O absurdo é a razão lúcida que constata os seus limites.
Camus
De forma lúcida Camus diz que o que é importante não é uma vida eterna, mas uma eterna vivacidade. Concordo.
A felicidade e o absurdo são dois filhos da mesma terra. São inseparáveis. O erro seria dizer que a felicidade nasce forçosamente da descoberta absurda. Acontece também que o sentimento do absurdo nasça da felicidade. " Acho que está tudo bem", diz Édipo e essa frase é sagrada. Ressoa no universo altivo e limitado. Ensina que nem tudo está bem, que nem tudo foi esgotado.
Albert Camus, O Mito de Sísifo, L.Brasil, pp 151-152
As filosofias da existência surgem como reacção ao sistema filosófico hegeliano e a todas as formas de racionalidade abstracta.
Para os filósofos existencialista a vida é demasiadamente rica e fluida para poder ser aprisionada em sistematizações abstractas.
O devir, a inquietação, a angústia levam o homem, a cada instante, a ser responsável por si e sem definição prévia.
A alegria silenciosa de Sísifo reside aqui: o seu destino pertence-lhe.
Calígula, naturalmente - Bom dia, Helicon. (silêncio.)
Helicon - Pareces fatigado?
Calígula - Andei muito.
Helicon - Sim, a tua ausência foi longa. (Silêncio.)
Calígula - Era difícil de encontrar.
Helicon - O quê?
Calígula - O que queria.
Helicon - E que querias tu?
Calígula - A Lua.
Helicon - O quê?
Calígula - Sim, eu queria a Lua.
Albert Camus, Calígula, Livros do Brasil
Os deuses haviam condenado Sisifo a rodar uma rocha até ao cimo de uma montanha, e uma vez atingido o cimo a rocha regressava pelo seu próprio peso ao sopé da montanha, obrigando Sisifo a recomeçar o seu trabalho, sem cessar. Haviam pensado (os deuses), com algum fundamento, que não há castigo mais terrível que o trabalho inútil e sem esperança. (...)
Se o mito é trágico é porque o homem, seu protagonista, tem consciência que a esperança de atingir o propósito do seu trabalho é frustada.
Muitos trabalhadores do nosso tempo trabalham nas mesmas condições e o seu destino não é menos absurdo.
Mas esta situação só é trágica nos momentos em que se tem consciência dela.
( texto adaptado)
Albert Camus, El mito de Sisifo, Losada, 1970, pp.93-95
Sem a música, a vida seria um erro. Nietzsche
sophia de mello breyner andresen