Segunda-feira, 20 de Agosto de 2012

IIya Prigogine (1917-2003), Nobel da Química em 1977, aborda o problema do tempo através do uso de novas linguagens e, portanto, origina uma nova visão das ciências.  A reconstrução dos conceitos da física leva-o a considerar a incerteza e a escolha como propriedades da existência humana,  mas também do universo. Fruto da reflexão crítica de Prigogine surge a proposta de uma Nova Aliança entre o Homem e a Natureza e a de uma nova racionalidade. O Nascimento do Tempo é um pequeno texto resultante da transcrição de uma conferência apresentada por IIya Prigogine em Roma, a 12 de Fevereiro de 1987. Uma companhia oportuna para as noites claras de Agosto.
Começa assim:

O tema da minha comunicação diz respeito a uma pergunta clássica: o tempo tem um início? Sabemos que Aristóteles, no termo de uma análise do instante, concluía com a tese de que o tempo é eterno e que, na realidade, não se pode falar do seu início. Outras concepções, por exemplo as da tradição bíblica, levaram certos filósofos à ideia de que o tempo foi criado -num certo momento-, como as outras criaturas; tal foi, por exemplo, a opinião de Moisés Maimónides. Por seu lado, pensadores como Giordano Bruno ou Einstein acreditavam num tempo eterno. O que quereria agora mostrar-vos é que actualmente esta quaestio disputata pode ser retomada sob uma nova perspectiva.



publicado por omeuinstante às 21:53 | link do post

1 comentário:
De Moscardo a 21 de Agosto de 2012 às 23:39
É certo que o Homem não sabe lidar com os imensuráveis: o eterno, o infinito. Daí necessitar de um início (Arqué) e fim para tudo. Talvez para projectar a sua finitude e tentar encontrar um sentido na vida. Se o tempo for de facto eterno, teremos então ciclos consecutivos de morte e renascimento, onde o equilíbrio medeia o caos e a harmonia.


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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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