Terça-feira, 15 de Maio de 2012

A política é velha e grega. Resiste, renova-se e instala-se de novo no campo da Europa. E se a realidade falhar, resta-nos sempre a teoria. 



publicado por omeuinstante às 09:00 | link do post

Segunda-feira, 14 de Maio de 2012



publicado por omeuinstante às 21:00 | link do post

Haruki Murakami é um escritor japonês e autor do livro Kafka à Beira-Mar. Este grande contador de histórias narra, neste romance, as peripécias de dois homens que procuram o destino entre dois mundos paralelos: o real e a fantasia. O próprio autor explica que os homens têm necessidade de ilusão nas suas vidas para alcançarem uma vida normal, e que a ilusão existe mesmo. Existe?

Por vezes o destino é como uma pequena tempestade de areia que não pára de mudar de direcção. Tu mudas de rumo, mas a tempestade de areia vai atrás de ti. Voltas a mudar de direcção, mas a tempestade persegue-te, seguindo no teu encalço. Isto acontece uma vez e outra e outra, como uma espécie de dança maldita com a morte ao amanhecer. Porquê? Porque esta tempestade não é uma coisa que tenha surgido do nada, sem nada que ver contigo. Esta tempestade és tu. Algo que estádentro de ti. Por isso, só te resta deixares-te levar, mergulhar na tempestade, fechando os olhos e tapando os ouvidos para não deixar entrar a areia e, passo a passo, atravessá-la de uma ponta a outra. Aqui não há lugar para o sol nem para a lua; a orientação e a noção de tempo são coisas que não fazem sentido. Existe apenas areia branca e fina, como ossos pulverizados, a rodopiar em direcção ao céu. É uma tempestade de areia assim que deves imaginar.

 (...) E não há maneira de escapar à violência da tempestade, a essa tempestade metafísica, simbólica. Não te iludas: por mais metafísica e simbólica que seja, rasgar-te-á a carne como mil navalhas de barba. O sangue de muita gente correrá, e o teu juntamente com ele. Um sangue vermelho, quente. Ficarás com as mãos cheias de sangue, do teu sangue e do sangue dos outros. 

E quando a tempestade tiver passado, mal te lembrarás de ter conseguido atravessá-la, de ter conseguido sobreviver. Nem sequer terás a certeza de a tormenta ter realmente chegado ao fim. Mas uma coisa é certa. Quando saíres da tempestade já não serás a mesma pessoa. Só assim as tempestades fazem sentido. 

Haruki Murakami, Kafka à Beira-Mar


publicado por omeuinstante às 20:09 | link do post

O tumulto interior de Hamlet é o tumulto do cidadão comum hoje. Todo o Príncipe -cada um de nós- encerra em si mesmo a crueza e a grandeza da sua época, e o abismo do Reino da Dinamarca é o abismo da Velha Europa. Reinos inquietos, como o Tempo. Como a leitura.

 

Ípsilon, sexta-feira, 11 de Maio de 2012.
 



publicado por omeuinstante às 11:46 | link do post

Não procures uma multidão sincera

porque tal não existe.
Quando numerosos, os homens, os animais,

as plantas, as pedras e até as máquinas

perdem a higiene do raciocínio individual;

e, se abrem a janela que dá para o jardim,

é para cuspir, nunca para te dizer adeus.

Gonçalo M. Tavares, Uma Viagem à Índia, Caminho, pp 84-85 



publicado por omeuinstante às 09:00 | link do post

Domingo, 13 de Maio de 2012

O vocabulário do amor é restrito e repetitivo, porque a sua melhor expressão é o silêncio. Mas é deste silêncio que nasce todo o vocabulário do mundo.


Vergílio Ferreira

 



publicado por omeuinstante às 22:46 | link do post

Sassetti diz-nos que tocar piano é um alimento para a alma, uma necessidade vital. Ouvi-lo também.



publicado por omeuinstante às 20:47 | link do post

Sábado, 12 de Maio de 2012

Gostaria de escrever um poema e não sei de quê.

Há em mim uma inquietação como se para nascer

um grande gesto, uma ideia, o visível do que se não vê.

Mas não nasce, não se vê, nasce apenas o prazer

desta vaga melancolia que em si mesma consiste

e tem o gosto de ser triste

sem o ser.

 

Vergílio Ferreira

 



publicado por omeuinstante às 09:30 | link do post

Quinta-feira, 10 de Maio de 2012

 


(Cargador de Flores, Diego Rivera)

 

(...)

Homens de carga! Assim as bestas vão curvadas!

Que vida tão custisa! Que diabo!

E os cavadores descansam as enxadas,

E cospem nas calosas mãos gretadas,

Para que não lhes escorregue o cabo.

 

Povo! No pano cru rasgado das camisas

Uma bandeira penso que transluz!

Com ela sofres, bebes, agonizas;

Listrões de vinho lançam-lhe divisas,

E os suspensórios traçam-lhe uma cruz!

(...)

Cesário Verde





publicado por omeuinstante às 21:44 | link do post

Quarta-feira, 9 de Maio de 2012


publicado por omeuinstante às 19:42 | link do post

Terça-feira, 8 de Maio de 2012
O rei de Thule

 Houve em Thule um rei, fiel
Até que a morte o levou;
A sua amada, ao morrer,
Taça de oiro lhe deixou.
Nada amava ele mais na vida;
Consigo sempre a trazia;
Os olhos se lhe toldavam
Sempre que dela bebia.
As cidades do seu reino
Contou, ao chegar-se a morte.
Tudo – só a taça não! –
Deixou ao herdeiro em sorte.
Com seus cavaleiros foi-se
El-rei à mesa assentar,
No salão de seus avós
Do castelo à beira-mar.
O rei velhinho bebeu
Ardor último de vida,
E atirou a taça santa
Pra a água, por despedida.
Viu-a cair, e no mar
Se embebeu e mergulhou.
Embaciou-se-lhe o olhar…
Nunca mais vinho provou.
(versão de P. Quintela)

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publicado por omeuinstante às 20:30 | link do post

Segunda-feira, 7 de Maio de 2012

[...]
E atirou a taça ao mar, do varandim rendilhado, por que ninguém mais,
bebendo por ela, viesse a conhecer os segredos daquele amor de balada,
feito de suspiros e raios de lua, perfumes de laranjeira e baques de
coração espezinhado.
A taça oscilou ligeiramente nas águas, fez umas reviravoltas antes de
seguir mar em fora, como uma gôndola deserta que procura o gondoleiro.
E o rei considerava em voz triste:"Quem mesmo velho poderá guardar-te
dia e noite, taça de amor por onde os meus lábios beberam os vinhos
generosos, por essas noites perladas dos ecos das serenadas, dos
perfumes festivais das rosas e da embriaguez dos profundos
amores?...Abandonaram-me os meus cavaleiros e não me queixo,
fugiram-me os cortesãos e estou tranquilo: só a ideia de te deixar me
atormenta, pois tu guardas inteira e palpitante a história do meu
coração.
[...]


Fialho de Almeida, in O País das Uvas

( Obrigada, Vasco Tomás)
 



publicado por omeuinstante às 14:27 | link do post

Domingo, 6 de Maio de 2012


publicado por omeuinstante às 21:47 | link do post

Vitória de François Hollande em França.

A linguagem não serve apenas para expressar a realidade. Transforma-a. 



publicado por omeuinstante às 19:04 | link do post

Nos nossos dias, tudo parece estar prenhe do seu contrário. Sendo nós uma maquinaria dotada do maravilhoso poder de reduzir e fazer frutificar o trabalho humano, contemplamos a fome e a morte por excesso de trabalho. As fontes de riqueza da moda são convertidas, por uma estranha magia, em fontes de penúria. As vitórias da arte parecem ser compradas com a perda do carácter. Na mesma medida em que a humanidade domina a natureza, parece ter sido o homem escravizado por outros homens e pela sua própria infâmia.
(...) este antagonismo  entre as forças produtivas e as relações sociais, na nossa época, é um facto palpável, esmagador, que não pode ser desmentido.

Karl Marx, The People`s Paper 
19 de Abril de 1856 



publicado por omeuinstante às 17:39 | link do post

Sexta-feira, 4 de Maio de 2012

Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.


Sophia de Mello Breyner Andresen



publicado por omeuinstante às 14:16 | link do post

Quarta-feira, 2 de Maio de 2012

1º de Maio de 2012. Portugal. Mais um ensaio sobre o individualismo contemporâneo. Mais um rasgão neste país estilhaçado. Lutar por comida e não por direitos. Gestos que nos inscrevem no centro da Era do Vazio. 



publicado por omeuinstante às 16:31 | link do post

Terça-feira, 1 de Maio de 2012

(...)
Só nos resta a maneira
mais pura:
de igual para igual
tão desconhecidos


José Tolentino de Mendonça 



publicado por omeuinstante às 19:16 | link do post

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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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