Segunda-feira, 23 de Junho de 2014

 



Sempre. Dormiram, acordaram, esgotaram-se. Vivem na escuridão, no vácuo. Têm mãos. Respiram sombriamente sobre as mãos.

Depois param.

Então criam a festa. As forças irrompem do fundo; fazem vacilar o fino e o precário equilíbrio da terra. Para lá da lei abolida, as coisas tornam-se vísiveis, com uma intensidade, uma transparência anterior: sinais, vozes, tudo. Como se o mundo inteiro curasse uma ressaca no corpo de cada um, e essa lípida desordem deixasse o coração escorrido.
É a festa dos homens.

 

Herberto Helder, Passos em Volta



publicado por omeuinstante às 21:58 | link do post

Quinta-feira, 19 de Junho de 2014

 

Faces universais das múltiplas perspectivas do real (Irlanda)


 

 

 

 

 

 

 

 

 



publicado por omeuinstante às 23:07 | link do post

Terça-feira, 17 de Junho de 2014

 

Este número aborda as relações entre cinema e filosofia: "filosofia do cinema" versus "cinema como filosofia". 
Apetece rever (Ler e pensar) alguns dos artigos deste excelente conjunto de textos sobre filosofia da arte. 

 





publicado por omeuinstante às 21:49 | link do post

Segunda-feira, 9 de Junho de 2014

 

Um profundo exercício sobre a vida e a norma. Um poema inteiro, feito de cinzas e restos. Debaixo da pele, despida de ismos, o poeta deambula entre as trevas e a luz e, no gesto, constrói a esperança de um território primordial - o eu nu. Uma inquietação levada à alma. Sem disfarces: " Esta é a minha Elegia".

 

e só agora penso:

porque é que nunca olho quando passo defronte de mim

                                                                        mesmo?

para não ver quão pouca luz tenho dentro?

ou o soluço atravessado no rosto velho e furioso,

agora que o penso e vejo mesmo sem espelho?

- cem anos ou quinhentos ou mil anos devorados pelo

                                    fundo e amargo espelho velho:

e penso que só olhar agora ou não olhar é finalmente

                                                                 

                                                                  o mesmo

 

Herberto Helder, A Morte Sem Mestre, Porto Editora, p.16



publicado por omeuinstante às 22:23 | link do post

Quarta-feira, 4 de Junho de 2014

 

José Carlos Ary dos Santos. Nasceu em Lisboa no dia 7 de Dezembro de 1936 e faleceu no dia 20 de Janeiro de 1984.

 

 
Isto vai meus amigos isto vai
um passo atrás são sempre dois em frente
e um povo verdadeiro não se trai
não quer gente mais gente que outra gente.


Isto vai meus amigos isto vai
o que é preciso é ter sempre presente
que o presente é um tempo que se vai
e o futuro é o tempo resistente. 

Depois da tempestade há a bonança
que é verde como a cor que tem a esperança
quando a água de Abril sobre nós cai. 

O que é preciso é termos confiança
se fizermos de Maio a nossa lança
isto vai meus amigos isto vai.

 



publicado por omeuinstante às 13:03 | link do post

Domingo, 1 de Junho de 2014

 

Um poema de Mário Cesariny

 

Aclamações 
dentro do edifício inexpugnável 
aclamações 
por já termos chapéu para a solidão 
aclamações 
por sabermos estar vivos na geleira 
aclamações 
por ardermos mansinho junto ao mar 
aclamações 
porque cessou enfim o ruído da noite a secreta alegria por escadas 
               de caracol 
aclamações 
porque uma coisa é certa: ninguém nos ouve 
aclamações 

porque outra é indubitável: não se ouve ninguém 



publicado por omeuinstante às 21:13 | link do post

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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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