Em vez de avançar para a autotransparência, a sociedade das ciências humanas e da comunicação generalizada avançou para aquela que, pelo menos em geral, se pode chamar a "fabulação do mundo". As imagens do mundo que nos são fornecidas pelos media e pelas ciências humanas, embora em planos diferentes, constituem a própria objectividade do mundo, e não apenas interpretações diferentes de uma "realidade" de algum modo dada. " Não nos fizeram, apenas interpretaram", segundo o dito de Nietzsche, que escreveu também que " o mundo verdadeiro tornou-se uma fábula".
Não tem, decerto, sentido negar pura e simplesmente uma "realidade unitária" do mundo, numa espécie de recaída nas formas de idealismo empírico-ingénuas. Mas tem mais sentido reconhecer que aquilo que chamamos a "realidade do mundo" é alguma coisa que se constitui como "contexto" das múltiplas fabulações - e tematizar o mundo nestes termos é precisamente o dever e o significado das ciências humanas.
Gianni Vattimo, A Sociedade Transparente
(Em Diálogo, Manual 11º ano)
Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
sophia de mello breyner andresen