Segunda-feira, 13 de Outubro de 2014

 

algumas horas outras invadiram as sedas, os perfumes

ácidos da louça, não serão recordadas. ou quanto mais

as recordarmos, mais a ignorância deitará

os corpos no tapume de vidros, para que em torno

se conciliem as vontades singulares, as 

particularidades de um impetuoso alarme.

ou seja: deixarão as esplanadas baças, os garfos

encolhidos, para que um amplo destino os atravesse.

considerem, por exemplo o paquete que ao meio-dia

digere as minuciosas palmeiras sobre a

alta insensatez dos aquedutos. ou ainda

a ilusão dos alicates ao lado da água, e o seu reflexo

do outro lado das vidraças: azul, não é?

assim estas algumas outras horas: como esquecê-las?

 

António Franco Alexandre, Poemas, Assírio & Alvim, p.94



publicado por omeuinstante às 23:13 | link do post

Aqui 

 



publicado por omeuinstante às 22:50 | link do post

Domingo, 12 de Outubro de 2014

 

A conversa com a filha, Mónica Baldaque, permite saber de uma mulher e de uma escritora. Que são uma, como se verá. Agustina está retirada desde 2006. Deixou de escrever. Como olharia para a maneira como olhamos para ela?

Rindo-se. Seguramente.

Como é que vamos apresentar Agustina? A genial?, a sem medo?, a perversa?, a barroca (assim lhe chamava Óscar Lopes)? Estes são alguns dos epítetos mais comuns.
Todos lhe servem. O que é para além disso talvez não tenha definição. Verdadeiramente, aquilo que ela é está no riso.

No riso?
É uma das características fundamentais da minha mãe, da vida dela e do estar dela com os outros. O riso não tem que ver com a troça. Tem que ver com um segredo, com o mistério, com o estar numa outra dimensão. Há um provérbio judaico que diz: “O homem pensa, Deus ri.” Acho que aí a minha mãe está perto de Deus. O riso dela é como se fosse o riso de Deus.

(...)

De onde vem este gosto pelos vestidos? Um dos aforismos mais famosos: “O sucesso não vale tanto quanto um vestido novo.”
Tem razão.

Não era uma boutade?, acreditava nisso?
Absolutamente sim! Há tempos foi lá a casa uma pessoa visitá-la. Muito ternurenta, com aquele ar “coitadinha da senhora dona Agustina”. A mãe ouviu tudo, impassível. A senhora foi-se embora. A mãe: “Estava tão mal vestida!” [gargalhada]

 

Revista 2  

 



publicado por omeuinstante às 16:59 | link do post

Sábado, 11 de Outubro de 2014

 

"eu disse que os professores mantêm-se; eu não disse manter-se-ão"!

 

"O ataque à escola pública, esse elevador social que Abril lançou, começou cedo. Em tempos de vender o que é de todos, de interesse estratégico, mesmo se dando lucro (caso dos CTT), a escola pública vai sendo esmagada a favor do colégio privado."



Ler mais: http://expresso.sapo.pt/crato-essa-revolucao-cultural=f893243#ixzz3FqHVtJcx




publicado por omeuinstante às 14:18 | link do post

Quinta-feira, 9 de Outubro de 2014

 

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publicado por omeuinstante às 22:01 | link do post

Quarta-feira, 8 de Outubro de 2014

 

 "A decência manda que ninguém obtenha um emprego devido a uma injustiça, ainda que não tenha culpa nenhuma. Ninguém deve ser beneficiário de um erro grosseiro:"

 

 

Aqui



publicado por omeuinstante às 12:31 | link do post

Terça-feira, 7 de Outubro de 2014

 

A função da filosofia, escreve E. Morin, é a de alimentar o debate que permite fazer escolhas e dar um sentido à acção. E lutar contra um pensamento único, tecnocrático, que se imporia como evidência. Ora, a função do debate é essencial na Cidade, pois sem a crítica a tecnificação torna-se uma ameaça real à liberdade. 

 

"A especificidade das tecnologias de comunicação do século XX, com a transmissão de som e de imagem, reside na sua capacidade para chegar a todos os públicos, a todos os meios sociais e culturais. À partida, os meios de comunicação social do século XX são tributários da lógica do número. E se algo pode simbolizar a sociedade dos nossos dias, esse algo será o tríptico: sociedade de consumo, democracia de massas e meios de comunicação social de massas - três características que instalam no coração da sociedade contemporânea a questão, tão essencial, mas tão pouco estudada, do número e da massa."


Dominique Wolton, E Depois da Internet?



publicado por omeuinstante às 22:19 | link do post

xiii

2
Recordar não tem conteúdo vivencial.

(...)
      


Seria possível pensar a seguinte situação:uma pessoa recorda-se, pela primeira vez na 

  sua vida, duma casa e diz "Agora já sei o que é recordar, o que é que recordar me faz".

  -  "Como é que ela sabe que este sentimento é"recordar"? Compara: "agora já sei o que é

  ser-se picado (acabava de receber pela primeira vez um choque eléctrico). 

 - Sabe ela que esta sensação é recordar, por ter sido provocada pelo passado? 

  E como é que ela sabe o que é o passado? O homem aprende o conceito de passado ao recordar.

(...)

 

L. Wittgenstein, Investigações Filosóficas, F. C. Gulbenkian, p. 609



publicado por omeuinstante às 00:51 | link do post

Segunda-feira, 6 de Outubro de 2014

 

Antes o vôo da ave, que passa e não deixa rasto,

Que a passagem do animal, que fica lembrada no chão.

A ave passa e esquece, e assim deve ser.

O animal, onde já não está e por isso de nada serve,

Mostra que já esteve, o que não serve para nada.

 

A recordação é uma traição à Natureza,

Porque a Natureza de ontem não é Natureza.

O que foi não é nada, e lembrar é não ver.

 

Passa, ave, passa, e ensina-me a passar!

 

 Poemas Completos de Alberto Caeiro, Companhia Aguilar Editora, 1965, p. 224

Biblioteca Luso-Brasileira - Série portuguesa

 



publicado por omeuinstante às 23:09 | link do post

Quarta-feira, 1 de Outubro de 2014

 

 Dia Internacional do Idoso 

 

 

Os dados são tudo menos animadores: segundo um estudo divulgado pela Pordata, a propósito do Dia Internacional do Idoso que se assinala esta quarta-feira, não só Portugal é o 4.º país da União Europeia com maior percentagem de idosos (18%), como 23,6% destes vivem sozinhos e abaixo do limiar de pobreza. Além disso, o montante da grande maioria (77,9%) das pensões de velhice da Segurança Social é inferior ao salário mínimo nacional. Recuando um pouco no padrão etário, é também relevante dizer que em 2013, só 47% dos indivíduos entre os 55 e os 64 anos estavam empregados. A soma destes elementos negativos coloca-nos desafios a prazo que teremos necessariamente de superar. Se é verdade que os idosos em Portugal vão passar dos actuais dois milhões para mais de três milhões em 2060, é também verdade que nessa altura serão mais qualificados e, talvez por isso, menos sós. Mas é ao presente, amargo, que teremos de dar resposta.

 

 

Público

 

 

 



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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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