O dizer poético, expressionista, do austríaco Georg Trakl (1887-1914), lembra as fúrias de Orfeu. Um poeta da noite, da solidão e das imagens quase cinematográficas, que acompanho no crepúsculo deste inverno solarengo.
Pastores enterraram o sol na floresta nua.
Um pescador puxou a lua
Do lago gelado em áspera rede.
No cristal azul
Mora o pálido Homem, o rosto apoiado nas suas estrelas;
Ou curva a cabeça em sono purpúreo.
Mas sempre comove o vôo negro dos pássaros
Ao observador, santidade de flores azuis.
O silêncio próximo pensa no esquecido, anjos apagados.
De novo a fronte anoitece em pedra lunar;
Um rapaz irradiante
Surge a irmã em outono e negra decomposição.
Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
sophia de mello breyner andresen