 
Não abandones as ânsias de fazer da tua vida algo extraordinário. 
Não deixes de acreditar que as palavras e a poesia podem mudar o mundo. 
Aconteça o que acontecer a nossa essência ficará intacta. 
Somos seres cheios de paixão. 
A vida é deserto e oásis. 
Derruba-nos, ensina-nos, converte-nos em protagonistas de nossa própria história. 
Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua: 
tu podes tocar uma estrofe. 
Não deixes nunca de sonhar, porque os sonhos tornam o homem livre.

 

Walt Whitman



publicado por omeuinstante às 14:15 | link do post

Quinta-feira, 17 de Maio de 2012

 Caminha, 2012



publicado por omeuinstante às 23:13 | link do post

A natureza e a sociedade fazem do homem um ser de leis. Compete-lhe a si próprio fazer-se um ser livre. Livre para quê?

 

duas almas residem, ai!, em meu peito:
uma quer separar-se da outra;
uma, mediante órgãos tenazes,
aferra-se ao mundo num rude deleite amoroso;
a outra eleva-se com vigor das trevas 
aos campos de excelsos antepassados.
Göethe, Fausto.

 

 



publicado por omeuinstante às 12:14 | link do post

Quarta-feira, 16 de Maio de 2012

É um sonho ou talvez só uma pausa

na penumbra. Esta massa obscura

que ela revolve nas águas são estrelas.

Entre aromas e cores, um barco de calcário

prossegue uma viagem imóvel num jardim.

Vejo a brancura entre os astros e os ramos.

Dir-se-ia que o ser respira e se deslumbra

e que tudo ascende sob um sopro silencioso.

Nenhum sentido mas os signos amam-se

e o brilho e o rumor formam um mundo.

 

António Ramos Rosa, Acordes, Quetzal



publicado por omeuinstante às 21:20 | link do post

Poema de Joán Zorro, do Cancioneiro da Biblioteca Nacional (outrora Cancioneiro Colocci-Brancuti) dito por Natália Correia e António Vitorino de Almeida, do álbum "Improvisos". 

-Cabelos, los meus cabelos,
el-Rei m'enviou por elos: madre, que lhis farei? -Filha, dade-os a el-Rei.



publicado por omeuinstante às 12:27 | link do post

Terça-feira, 15 de Maio de 2012

Manoel de Barros, poeta brasileiro do século XX, dá-nos este belo fragmento em Livro Sobre Nada:

Do lugar onde estou já fui embora. 



publicado por omeuinstante às 11:00 | link do post

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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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