Montaigne, fidalgo pensador do século XVI, oferece-nos no seu jeito irónico a seguinte passagem:
Quando os Godos saquearam a Grécia, o que salvou as bibliotecas de serem incendiadas foi ter um deles espalhado a ideia de que era preciso deixar intacto aos inimigos o motivo que os afastava dos exercícios militares e os distraía com ocupações sedentárias e ociosas.
Montaigne, Três Ensaios, Passagens, p.29
De A. Carlos a 22 de Setembro de 2011 às 18:22
Obrigado pelo sorriso!
De Vasco Tomás a 23 de Setembro de 2011 às 23:53
Os gregos tinham uma palavra, também nome de deusa, que traduzia como uma luva esta "inteligência manhosa" que deve estar presente sobretudo na guerra, mas também em muitas situações onde ocorre "fogo simulado": Metis.
É uma forma de sabedoria prática, sensatez de senso comum, mas do ponto de vista filosófico exige-nos uma aclaração, que enuncio sob a forma problemática.
Pode mentir-se sempre que com isso se alcance um resultado considerado desejável?
Em que situações é legítimo mentir?
Quem define o que é um resultado desejável ?
Quem traça a linha de fronteira entre a piedosa mentira e a satânica?
Problemas que percorreram o debate filosófico ao longo dos séculos, e que continuamos a rememorar.
Já assim, em que capítulo dos Ensaios de Montaigne está esta passagem?
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