Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2012

Todos os pássaros sossegaram.
As crianças desceram das árvores, guardaram os jogos, 
recolheram a casa. Levanto a cabeça e deixo a voz deambular 
por dentro deste silêncio de água e de estrelas.

A noite está próxima.

Deixo o corpo escorregar na poeira luminosa.
Acendo um cigarro, ponho-me a falar com o meu fantasma.

Longe daqui, a cidade enfeitou-se com os seus crimes de néon, 
com suas traições... ouço hélices de barcos, 
motores... quando um rosto esvoaça ao alcance da mão.

al berto



publicado por omeuinstante às 13:30 | link do post

Terça-feira, 25 de Dezembro de 2012



publicado por omeuinstante às 21:00 | link do post

Terça-feira, 18 de Dezembro de 2012

A regressão dos direitos socias não tem fim. Tendo como pretexto a crise conjuntural que atrofia os mercados, diz-se, prossegue, sem regras, o desmantelamento do sistema de segurança social, operando uma ruptura drástica nos seus princípios organizadores. Maria Clara Murteira, economista e professora da faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, refere que são desconhecidos, até ao momento, os contornos do projecto de "refundação do Estado". Certo, certo é que o rosto do projecto neoliberal revela-se; e revela-se incapaz de assegurar um destino colectivo de segurança económica e justiça social.



publicado por omeuinstante às 12:19 | link do post

Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2012

Proposta de leitura do Le Monde Diplomatique - Edição Portuguesa, Dezembro 2012.

 

«Em 1944, Karl Polanyi publicou A Grande Transformação: as origens políticas e económicas do nosso tempo, obra em que analisou a estrutura do capitalismo no século XIX a partir de uma tese inovadora, de cariz marcadamente institucional e político: a Inglaterra não fora transformada apenas pela máquina a vapor, nem sequer pelas anteriores expansão do comércio mundial e revolução agrícola; não fora a industrialização per se que desencadeara os processos de conflito e de desorganização social que marcaram o longo século XIX. A miríade de motins, revoltas, movimentos genéricos de protesto, revoluções sociais e ciclos intensos e recorrentes de violência a estes associados e que caracterizaram as eras da revolução, do capital e do império, resultaram também da emergência de um conjunto de propostas intelectuais - de Ricardo a James Mill, passando por Marx -, progressivamente desenvolvidas no interior de instituições sociais várias, que postularam a prevalência do mercado enquanto forma histórica primordial de organização da sociedade. A Grande Transformação consistiu sim, essencialmente, na extensão do sistema de mercados a todas as esferas da vida humana, cuja lei da oferta e da procura passou a determinar autonomamente a afetação e a remuneração de fatores de produção como a terra (a natureza) - e o trabalho (ou seja, a própria utilização da vida humana). Assim, a principal preocupação de Polanyi foi a de demonstrar como se formaram historicamente, primeiro, os mercados nacionais e internacionais e, nesta sequência, como se passou de uma configuração caracterizada por trocas livres para uma outra, marcada por um intenso controlo político e social, em reação à grande crise de 1929 (...)»

Sinopse - Bulhosa 



publicado por omeuinstante às 21:13 | link do post

Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2012


publicado por omeuinstante às 23:50 | link do post

 

Los Derechos Sociales- FB



publicado por omeuinstante às 12:52 | link do post

Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2012

Terminada a leitura, e olhando de novo a multidão, reparto um trecho; para aqueles que querem existir.

O homem é corda estendida entre o animal e o Super-homem: uma corda sobre um abismo; perigosa travessia, perigoso caminhar; perigoso olhar para trás, perigoso tremer e parar. O que é de grande valor no homem é ele ser uma ponte e não um fim; o que se pode amar no homem é ele ser uma passagem e um acabamento. Eu só amo aqueles que sabem viver como que se extinguindo, porque são esses que atravessam de um lado para um outro lado. (...)
Amo o que faz da sua virtude a sua tendência e o seu destino, pois assim, por sua virtude, quererá viver ainda e não viver mais. Amo o que não quer ter demasiadas virtudes. Uma virtude é mais virtude do que duas, porque é mais um nó a que se ata o destino.

Nietzsche, Assim Falava Zaratustra 



publicado por omeuinstante às 01:32 | link do post

Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2012

A delicadeza deve concluir-se, e não ver-se. (...) A grosseria só começa quando começa a delicadeza; e o impudor desde que o pudor exista.

Fernando Pessoa



publicado por omeuinstante às 12:52 | link do post

Quarta-feira, 5 de Dezembro de 2012

Sob o olhar atento de António Ramos Rosa, um poema de Pedro Tamen sobre a instantaneidade da palavra e a imediatidade do instante. 

 

E agora: a tua pele.

Revejo: é manso o mar.

E sei que o vento corre e que por ele
se colam no teu corpo lembranças de luar.

Descanso: os teus cabelos.

Entrego: já é dia.

Os caules são serenos, e ao vê-los

no côncavo da mão o sol nascia.

António Ramos Rosa, Incisões Oblíquas, Caminho, pág. 89.



publicado por omeuinstante às 13:00 | link do post

Ninguém compreende mas alguns entendem o apagão (previsto) do dia seguinte. E como a sombra cresce sob as asas do poder...

 

 

Aqui

 



publicado por omeuinstante às 12:11 | link do post

O despacho normativo n.º 24/2012 prevê-se explicitamente o direito de formulação do pedido de escusa da função de avaliador externo. É o n.º 4, do Art.º 5, que consagra esse direito:


«4 — Ao docente que, por qualquer razão, não esteja interessado em desempenhar as funções de avaliador externo da dimensão científica e pedagógica no âmbito da avaliação do desempenho docente, assiste o direito de apresentar pedido de escusa da função através de pedido fundamentado ao diretor-geral da Administração Escolar» 


Aqui


publicado por omeuinstante às 11:23 | link do post

Terça-feira, 4 de Dezembro de 2012

Na busca da felicidade, a mente cai nas suas próprias armadilhas.
Férteis são os dias e as noites...

Uma das formas mais universais de irracionalidade é a atitude tomada por quase toda a gente em relação às conversas maldizentes. Muito poucas pessoas sabem resistir à tentação de dizer mal dos seus conhecimentos e mesmo, se a ocasião se proporciona, dos seus amigos; no entanto, quando sabem que alguma coisa foi dita em seu desabono, enchem-se de espanto e indignação. Certamente nunca lhes ocorreu ao espírito que da mesma forma que dizem mal de não importa quem, alguém possa dizer mal deles. Esta é uma forma atenuada da atitude que, quando exagerada, conduz à mania da perseguição.

 

Bertrand Russell, A Conquista da Felicidade



publicado por omeuinstante às 17:00 | link do post

Sobre a lucidez de Saramago; e do riso (secreto e audível) que a envolve.

 

Penso que não cegamos, penso que estamos cegos. Cegos que vêem, cegos que, vendo, não vêem.



publicado por omeuinstante às 14:40 | link do post

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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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