Quinta-feira, 22 de Novembro de 2012

dá-me a alegria, a sem razão nenhuma que se veja,

dou-te alegria, a sem caminhos na clareira,

a de nenhum sinal em terra nua.

dá-me a tristeza, a toda certa sem fronteiras.

dou-te tristeza, a cinza em cinza devastada,

a oiro no silêncio debruada.


por águas me verti, por rios, sementes.

de terra me vestes, a sombra do dia,

o sítio das flechas no corpo, na árvore.

no sossego das chuvas me reparto.

ficas no escuro, nos ramos nos frutos,

embrulho novelo a desajeito.

 

a porta quase aberta diz que me recebes,

quase fechada diz que me visitas.

assim te visite, assim te receba.

nenhuma palavra que o gesto não faça.

de águas me vista, em terra me vertas.

no corpo das flechas o sítio, nos rios.

António Franco Alexandre, Poemas, Assírio & Alvim, pág 290 



publicado por omeuinstante às 14:10 | link do post

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Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
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