" Que Deus é este que toma a mulher de um homem honrado e nela deposita a sua semente?"
Acabei de ler o primeiro romance de Nuno Lobo Antunes. Em Nome do Pai é uma narrativa ficcionada sobre a vida do pai de Jesus. Antes de morrer, José dá-nos conta das circunstâncias que o colocaram, aleatoriamente, entre o céu e a terra e como o Senhor lhe perturbou o equilíbrio condenando-o à "tortura do imaginado". Assistimos ao relato de um homem desesperado e de coração escarpado que se busca a si mesmo porque não alcança o fim último da ordem do sobrenatural.
José não compreende o que lhe aconteceu, por que razão foi o escolhido e, portanto, desconfia. Através do exercício de interrogação profunda, da paisagem interior, rejeita o destino que lhe roubou a possibilidade de viver entre os homens como um igual e rejeita também a ruptura da homogeneidade do espaço e do tempo.
O pai de Jesus, o artífice das formas belas, quer apenas existir e Nuno Lobo Antunes realiza-lhe o desejo íntimo de ser, homem, oferecendo-lhe um corpo. Com ele, mas sempre sob as estrelas, o homem que ama fabrica a transcendência. O sentimento, o amor salva-o.
Ao longo da leitura e em diversos momentos, senti o desejo de acompanhar a exposição pública desta alma arcaica de olhos bem fechados, como sinal de recusa desta servidão universal.
A escrita, muito bela, de Nuno Lobo Antunes faz deste livro um grande romance. Um excelente retrato sobre a condição humana. Recomendo-o vivamente.
Brinca! Pegando numa pedra que te cabe na mão,
sabes que te cabe na mão.
Qual é a filosofia que chega a uma certeza maior?
Nenhuma, e nenhuma pode vir brincar à minha porta.
Alberto Caeiro
Porque lhes quebrámos as estátuas,
porque os expulsámos dos seus templos,
não morreram, não, os deuses.
A ti, terra da Jónia, ainda eles amam,
e em suas almas sempre te recordam.
Quando a manhã de Agosto é alvorada em ti,
passa em teu ar um ardor dos deuses vivos;
e às vezes uma etérea forma juvenil,
indefinida, em trânsito subtil,
teus montes sobrevoa.
Constantino Cavafy (1863-1933).
Tradução - Jorge de Sena
Será que as políticas económicas impostas pelo defesa do euro são ainda compatíveis com as práticas democráticas?
Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
sophia de mello breyner andresen